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O apito está dado. Começa agora mais um Três Toques com o Carlos Pedro. Carlos, bom dia. Bom dia. Hoje vamos começar o Três Toques em grego. Não vamos falar sequer de Pavlídis, que ontem teve uma grande noite ao serviço do Benfica. Vamos falar de um conterrâneo, Giannis Constantelias, que é o novo prodígio do futebol grego e que ontem, aos 23 anos, completou uma grande mudança de clube. Já há vários anos que andava a dar nas vistas, parece que finalmente deu o salto. Vai pro futebol alemão, nomeadamente para o gigante Borussia Dortmund, vai ser colega de equipe de Fábio Silva. Esta é uma das transferências mais conturbadas deste mercado de transferências, porque os adeptos não queriam deixar sair o jogador. E atenção que estas questões de não quererem deixar o Constantelias sair já vêm desde o ano passado, mas já lá vamos. De acordo com a imprensa grega, alguns adeptos chegaram mesmo a invadir os escritórios do clube no estádio, em Salónica, porque queriam falar com o presidente do PAOK, o clube de Constantelias, queriam perceber por que vão vender o seu melhor jogador. Centenas de adeptos juntaram-se nas imediações do estádio para fazer o que aparentemente não conseguiram no ano passado. Ou melhor, o que conseguiram no ano passado, assim é que está certo, porque há um ano estava tudo acertado para a venda deste jogador por 21 milhões de euros para o Estugarda, também da Alemanha. A proposta foi aceita pelo clube, foi aceita pelo jogador. Mas depois a pressão da massa associativa fez com que recuassem no clube. Exatamente. Foi aceito pelo clube, pelo jogador, mas não pelos adeptos. Constantelias, ou Messi grego, como é descrito pelos fanáticos do PAOK, era o preferido dos sócios, e os sócios nunca gostam de ver os seus preferidos sair. O PAOK é um clube de paixão, a verdade é essa. Um clube de paixão, e não só. Em 2011, o presidente invadiu o relvado de arma à cintura, revoltado com uma decisão de arbitragem. Já estamos a ver aqui-
O nível a que as coisas se passam.
Exatamente. Os adeptos não são menos loucos e tentaram, por isso, invadir os escritórios também, e o negócio acabou por ser cancelado, o negócio do ano passado com o Estugarda, também na sequência de ameaças dirigidas ao presidente. Este ano, para tentar fintar os contestatários deste negócio, o avançado internacional grego viajou cedo, viajou logo no domingo pra Alemanha. Foi apresentado ontem, mas viajou no domingo para realizar exames médicos e assinar um contrato de longa duração. Acontece que, na chegada a Dortmund, Constantelias foi abordado por um adepto do PAOK, que estava à espera do jogador no aeroporto e foi colocado em videochamada com outros adeptos do clube grego, presentes em Salónica. E aí terá sido o momento em que o avançado transmitiu que a decisão passa pela saída, passa por abraçar um novo desafio, assim foi confirmado ontem, embora tenha feito ainda juras de amor ao PAOK. Isto, na iminência de sair. Imagine-se se volta à Grécia mais tarde para jogar noutro clube que não o PAOK. É capaz de a coisa não correr bem. Mas a transferência foi entretanto confirmada, sem serem revelados os valores, mas a imprensa alemã diz que o negócio ficou feito à volta dos 30 milhões. Eu não me lembro de ver o PAOK receber 30 milhões de euros por um jogador. Olha, Paulo, dá pra comprar umas casinhas ali em Cascais.
Pois, lá em Cascais algumas.
Algumas. Dá pra comprar a rua. Na Alemanha. É que não sei se dá pra comprar, quer dizer, dá pra comprar muitas. Mas isto estou a mudar pra Alemanha, porque há uma presença cada vez mais frequente nos estádios de futebol, mas há um clube na Alemanha que vai mudar isso. Falo da presença dos influencers nos estádios. Não é só porque gostam muito de futebol, também devem gostar, é porque também é um negócio ou uma oportunidade de negócio, isso gera conversa, nomeadamente por causa dos bilhetes. Há estádios onde não faltam lugares disponíveis, mas não é aí que estão os influenciadores, não é aí que eles fazem o negócio. Ainda assim, esses influenciadores têm, de fato, impacto pros clubes e sobretudo para as marcas. No entanto, na Alemanha, o Dynamo de Dresden decidiu tomar medidas drásticas e inéditas. Estou a falar de um clube da segunda divisão alemã que proibiu a entrada de vloggers e criadores de conteúdo que pretendam rentabilizar as gravações feitas no estádio. Como é que eles controlam isso? Exatamente. O mote da campanha é: "Vlogs, nem pensar no Dynamo." Esta medida foi anunciada em conjunto com grupos ultras e representantes dos adeptos de Dresden. Parece que vão ser a polícia dentro do estádio, vão controlar o que os adeptos gravam ou não gravam, por que gravam, por que não gravam. Esta nova regra impede influenciadores, vloggers, streamers e outros criadores de filmarem no estádio sem autorização prévia, quando o objetivo passa por aumentar o alcance ou gerar receitas através das plataformas digitais.
