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Mais uma vez, muito boa noite. O meu nome é João Lourenço. Abrimos este espaço especial do Sem Falta, até porque terminou há momentos esse Benfica de Chelsea. A equipe encarnada está fora do Mundial de Clubes. Uma derrota frente aos londrinos por 4 x 1. É isso mesmo. Aqui a Rádio Observador ainda fizemos a atualização desse terceiro gol da equipe do Chelsea, um gol de Pedro Neto. Ora, o último gol da equipe londrina foi já marcado ao minuto 117 por Destiny Udogie, um antigo jogador do Leicester City que está agora ao serviço dos Leões de Londres. Já ouviu o jingle de abertura deste Sem Falta e é por isso que eu agora vou dar as boas-vindas ao nosso áudio, ao árbitro Pedro Henriques. Muito boa noite, Pedro.

Vamos lá.

Muito boa noite. Vamos então este Sem Falta de um jogo que, como já previas, iria ter mais tempo, mas que apenas teve esse prolongamento. Iniciamos este Sem Falta. Ao minuto 13 havia pedidos de pênalti sobre Andreas Schjelderup, mas sem qualquer tipo de razão.

Sim, é um lance com o Reece James. Quem acaba até por fazer a falta atacante, embora o árbitro não tenha marcado, foi o Schjelderup. O Reece James está a perder a bola e o Schjelderup ao passar por ele e por trás acaba por lhe envolver o braço direito nas costas e no pescoço do James, e é por esse movimento que o próprio Schjelderup faz que ele próprio acaba por cair. Não há motivo para pontapé de pênalti, boa decisão.

Continuamos neste cenário de pedidos de pênalti, mas de um lado, do Chelsea, até porque aos 37 minutos o novo reforço da equipe londrina, Liam Delap, também sofre uma falta dentro da área, mas também sem qualquer tipo de pontapé de pênalti.

Sim, acaba por não ser falta, primeiro por dois motivos. Primeiro porque é um lance com António Silva, a bola é bombeada pelo alto. O contato que existiu, e é legal, é por trás, é fora da área, portanto, mesmo que houvesse infração, seria sempre fora da área. De qualquer maneira, o António Silva não carregou, apenas encostou ao seu adversário, depois leva a bola na cara e também acaba por ficar fechado área, perdão, fechado a cara já dentro da área. De qualquer maneira, não há infração e, portanto, nem dentro nem fora da área, mas se houvesse era fora da área. Tudo certo.

Terminamos estes lances na primeira parte com os três minutos de desconto lançados pelo árbitro da partida, o eslovaco Slavov Incic.

Sim, só para lembrar que muitos destes jogos, aliás, quase todos, têm tido o cooling break, a tal paragem, não é bem para hidratação, chama-se para resfriar, para arrefecimento, no fundo também acabam por se hidratar. Relembrar que estavam 34 graus, 49% de umidade e estas condições têm levado a que por volta do minuto 30 da primeira parte e por volta do minuto 30 da segunda parte, façam essas paragens. E muitas vezes estes tempos de ditos descontos, que é a recuperação do tempo perdido, resultam também por serem um pouquinho maiores porque resultam destes cooling break, que nunca pode ser menos de 30 segundos, um minuto e meio, e nunca pode ser os três minutos. E é por isso que acontece um pouquinho esta situação. De qualquer maneira, tudo correto nestes seis minutos dados.

E este cooling break tem que sido quase um hábito neste Mundial de Clubes. Continuamos agora para a segunda parte e para os cartões. Primeiro, ao minuto 50, amarelo para Vangelis Pavlidis.

Para mim, mal marcado. É talvez a única situação que eu não concordo. É uma falta sobre o Enzo Pérez. Eu acho que há falta. O Pavlidis chega claramente primeiro à bola e depois como os jogadores vão no sentido contrário, acaba por haver aquele pontapé, no sentido de que tocou o pé direito, acaba por ficar nas pernas do seu adversário, neste caso, o Enzo Pérez. Para mim era falta direta e cartão amarelo. Acaba que não tem grande consequência, mas se o Benfica passasse, o Pavlidis com este amarelo ficaria de fora. Nesse aspeto, já teria aqui uma certa relevância este erro.

