Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Benfica 3, Aarhus 1. Jogo da primeira mão do playoff de acesso à Liga Europa. O Benfica jogou e venceu frente ao campeão dinamarquês e o que é facto é que Pedro Henriques venceu por 3 x 1, mas acredito que a arbitragem não tenha sido no melhor plano. Pelo menos lembro-me ao longo da emissão de falarmos de dois erros. David, este árbitro italiano, Marco Guida, tem fama de não ser muito bom árbitro, porque estes erros são entendíveis, Pedro?
Vamos lá ver. Há aqui duas situações que eu vou falar. Uma tem a ver com uma situação técnico, penalti, e outra é sobretudo com aquilo que nós chamamos técnica de arbitragem, que para um árbitro com 45 anos, internacional desde 2014 e com muita experiência, não fazem sentido. Depois já passo a explicar. Vamos lá aos lances.
Vamos começar ao minuto dois, o primeiro gol do Benfica. Tudo legal com este gol de Rafa, que marca de recarga. Muita confusão na área, poderia até dizer pinball, aquele típico desporto onde a bola bate em todo lugar e mais algum, e depois sobra para Rafa, que a coloca dentro da baliza. Resta saber se tudo legal neste processo meio confuso.
Sim, aqui a questão seria no início da jogada, quando o Bah, no corredor direito, cruza a bola para o coração da área, em que o Pavlídis, se estivesse em fora de jogo, no interior da área, embora ele não tenha tocado na bola, ele depois vai discutir a bola, nessas carambolas, ato contínuo com o adversário. E isso teria impacto, porque o defesa que cortou a bola, cortou para a bola não chegar à zona do Pavlídis. Mas depois a imagem, embora sem linhas, percebe-se que no momento que o Bah faz o cruzamento, o Pavlídis está atrás da linha da bola. Ora, como nós sabemos, sempre que um jogador está em linha com a bola ou atrás da linha da bola, no momento em que o seu colega o passa, é uma das exceções à regra do fora de jogo, nunca está em fora de jogo. Por isso, gol legal do Benfica.
Ao minuto nove, amarelo para Leandro Barreiro, do Benfica. Resta saber se bem mostrado pelo árbitro Marco Guida.
Sim, o cartão amarelo é bem mostrado sob o ponto de vista de que o Leandro Barreiro pisa de sola e cuspitões o adversário, e portanto, as chamadas entradas negligentes, duras, nada a dizer sobre isso. A questão tem a ver exatamente com algo que é quase de estagiar, é que o árbitro, precipitado, saca do cartão amarelo com o jogador no chão. Ainda por cima, os dois jogadores ficaram no chão. Podia haver até dúvida ou confusão nas pessoas, mas ele marcou falta a favor de quem? Claro que ele esticou o braço dando a falta a favor da equipa dinamarquesa, mas poderia gerar essa dúvida. E a regra é muito simples. Não é regra, é técnica de arbitragem. É, tu tens um jogador que tens que mostrar cartão amarelo, mas que está no chão. Deixa-o estar. Ele, quando se levantar, porque se levanta sozinho ou porque é assistido, se tiver que haver assistência, depois de estar em pé, e porque normalmente há mais jogadores ali ao pé, isola-os. Isolar aqui significa puxá-lo ligeiramente para o lado, para que as pessoas percebam que é aquele jogador que eu estou a isolar, a chamar à parte, que lhe vou fazer aquilo que vou fazer a seguir, que é mostrar o cartão amarelo. Só há uma exceção, e portanto não se mostram cartões amarelos a jogadores deitados. Só há uma exceção, é se o jogador estivesse lesionado e recebesse assistência e tivesse que sair para fora do terreno de jogo de maca, ou seja, nunca tinha estado de pé depois da circunstância e da situação, então aí, sim, o árbitro mostra, seja amarelo, seja vermelho, durante esse trajeto em que o jogador vai a sair, no momento que vai a sair, com o jogador deitado na maca, que é para não haver dúvidas que ele sai, porque imaginemos que é uma expulsão ou um segundo amarelo, e portanto isso condiciona o jogo para depois não haver uma substituição, uma coisa qualquer no entretanto. E o árbitro aqui, para quem tem 45 anos de idade, desde 2014 internacional, fez uma coisa que é até um mau exemplo para os restantes árbitros. E portanto, não é o cartão amarelo, que é bem mostrado, é a forma como ele o mostrou.