Isso vai ser difícil de-
Basta dizer que esse não é o objetivo.
Não é o objetivo. É difícil controlar isso.
A medida não impede fotografias ou vídeos para uso exclusivamente privado. Mas isso também significa que se os adeptos publicarem uma fotografia no Instagram, por exemplo, nas stories.
Qual é o poder que o clube tem em termos legais para ver e dizer: "Vocês estão a ganhar dinheiro com isto" ou "Estás a ganhar dinheiro com este vídeo".
Precisamente para ver, não é? Para ter acesso.
Para aqui multá-los.
Vai ser difícil de controlar.
Não vai ser fácil.
Os adeptos.
Vai ser mais difícil do que o VAR, de certeza.
O Dynamo justifica esta decisão com, primeiro, a questão dos direitos televisivos e a exploração comercial. Para o clube, se um criador monetiza imagens de um jogo, é ele quem beneficia financeiramente, enquanto o clube e os seus parceiros não recebem qualquer compensação. Não sei se será bem assim ou que impacto é que terá.
No fundo, tens várias pessoas a tirar partido duma marca, dum clube, duma instituição Que investiu para isso e aquela influencer não investiu para isso. Mas é a vida, não se consegue controlar isso dessa maneira.
E a própria receita também não deverá ser significativa. Outra justificação prende-se com o ambiente nas bancadas. O Dinamo diz querer proteger a experiência dos adeptos que preferem acompanhar os jogos sem câmeras constantemente apontadas para as bancadas. Apela, por isso, ao respeito e à consideração de todos. Já todos nós, pelo menos uma vez, fomos apanhados em fotografias alheias. Sabe-se lá onde vão parar essas fotografias, o que é que podemos estar a fazer nelas. Enfim, é melhor não arriscar. Eu sei que nas claques, em Portugal, há essa cultura de não gravar muitos vídeos, muito menos apontando a câmera para a confusão, para os adeptos. Eu vou seguir com Dennis Rodman. Eu já trouxe aqui uma espécie de intercâmbio de desportos aqui ao Três Toques. Trago-vos mais um. Agora mais um. Dennis Rodman, para quem não acompanha ou para quem acompanha basquetebol, em especial o basquetebol norte-americano, é um dos maiores nomes da história deste desporto. Excente. Era isso que eu ia dizer, precisamente. Típico das estrelas. Tem o corpo coberto de tatuagens, um cabelo que já conheceu todas as cores, já participou em reality shows, esteve internado numa clínica de desintoxicação para superar a dependência do álcool, viu-se envolvido em problemas com as autoridades diversas vezes. Enfim, uma carreira em cheio e parece que agora querem que o homem seja- Tem 65 anos. Exato, querem que o homem seja professor. Já não dão descanso, coitado. Sendo assim, provavelmente sem saber o que fazer ao dinheiro, o dono do clube Hapoel Tel Aviv teve a ideia de pedir a Rodman que viesse dar umas aulas à sua equipa de futebol de como ganhar ressaltos, que era uma das especialidades deste atleta, sendo que os ressaltos no futebol e no basquetebol são bastante diferentes. Ligeiramente. Até porque uma bola pega-se com a mão e a outra toca-se com o pé. Aulas, não, uma masterclass. O dono do Hapoel Tel Aviv terá enviado uma carta a Rodman. Na proposta incluía ainda o pagamento de 100 mil dólares, bilhetes de avião em classe executiva e, claro, um alojamento num hotel de luxo. Isto seriam as recompensas para Rodman cumprir um programa de três dias com jogadores e imprensa. Teria ainda direito a um jantar e a conhecer a vida noturna na cidade de Tel Aviv. O Hapoel pretende com isto transformar a visita deste antigo jogador de basquetebol numa ação de marketing internacional. Seguramente, claro. O objetivo é utilizar o material audiovisual que for produzido durante a visita de Dennis Rodman, uma visita que, aliás, não está de todo confirmada, para ampliar o alcance. Ir às redes sociais.
Aí já é o clube a usar o influencer.
É. Carlos Pedro e o Três Toques das manhãs 360. Até amanhã, Carlos. Até amanhã.