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Depois do apito final do Rio Ave 0, Sporting 4, que se jogou em Vila do Conde, a contar para a quarta jornada do campeonato, temos o apito inicial de mais um Sem Falta, com análise ao trabalho da equipa de arbitragem, hoje liderada por Bruno Costa, um árbitro muito experiente do nosso campeonato, não tão experiente, Pedro Henriques. Me conte.

Boa noite. Pouco experiente. É um árbitro que fez o seu jogo 42 da Primeira Liga, já é alguma coisa, obviamente. Subiu à Primeira Liga em 2022, ficou em 16º lugar na época passada. É um árbitro de meio da tabela, mas de qualquer maneira, está a dar os seus passos. Enquanto um jogador de futebol aos 35 anos, já dizemos que está bem, um árbitro aos 35 anos é considerado um árbitro jovem. Vamos analisar os lances.

Vamos começar. Ao minuto cinco, temos logo o gol do Sporting, Doumbia a encontrar Flávio Gonçalves nas costas da defesa vila-condense. Resta saber aqui se com alguma falta pelo meio, com algum fora de jogo ou se foi tudo legal.

É exatamente as duas coisas. O gol, para já, é legal, com dois momentos de análise. O primeiro, esse que tu destacaste e bem, o passe do Issa Doumbia pro Flávio Gonçalves, estava em jogo por 93 centímetros. Percebemos logo que estava em jogo. A cidade do futebol depois injetou mais à frente o sinal a dizer que esse não fora de jogo, essa posição legal era dada quase por um metro, 93 centímetros. E depois um momento, porque o Vanderlei acabou por ficar no chão, o guarda-redes do Vilaverdense, do Rio Ave, acabou por ficar no chão e houve realmente ali um contacto de Flávio Gonçalves, e sempre aquela dúvida se o Flávio teria feito alguma falta sobre o guarda-redes. O Flávio Gonçalves, ainda bem afastado do guarda-redes, que saiu a fazer a mancha, rematou, a bola entrou na baliza e é já depois da bola estar na baliza, quando o Flávio Gonçalves está a tentar seguir em frente e passar para ir comemorar o gol, que acaba por promover um ligeiro contacto com o guarda-redes, mas também não havia grandes hipóteses de fugir a esse contacto. É um contacto casual, fortuito, ligeiro, nem sequer se pode aqui considerar, uma vez que a bola também já estava dentro da baliza, a parte técnica nunca estaria em situação, em jogo, o gol tinha sempre validade, podia às vezes haver ali algum complemento desportivo do jogador em relação ao adversário, e aí, sim, podíamos ter situações de cartão amarelo. Não foi o caso, tudo correto, gol legal, sem fora de jogo, sem qualquer infração.

Ao minuto 10, um lance creio que a envolver Salazar do Sporting, a tocar de alguma forma em Netoy, que estava dentro da área do Sporting a rematar à baliza. Reclamaram penalty os vila-condenses, o árbitro não marcou. Resta saber se decidiu bem.

Sim, para mim bem. Não há nenhum empurrão, porque há ali uma utilização da mão esquerda ou do braço esquerdo, nem carga ou rasteira. O Netoy, que tem o Zalazar muito em cima dele, ainda conseguiu rematar. Para armar a perna direita para rematar, é ele que acaba por abrir essa perna. E é esse momento de abrir a perna para rematar, que ainda conseguiu, e com o Zalazar em cima dele, que acaba por haver esse contacto, sobretudo da mão, ao braço esquerdo, mais concretamente, que está dobrado do Zalazar, e à frente e em claro ato de proteção, porque como vai haver o choque e o contacto, não é a situação de ele usar o braço para empurrar ou desequilibrar o adversário, entenda-se Zalazar em relação ao Netoy, mas era para proteção por causa do movimento corporal feito pelo Netoy, de abrir a perna para armar o respectivo remate. Não há empurrão, utilização do braço de forma incorreta, não há rasteira ou carga, tudo legal e portanto sem motivo para pontapé de penalti.