Precisamente, era o segundo amarelo do grego neste Mundial de Clubes e com esta admoestação iria falhar os quartos de final. Continuando nos cartões amarelos, mas deste lado do Chelsea, Moises Caicedo, que também falha o próximo jogo do Chelsea frente ao Palmeiras, mas leva então aqui este cartão amarelo.

Sim, é uma falta sobre Leandro Barreiro. O jogador do Chelsea está no chão e na sua área, portanto, o Leandro Barreiro ia sair, tinha mais de 100 metros pela frente para chegar à baliza adversária, mas o jogador do Chelsea o que faz é com o pé, digamos que encaixar no pé do jogador do Benfica para o rasteirar, para fazer o que nós chamamos uma falta tática, ou seja, obstruir a jogada para que ele não fosse para ali fora. E, portanto, o cartão amarelo e este ficar de fora da próxima no jogo, está tudo correto.

Minuto 63, Florentino Luís, do Sporting de Lisboa e Benfica, também vê o cartão amarelo, o primeiro neste Mundial de Clubes, falta ainda antes do gol do Chelsea.

Sim, é um pisão no calcanhar esquerdo do Cole Palmer, uma entrada muito dura, nós dizemos negligente, e portanto, cartão amarelo bem mostrado.

Prosseguimos no minuto 69, novo pedido de pênalti na área do Chelsea, uma falta sobre Pavlidis, mas também sem qualquer razão.

E também para mim, boa decisão. É um lance em que o Pavlidis até poderia ter sofrido falta fora da área, mas enfim, há ali um momento em que ele é travado na sua corrida, o Pavlidis segue, portanto, como não há consequência, não há falta. E o Badiashile, que é quem vai com ele. Depois o Pavlidis para, o Badiashile para e tarda o seu movimento para fazer, digamos, a finta para dentro, e quando sai esse momento, o Badiashile a travar também a sua corrida acaba por promover ali um ligeiro contato, ou pelo menos um contato inconsequente com as mãos contra o corpo do Pavlidis, que acaba por se deixar cair. Do meu ponto de vista, boa decisão, sem pênalti.

Prosseguimos 10 minutos mais tarde, há um gol do Chelsea, mas é anulado. É bem anulado ou é mal anulado, Pedro?

Não, é bem anulado, é por fora de jogo. O árbitro sempre cumpriu o protocolo, deixou a bola entrar na baliza e depois percebe-se que realmente estava adiantado. O Marco Curella é quem faz o passe, o Liam Delap é quem faz o gol. Quem está colocando ele fora de jogo é o Antonio Silva e depois mais à frente, quer no estádio, que é um gigante, quer depois uns minutinhos para nós aqui na televisão, nas aplicações, conseguimos perceber que na tecnologia tridimensional realmente havia fora de jogo e, portanto, boa decisão.

Prosseguimos esta análise no Sem Falta com mais um amarelo, desta vez para o Benfica, é para o Orkun Kökçü.

Se fosse para os quartos-final também ficava de fora.

Exatamente. Segundo amarelo nesta prova.

Exatamente, uma entrada muito negligente a pontapear as pernas do Pedro Neto, já próximo da área do Benfica, portanto, simultaneamente um ataque promissor e percebe-se que é cartão amarelo bem mostrado.

Chegamos ao minuto 85, o célebre minuto 85 que tanto mencionamos ao longo destas duas emissões especiais de desporto aqui na Rádio Observador, ora como mandam as regras federais do Estado da Carolina, jogo interrompido devido a condições climatéricas.

Pronto, já não é virgem nesta circunstância. Só relembrar que isto não é uma decisão, até porque há alguns jogadores do Chelsea que até vai ter com o árbitro, parece muito incomodado pelo árbitro estar a interromper o jogo.

O próprio Arthur Cabral também se dirige ao árbitro, na dúvida.