Temos depois, ao minuto 12, na área da equipa do Aarhus, uma reclamação de penalti por parte dos homens do Benfica, um alegado penalti cometido por Bech, de braço. Sem motivo para tal.
Sem motivo. A bola é desviada por Lenglet, realmente a bola vai ao cotovelo direito do Tobias Bech, mas que tinha o braço dobrado, junto, encostado ao corpo e sem a tal volumetria, portanto, estava completamente encostado. E isto é o motivo, a razão, estas palavrinhas que eu disse, estar dobrado, junto, encostado, não haver volumetria, não estar fora do plano do corpo, para que bolas que mesmo que batam na chamada mão, e entende-se aqui mão ou braço, não sejam penalizadas. Foi o caso, boa decisão, sem penalti.
Temos depois, Pedro, na sequência dos lances deste jogo, um amarelo ao minuto 24 para Tomás Araújo, do Benfica. Bem mostrado?
Sim, bem mostrado. Agarrou com ambas as mãos o Tobias Bech. Eu não sei se é Bach, se é Bech, não sei. Aquilo é B-E-C-H, até às vezes tenho dúvidas, não sei como é que se lê, mas pronto. Porque para além do comportamento desportivo do Tomás Araújo, que agarrou o seu adversário, comete a chamada falta tática, pois claramente foi para parar de destruir a jogada, era uma transição ofensiva, embora ainda no seu próprio meio-campo da equipa dinamarquesa, mas portanto este cartão amarelo saiu e muito bem.
Temos depois, Pedro, ao minuto 30, talvez o lance mais importante nesta partida, porque na tua opinião, Rafa sofreu uma falta dentro da área, acabou por conseguir rematar, a bola foi para canto, o árbitro marcou canto, Rafa ainda reclamou sobre o árbitro um eventual penalti, o árbitro não marcou, o Benfica acabou por marcar no seguimento, mas ficou por marcar um penalti, na tua opinião, e não só.
Sim, exatamente, e não só. Em primeiro lugar, o lance calha perde um bocadinho aquilo que devia ser os minutos seguintes de contestação, porque no ato contínuo desse pontapé de canto, o Benfica faz o gol. E digamos que com o gol e com a euforia, a malta, desculpe lá a expressão, mas a malta acaba por se esquecer um bocadinho que tinha havido lance, mas é um penalti claro e óbvio. O Erik Hall vem por trás do Rafa, não tem qualquer hipótese de jogar a bola, chegar lá com o pé, fazer. Nada, ele está por trás, ele nem sequer consegue corpo a corpo carregar, eventualmente, ombro a ombro. Nada, não consegue fazer nada. Então ele quase em desespero, e é interessante quando se para a imagem, estás em desespero, já não consegues chegar lá, estica isto tudo para frente como quem vai cortar uma meta. Estás chegado para frente e com o braço direito esticado, empururra claramente nas costas o Rafa e desequilibra-o E dirão as pessoas: "Mas ele mesmo desequilibrado chutou". Isso não conta para nada, porque as infrações, o agarrar, o empurrar, saltar, carregar, são punidas em função de causa/efeito. Ou seja, é preciso que quando tens uma determinada ação, e neste caso a ação foi empurrar um adversário, que isso tenha uma consequência, não chegar à bola, perder a bola, não rematares, rematares e esse remate ser afetado em termos da qualidade do próprio remate. E percebeu-se claramente, não sabemos se o guarda-redes defenderia, mesmo que ele rematasse com todas as condições, se ia ao lado, se marcava golo. Agora, claramente que aquele remate, percebe-se isso, fica completamente diferente pelo empurrão, porque tu estás completamente em desequilíbrio e chutas, como dizia o outro, com o pé que tens mais à mão, mas chutas perfeitamente desequilibrado e não pões nesse remate tudo aquilo que tu podias pôr. E, portanto, é um lance que eu até posso compreender que para o árbitro não seja visto, porque aquilo é tão rápido, é uma situação rápida de área, mas para o VAR isto é claro e óbvio. E mais, se fosse assinado pontapé de penalty, o Rafa está dentro da área. Portanto, os quatro fatores de uma clara oportunidade de golo que dão cartão vermelho: distância curta, está dentro da área, direção da baliza, claramente, nenhum outro defensor, jogador contrário, poder interferir, para além daquele que fez falta, claramente, e a bola dominada ou controlada, e o Rafa levava a bola dominada ou controlada. E sendo com a mão um empurrão, como sendo o agarrar, o empurrar, o carregar, ou seja, não é tentativa de jogar a bola, porque quando é na tentativa de jogar a bola, e tentativa de jogar a bola é quando utilizas a perna, o pé, esticas e tens o azar, não consegues estar na bola e arrastares o adversário, sendo uma clara oportunidade de golo, isto é, quando é penalty e a falta que te fazem é na tentativa de jogar a bola com o pé, com a perna, aí sim, os vermelhos passam para cartão amarelo. A chamada lei, que a gente diz que é lei, que aquilo não é uma lei, da dupla penalização. Neste caso, usando a mão, manténs sempre a parte disciplinar. Resumindo e concluindo, penalty por assinalar e cartão vermelho por mostrar. Portanto, eu acho que é um erro grave nesta dupla questão do vermelho e do penalty, que, como disse, depois como logo no pontapé de canto é golo, a malta esqueceu-se desse lance.