Temos depois ao minuto 15, um amarelo, que na tua opinião faltou para Luís Suárez. Não sei, não recordo este lance, Pedro.

Sim, o Luís Suárez é um jogador bastante impetuoso na maneira como aborda. É uma situação em que está a ser marcado pelas costas pelo Francisco Petrasso. É uma situação em que a bola é metida e estamos em situação de ataque do Sporting, bola metida em profundidade. Só que o Luís Suárez, sabendo que está a ser marcado pelo Francisco Petrasso, ainda afastado dele, o que é que faz? Tenta o tirar da jogada para poder melhor dominar. Só que o tenta tirar, olha para o adversário, percebendo onde é que ele está, para perceber qual é a distância, e de forma deliberada, com o ombro. Normalmente, muitas vezes os braços e os cotovelos, mas aqui vai mesmo com o ombro, claramente, por baixo à zona do maxilar inferior, e faz-lhe uma carga com o ombro. Não foi uma cotovelada, não foi a mão, o típico, com o braço, nada, foi com o ombro, mas é claramente incorreto em sentido desportivo e negligente. O Petrasso depois até ficou a queixar-se obviamente do maxilar inferior, até a abrir a boca, a ver se tinha sangue na boca, porque realmente esta entrada, que o árbitro puniu com livre direto e chamou o jogador, entenda-se Suárez, para o acalmar pela impetuosidade, mas a repetição, para mim, é clara, ficou cartão amarelo por mostrar ao jogador avançado do Sporting.

Temos ao minuto 19, o segundo gol do Sporting, gol apontado por Geny Catamo, ao minuto 19, a receber uma bola à entrada da área, já dentro de área, vinda dos pés de Flávio Gonçalves. Resta saber se tudo legal neste lance que deu o segundo gol.

Sim, a questão está na recuperação da bola do Sporting. O Sporting recupera a bola na área leonina, à entrada da área. Ou seja, o Diogo Bezerra, para nós percebermos, estamos a falar de 80 metros antes, só que como o Sporting recupera essa bola e vai em direção da baliza adversária e faz o gol, se houvesse alguma falta nessa recuperação, consideramos isto na mesma fase, porque a bola nunca voltou para trás, foi sempre na direção da baliza adversária, poderíamos anular o gol caso houvesse falta. É dois momentos de análise do Flávio Gonçalves em relação ao Bezerra. Primeiro, a questão do pé, pé direito em relação ao pé esquerdo. Não há rasteira, não o pisa. Os dois jogadores colocam o pé ao lado um do outro. Poderá ter havido ali contacto, a imagem mostra ali o pé quase colado um ao outro, mas é contacto, não há pontapé, pisão, rasteira. Aí tudo fácil de ver. A dúvida estaria no contacto da mão direita, entenda-se Flávio Gonçalves, em relação ao braço do Bezerra. E aí também não há infração. Há um ligeiro e inconsequente contacto, toque. Não parece suficiente para aquilo que foi, de alguma maneira, o aproveitamento do jogador, que sentiu o contacto e deixou-se cair. E portanto, tudo legal para mim também neste lance, no sentido da recuperação de bola, pois a partir daí já não há mais nada para analisar e portanto o gol do Sporting, neste caso o segundo, tudo correto.

Ao minuto 22, queixavam-se os homens de Vila do Conde, os homens do Rio Ave, de um alegado penalti na área do Sporting, por alegada mão de Doumbia. Acredito que a bola até possa ter tocado no braço do jogador, mas estava encostado ao corpo.

Sim, tocou, mas é a situação do pontapé de canto, executado na altura por Diogo Bezerra, o mesmo jogador que estávamos a falar do lance anterior. O Issah Doumbia está ligeiramente à frente do primeiro poste e ninguém toca na bola em toda a trajetória. O Doumbia tem uma série de jogadores, no momento em que sente que vai levar com a bola, faz aquilo que é a posição de proteção, ou seja, encolhe os dois braços para dentro e acaba por levar com a bola no braço esquerdo. Mas depois a imagem é muito clara, braço bem dobradinho, bem juntinho, bem encostadinho ao corpo, a tal posição de proteção. Não há qualquer volumetria. Tudo correto, sem motivo para castigo máximo, sem motivo para pontapé de pênalti.