Exatamente. Não faz sentido, porque eles têm que perceber que isto não é uma decisão do árbitro, não é como nas competições nacionais, que há os nevoeiros. Nós cá em Portugal tivemos até esses jogos adiados no Nacional com o Benfica e no Nacional de Futebol com o Porto. Aí sim, o árbitro e os delegados da liga têm uma decisão quase relevante, 80, 90% de decisão. Aqui não, aqui são leis federais, estatais, que se sobrepõem e há esta questão de sempre que há tempestades, sobretudo com relâmpagos e trovoadas, tudo o que é espetáculos, sejam desportivos ou não, ou ao ar livre, simplesmente as pessoas têm que se proteger, têm que sair e não há a possibilidade de continuar. Portanto, há aqui uma imposição acima das regras da FIFA e ainda por cima com uma lei muito concreta e específica que existe, que é sempre que se ouve um relâmpago, o espetáculo, ou o que quer que seja que esteja a acontecer, só pode recomeçar 30 minutos depois do último relâmpago ou que cesse o último corte. Portanto, ainda há esta questão um pouquinho mais estranha, é o que é. Eu acho que é incompatível com o futebol e com aquilo que é a realidade do futebol. De qualquer maneira, percebe-se esta questão de segurança, que é aceitável.

E este será certamente um tema que poderá continuar a assolar os restantes jogos deste Mundial de Clubes e quem sabe até do Mundial de Seleções já daqui a um ano, também nos Estados Unidos, mas também no Canadá e no México. Viramos agora atenções para aquilo que ocorreu depois da 01:00 a.m, o resto deste jogo do Benfica frente ao Chelsea. Antes do pênalti a favor do Benfica, há um amarelo para António Silva.

Porque o António Silva tem razão porque dá pênalti e ele percebeu logo. Aliás, quatro jogadores do Benfica foram rodear o árbitro. Não faz sentido levar estes cartões amarelos, porque antes, quando não havia o VAR, eu ainda percebo que esta pressão que o jogador pudesse fazer em relação ao árbitro para deixar minimamente na dúvida, para poder rever uma determinada situação mental, etc, faria algum sentido. Agora já não faz sentido, porque o VAR está imune àquilo que é a pressão dos jogadores. O VAR está num espaço fechado, num género de central, e portanto, não interessa estar a questionar porque não é o árbitro que vai acionar esta parte protocolar do dever do lance. Além disso, os jogadores não sabem, mas deviam saber, que sempre que há uma situação de área, todas e quaisquer situações de área são revistas pelo VAR. Depois, se eles concordam com a decisão que o árbitro tomou, não concordam, se acham que é pênalti ou não, isso é outra questão. Agora, eles vão rever e portanto, é um cartão amarelo perfeitamente desnecessário. De qualquer maneira, quando há cartões amarelos por protestos, ainda por cima da maneira e viemos de como foi feito este protesto, o árbitro tem razão, é justo.

E como referias, e bem, durante estes lances dentro da área, o vídeo-árbitro é obrigado a rever o lance, chama Slavol Vincić, o árbitro esloveno, ao monitor e há pênalti para o Benfica.

Sim, é uma boa intervenção porque o Otamendi cabeceia e o Malo Gusto está com o braço esquerdo completamente na vertical, fora do plano do corpo, numa posição nada normal nem natural àquilo que é o próprio gesto técnico e com aquela mão acima da linha da cabeça, ainda mais anormal, se chama, deste gesto, deste movimento. E portanto, é normal no sentido de não ser normal, só nesse aspeto. E portanto, as volumetrias, os braços fora do plano do corpo, o gesto técnico que o jogador realiza e se esse braço está de acordo com esse gesto técnico, são os condicionantes que levam os árbitros ou os vídeo-árbitros a rever estes lances e normalmente perante uma situação e do braço naquela posição, qualquer VAR, qualquer árbitro, vai marcar pênalti e de acordo com a lei, como ela está atualmente, está tudo certo.

Pênalti esse que foi convertido por Ángel Di María, que fez o último jogo a serviço dos encarnados e também fez o último gol ao serviço da equipa de Luz. Antes de terminar o tempo regulamentar, há um amarelo, ao minuto 90 mais seis.

É uma entrada duríssima, negligente, sobre a linha de meio-campo, junto à linha lateral, sem qualquer tipo de necessidade nestas entradas negligentes. E o Prestianni viu o cartão amarelo e este cartão amarelo depois torna-se relevante e importante, como vamos ver a seguir com a penalidade.

Precisamente, é o minuto 92, já dentro do tempo extra, segundo amarelo para Prestianni, o argentino vai para a rua mais cedo.