Temos depois, Pedro, ao minuto 44, o VAR dá um penalty para o Benfica, depois também de uma bola embater num braço de um jogador do Aarhus. Não foi o árbitro imediatamente a marcar, foi depois o VAR a chamá-lo à razão, num lance que até poderia ter parecido que poderia ter sido à queima-roupa, mas não se verificou. Estava mesmo com volumetria suficiente para que fosse marcado o penalty.
Sim, exatamente. Volumetria e movimento deliberado. Portanto, é uma bola que é desviada e o Tobias Bach, lá estamos no mesmo, com o braço esquerdo levantado em posição não natural, fora do plano do corpo, toca claramente a bola com a mão esquerda e o gesto em si é claramente deliberado. É que nem sequer é aquela questão, que eu também disse no direto, o árbitro ou se o VAR não se vai meter nisto, eu até disse: "Isto é penalty claro, a pessoa anda a ver mal". Porque a questão aqui que se colocava era ser um remate à queima, que nós, em termos técnicos de arbitragem, chamamos bola inesperada. Mas mesmo nessa questão do remate ser de perto e à queima, ficava de fora a hipótese da tonuante, porque o jogador faz mesmo um gesto. Ou seja, eu até dei aquele exemplo quando a malta que joga voleibol, quando salta à rede e com a ponta da mão tenta rematar a bola de cima para baixo. É exatamente esse gesto que ele faz de tocar a bola com a palma da mão e, portanto, é um gesto tão deliberado, é um movimento tão deliberado no sentido de tocar a bola, o braço fora do plano do corpo, a tal volumetria, portanto, tinha lá os ingredientes todos para o pontapé de penalty. E aqui vem o VAR intervir e o árbitro depois foi ao monitor e confirmou.
Temos depois, Pedro, neste encontro apitado por Mark Guida, vitória do Benfica frente ao Aarhus por 3x1, ao minuto 74, na tua opinião, sem penalty por Schjelderup, que se queixava de penalty na área para os dinamarqueses.
Sim, este é claro que não é a infração. Rafa Silva no corredor direito cruza a bola, o Schjelderup chega primeiro à bola e toca-lhe até meio em desequilíbrio, meio no ar com o pé esquerdo e cai. E cai porque nas costas, na sua marcação, estava o Eric Kall, que estava em marcação com contacto, mas sem cargo ao empurrão. Estava só a correr com ele e estava na marcação. E, portanto, não há infração, não há tal carga incorreta ou empurrão, nem agarrou, nem nada disso e, portanto, há apenas o contacto. O Schjelderup também meio no ar para tentar interceptar aquela bola, acaba por tocar meio acrobaticamente com o pé e talvez por isso também se tenha desequilibrado e caído. Mais importante, sem motivo para penalty.
Temos depois ao minuto 83, também sem penalty sobre Richard Rios, que caiu na área depois de sentir um toque, meio que se deixa cair, não talvez para simulação, mas também sem motivos para penalty.