Ao minuto 33, ainda nas análises aos lances desta primeira parte, na tua opinião, ficou mais um amarelo por mostrar a mais um homem do Sporting, desta feita o capitão Gonçalo Inácio.

Sim, é uma situação que a televisão não dá grande relevância, dá só uma repetição. E a seguir passa as repetições, porque o jogador, o Jalen Diles, ficou no chão e ficou em situação de assistência. A televisão aproveitou para passar uma série de repetições do que já tinha acontecido, os gols, etc. Foi neste momento que até recuperou com melhores imagens aquela possível recuperação do Fábio Gonçalves, em falta ou não. Deu depois mais duas repetições, dois ângulos diferentes. Mas aqui o cartão amarelo, por quê? O Gonçalo Inácio vem por trás e acaba por entrar exatamente por trás sobre o Diles. Ele fica a se queixar muito do pé esquerdo e depois a repetição é muito clara. É aquela negligência na maneira como abordas e acaba por, com a bota esquerda de sola e com os pitões, tocar e derrubar o calcanhar esquerdo do avançado espanhol dos vila-condenses. Era cartão amarelo exatamente por esta entrada negligente.

Já na segunda parte, ao minuto 51, se faltou amarelo na primeira parte para Suárez, na tua opinião, na segunda o avançado cafetero acabou por ver esse amarelo e bem mostrado, Pedro.

Sim, o Luis Suárez é advertido por parar a saída em contra-ataque do Diles, usando os braços para o desequilibrar e depois, sobretudo com a perna direita, esta é que é a falta maior, rasteira. Mete uma infração que é passível de livre direto e mostração de cartão amarelo, exatamente pela falta tática.

Temos depois, Pedro Henriques, ao minuto 60, amarelo para Nikic, da equipe do Rio Ave.

Sim, mais outra falta tática. Aqui é uma situação em que a bola vai parar ao Fábio Gonçalves, uma perda da equipe do Rio Ave à saída do meio-campo, e o Nikic o que faz é, uma vez mais por trás, aquele agarrar para retardar a saída do Fábio Gonçalves. Ele ia já em velocidade disparada. Certo que é à saída do meio-campo, mas tem muito espaço para progredir e o objetivo do Nikic foi desinterçar-se da bola e parar a jogada. Enquadrado também no amarelo que foi mostrado ao minuto 51 ao Luis Suárez. Falta tática, tudo certo.

Ao minuto 62, o último lance em análise neste jogo, antes de conhecermos a nota que merece a equipe de arbitragem liderada por Bruno Costa. Sem pênalti de Liavas, também um lance a envolver uma alegada mão, mas desta feita na área do Rio Ave.

A situação é que é o Darijo Spikic, que é colega do Giorgio Liavas, que faz o passe ou o pontapé. A bola vem claramente do próprio colega e nós sabemos que uma das atenuantes, até tivemos esse caso do Paris Saint-Germain com o Bayern de Munique, apitado por João Pinheiro, também entre o João Neves e o outro português. Não foi o Nuno Mendes, foi o jogador que o João Neves-

O Vitinha.

O Vitinha.

Que hoje até marcou um gol importante.