É só pararmos a imagem para perceber que ele, de forma completamente negligente, com o seu pé esquerdo, acaba por entrar de sola, com os pitões, acertando em cheio na canela direita do Levi Colwill. É uma entrada que até é muito negligente. Até podíamos estar a pensar que se houvesse um cartão laranja, era exatamente essa a cor que esse cartão devia ter, porque é muito mais até do que amarelo, não chega para ser vermelho. De qualquer maneira, para efeitos de jogo, era quase igual, porque uma vez que ele já tinha sido advertido, este passa a ser o segundo cartão amarelo e a expulsão é correta

Prosseguimos esta análise com um amarelo para Lewis Colwill, o central do Chelsea, que leva esse amarelo ao minuto 62.

O Belotti sofre uma falta, ali a sair do meio-campo, o árbitro assinala de forma correta, ia só marcar a falta e, de repente, tipicamente de um árbitro que reage, e bem, naturalmente, a alguma boca, algum protesto, ele saca do cartão e mostra. Portanto, ele não ia mostrar cartão amarelo pela falta sobre o Belotti. O Colwill protestou, com certeza, em demasia e o árbitro acaba por sacar o cartão amarelo e tudo o que é protesto é sempre com pôr os amarelões.

Terminamos estas análises do lance desta partida entre o Benfica e o Chelsea com mais um pedido de penálti, desta vez na área do Benfica, uma falta sobre Christopher Nkunku.

É o Dalot que envolve o braço nas costas, mas é um envolvimento inconsequente e ligeiro. Realmente, os jogadores conhecem já isso, quando promovem estes contactos nos seus adversários, porque depois muitas vezes o que está em análise é aquilo que normalmente se chama de intensidade. Para nós, árbitros, comentadores ou pessoas especializadas, falamos da consequência, que é se aquele movimento, aquele contacto, aquela mão, aquele braço, aquele salto, tem a consequência de o jogador cair, não chegar à bola, etc. Para mim, é claramente inconsequente e é a situação típica de um jogador que assim sente o contacto e deixa-se cair. Portanto, para mim, boa decisão de centro arbitral.

Pedro, ao final desta última emissão especial de desporto deste Benfica-Chelsea, já davas uma avaliação positiva do árbitro esloveno Slavko Vincic. Na altura dizias "nota 7 para este árbitro da partida". Manténs uma avaliação positiva do árbitro?

Mantenho e vou manter o sete. Eu daria oito, porque o jogo tem grau de dificuldade, com todas as incidências. Eu diria que o árbitro na primeira parte tem dois lances de área que não marca penálti e são fundamentais. Na segunda parte é quando puxa um pouquinho mais os cartões amarelos para, de certa forma, segurar o jogo. Depois do recomeço, que ainda é primeira parte da segunda parte, tem uma decisão que é a ajuda do VAR, e é por isso que eu não dou oito, porque é lógico que o importante é a decisão final ter sido correta, mas sempre que é o VAR que ajuda e que o árbitro não tem essa capacidade de ver, eu tiro sempre ali qualquer coisinha, e é por isso que na altura estava com o sete. E depois, neste prolongamento, tem uma decisão que acaba por ser muito relevante e importante para o jogo, isto é, sob o ponto de vista técnico-tático, não sob o ponto de vista disciplinar, que é a expulsão do Presterinni, que não deixa dúvidas. Realmente, vê dois cartões amarelos que foram corretos, os dois, por entradas completamente extemporâneas, sem necessidade, ambas negligentes, bastante duras e, por isso, essa decisão acaba por ser tomada pelo árbitro. Eu relembro que nos segundos amarelos, expulções por acumulação de amarelos, o vídeo-árbitro não pode intervir, nem para dizer que sim, nem para dizer que não, portanto, só em lances diretos. Mas, de qualquer maneira, mantenho essa nota que é claramente positiva. Estive aqui entre o sete e o oito. Não fosse o VAR ajudar, eu daria o oito, mas por isso vou dar o sete, que é uma nota claramente positiva num jogo com seu grau de dificuldade, mas foi bem decidido e bem resolvido.

Pedro Henriques, antigo árbitro internacional e áudio-árbitro aqui da nossa Rádio Observador, muito obrigado por este "Sem Falta", este que será certamente o último "Sem Falta" desta temporada, mas a próxima já está aí a chegar. Pedro, mais uma vez, muito obrigado e o resto da noite.

Obrigado.