E mais do mesmo com o Eric Kall. E, portanto, neste caso concreto, o Richard Rios deixa-se cair. Ficamos logo com a ideia na imagem. Aliás, até o nosso João Pinto disse, visto lá do estádio, que a coisa parecia que ele estava até a sujeitar-se a levar um cartão amarelo. É quase simulação, mas é engraçado que na imagem por trás da baliza percebe-se toda a experiência do Richard Rios a tentar sacar aqui um penalty. Não só abranda a corrida para que o Kall caia sobre ele, que por acaso o Kall teve o cuidado de não o carregar, não o empurrar, e o Richard Rios, para ter a certeza que até podia ser eventualmente marcada uma falta, como se não houvesse VAR, ele, Richard Rios, com a mão esquerda, agarra a camisola do seu adversário que está por trás e puxa-o para cima dele. Portanto, é o próprio Richard Rios que faz falta atacante, que puxa o adversário para vir para cima dele, para depois ele cair para dar a entender que era pontapé de penalty. Bem o árbitro, bem o VAR, sem motivo para pontapé de penalty e o Richard Rios aqui no limite, a riscar até aquilo que nós podemos chamar de simulação. Mas eu acho que falta aqui qualquer coisa, porque na prática também houve ali contacto. Por isso, boa decisão principal, não houve motivo para penalty.
E para fechar a análise destes lances e para depois conhecermos a nota de Mark Guida, ao minuto 83, amarelo para Tshiamalela da equipa do Aarhus.
É no mesmo minuto, exatamente, porque desta jogada que sai da área, como o árbitro não marca falta, o que acontece é que o Tshiamalela acaba por ter uma entrada de joelho sobre o joelho direito do Enza Barrenechea, é uma entrada durinha, as que nós chamamos negligente, e por isso o árbitro vem no cartão amarelo.
E que nota merece Mark Guida, o árbitro italiano que apitou esta vitória do Benfica, sendo que há esse lance na área que deveria ter sido penalty mais a expulsão, e ainda aquele muito insólito lance de mostrar um cartão amarelo a um jogador que está no chão.
Aí não há erro, é só a questão de técnica de arbitragem que não fica bem a ninguém, muito menos a um árbitro internacional. O erro é mesmo o pontapé de penalty com um cartão vermelho. E isto, ok, havia 1x0, o Benfica até fez o 2x0. Portanto, não sabemos qual era a evolução de um jogo em que o penalty nem sempre é golo. Olha, em Braga, um desses penalties a favor do Braga não foi golo. Sabemos era que com cartão vermelho a equipa ficaria com 10. Enfim, vale o que vale. E por isso eu vou dar nota positiva de cinco, porque houve outras boas decisões, houve a boa decisão do VAR. Portanto, eu diria como nota negativa a incapacidade do árbitro não ter visto os dois penalties. Mas vamos lá ver, temos que olhar isto também pelo conjunto e o VAR faz parte da equipa de arbitragem e, portanto, a parte positiva foi um penalty bem assinalado, mas ficou outro por assinalar. E é nesta perspectiva que eu acabo por penalizar, porque isto é uma eliminatória, todos os gols vão contar. Se fosse a segunda e já tivesse decidido, a coisa era diferente. Assim fica no ar a dúvida do que é que poderia acontecer se este penalty claro e óbvio fosse marcado. E por isso eu vou dar nota positiva pelas coisas boas que também houve, o VAR na intervenção do penalty, todos os outros lances que falámos aqui de área e foram vários em que o árbitro esteve bem por não ter assinalado penalty. E é daí que vem este positivo baixinho, afetado claramente por esse penalty não assinalado ao minuto 30 sobre o Rafa Silva.
Está dada a nota, nota cinco para Mark Guida, positiva mínima no "Sem Falta", depois de ter apitado a vitória do Benfica frente ao Aarhus em casa na primeira mão do playoff de acesso à fase liga da Liga Europa. Vitória encarnada por três bolas a um e nós estamos de regresso com o "Sem Falta", Pedro Henriques, mais este fim de semana para a terceira jornada do campeonato, sendo que pode sempre ouvir o Pedro Henriques em sede de "O Campeão É", com notas de zero a 20, segunda a sexta, e também ao fim de semana aqui na Rádio Observador. Um grande abraço, Pedro.
Um abraço.