Exatamente. Não sei se recordam nessa semifinal da Liga dos Campeões, uma bola que vem do João Neves pro Vitinha e a tal situação de ser pênalti ou não, porque o braço está aberto, etc. E nós sabemos, porque a lei tem esse pormenor e essa exceção, que quando a bola vem de um colega, mesmo que bata num braço, um braço esteja aberto e que não seja expectável que a bola venha, isso é logo uma atenuante. A bola vem do colega, não é bem claro que ele já tenha o braço lá. Parece que há um ligeiro movimento, porque obviamente, se a bola vem de um colega e eu estou na minha área e de forma deliberada, vamos dizer a palavra que não se pode dizer, mas intencional para as pessoas perceberem, eu vou lá com o braço interceptar a bola, o pênalti mantém-se. Quando a gente diz que a bola vem de um colega ou uma atenuante, é se eu já tiver o braço aberto e não estar à espera exatamente que a bola venha. Isso é uma exceção, que é o contrário do que acontece quando a bola vem do adversário. Por outro lado, relembrar aquilo que é a zona do braço que é punida ou que não é punida. E a lei, o IFAB, na página 110, 111 da Lei 12, diz uma coisa muito simples, que é: nós olhamos pro braço e nós temos o limite superior do braço a coincidir com o limite inferior da axila. Digamos que essa fronteira entre aquilo que é o fim da axila projetado pro braço e que coincide com o limite superior do braço, é essa a fronteira que diz que daí pra cima é zona verde, e quem dá essas cores não sou eu, é o próprio International Board, zona verde que não é punível, e digamos que é o limite inferior da axila projetado pro braço para baixo, que é a zona de infração. E a bola bate majoritariamente nessa dita zona verde, mas também ligeiramente a tocar já na parte de um bocadinho de braço. Não há aqui uma definição clara de bola tocada completamente numa zona irregular. Por outro lado, quando paramos a imagem, percebemos que não só a bola está a ser tocada nessa parte mais de ombro, vamos chamar assim, como o jogador tem o cuidado de ter o braço direito todo projetado pra trás. O tal braço que leva com a bola pra evitar exatamente esse contato. E por isso, com as imagens que foram disponibilizadas e com tudo isso que eu acabei de explicar, por vir do colega, por tocar majoritariamente numa zona que não é punível, com o braço direito todo pra trás, eu diria que não há motivo para pontapé de pênalti, porque seria pênalti, que era na interioridade da área do Rio Ave.

Resta saber que nota merece a equipe de arbitragem liderada por Bruno Costa neste jogo de abertura da quarta jornada, Rio Ave 0, Sporting 4.

Eu vou dar nota 6. Não dou 7 porque faltaram, no meu ponto de vista, dois cartões amarelos por mostrar, conforme eu disse, Gonçalo Inácio e Luis Suárez. E aqui é a agravante ligeira pra tirar um pontinho à exibição. O jogo também teve uma construção de um resultado que depois facilitou, sobretudo a segunda parte. Uma arbitragem globalmente positiva, quer na análise que foi feita na questão dos foras de jogo, como realçamos aqui num dos gols, nas questões de possíveis pênaltis, tudo certo. Inclusivamente nos gols, para além do fora de jogo, aquela questão do segundo gol do Sporting, se tinha nascido falta ou não. E depois um aspecto muito relevante e importante, tem sido uma tônica desta época e aqui nesse aspecto, a arbitragem está de parabéns, porque tem contribuído para isso, que é o tempo útil. Eu ainda não fui ver o ranking, não tive tempo.

Eu posso dizer que o tempo útil está-

Não, eu sei, 70,5%.

Exatamente.

A questão é perceber que eu acho que ainda não tivemos nenhum jogo com este tempo útil esta época na Primeira Liga. O que eu ia dizer é que talvez, e que é isso que eu ainda não tive tempo de ir ver, é se está no ranking número um neste momento dos jogos desta época.

Podemos ter tido então o jogo com mais tempo útil desta época.

Muito provavelmente.

E nós falamos disso também na emissão, quando o Irakun estava a ficar um pouco apreensivo por não entrar no jogo do Sporting, porque o jogo do Rio Ave não parava.

E tiveram um jogo com 21 faltas, que pra nossa liga é bastante relevante e positivo. Por isso, nota 6 pela positividade da arbitragem. Eu diria que a nível dos gols, que é o mais importante, porque é disso que as pessoas depois vão falar, e a nível das decisões nas áreas, esteve bem. E isso é o que vale para esta nota 6.

Nota 6 para Bruno Costa, árbitro que apitou a vitória do Sporting em Vila do Conde por quatro gols a zero, a contar pra quarta jornada do Campeonato da Liga Portugal 2026/2027. Um grande abraço, Pedro Henriques. O encontro marcado este sábado, a partir das 18h, para o Porto Académico de Viseu.