Foi há 75 anos que Dorothy Gale, personagem que ganhou vida com Judy Garland, cantou sobre um lugar para lá do arco-íris, onde os céus são azuis e os sonhos que nos atrevemos a sonhar se concretizam verdadeiramente. Depois de ficar inconsciente ao ser atingida na cabeça pelo caixilho da janela do seu quarto, por causa de um tornado, Dorothy acorda e apercebe-se que a sua casa está a rodopiar pelos ares. Quando a casa finalmente aterra e a jovem abre a porta, rapidamente chega à conclusão de que já não se encontra no Kansas.

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Munchkinland, na Terra de Oz. É aqui que Dorothy e Toto, o seu cão de estimação, aterram e que a aventura começa. É também a partir daqui que o filme passa a ser a cores, graças à tecnologia Technicolor, ao contrário da sequência inicial, filmada a preto e branco e posteriormente colorida a sépia. O filme de 101 minutos, realizado por Victor Fleming, acompanha a viagem de Dorothy até à cidade Esmeralda, onde terá de encontrar o Feiticeiro de Oz (Frank Morgan), o único que a pode ajudar a regressar ao Kansas. Pelo caminho, encontra o Espantalho (Ray Bolger), o Homem de Lata (Jack Haley) e o Leão (Bert Lahr), que acabam por acompanhá-la, já que também têm pedidos a fazer ao grande feiticeiro: um cérebro, um coração e coragem, respetivamente.

O Feiticeiro de Oz estreou nos Estados Unidos, a nível nacional, a 25 de agosto de 1939 e chegou a Portugal quase um ano e meio depois, a 13 de dezembro de 1940. Ganhou dois Óscares em 1940: Melhor Banda Sonora e Melhor Canção Original, graças a “Over The Rainbow”, que esteve quase para ser cortada da versão final do filme. A distribuidora Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) considerou que a canção tornava a sequência inicial demasiado longa e que era degradante para Garland cantar num celeiro. Acabou por se manter e tornou-se não só numa imagem de marca do reportório de Judy Garland, mas também numa das canções mais icónicas e populares de sempre.

O filme, baseado num conto infantil homónimo publicado em 1900 e escrito por L. Frank Baum, esteve nomeado para outros quatro óscares: Melhor Fotografia, Melhor Direção Artística, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Filme mas, nesta categoria, perdeu para outro dos grandes clássicos cinematográficos: E Tudo o Vento Levou, protagonizado por Clark Gable e Vivien Leigh. Na 11.ª edição da cerimónia, Judy Garland ganhou um Óscar Juvenil, um prémio que foi eliminado em 1960.

Outra das imagens de marca do filme são os sapatos de rubi, que pertenciam originalmente à bruxa malvada do este e que, depois de esta morrer, são entregues a Dorothy por Glinda (Billie Burke), a fada da história. No conto que deu origem ao filme, os sapatos eram prateados. Mas, de maneira a aproveitar a tecnologia Technicolor, decidiu-se que seriam vermelhos rubi. Foram criados diversos pares para serem utilizados nas filmagens. Atualmente, sabe-se que um par se encontra no Museu Smithsonian, em Washington, e que existem, pelo menos, mais quatro pares.

<> at the Plaza Athenee on December 5, 2011 in New York City.

Créditos: Astrid Stawiarz

Durante a rodagem registaram-se alguns incidentes que quase custaram a vida a Margaret Hamilton, a Wicked witch of the west [“A bruxa malvada do oeste”, em tradução livre] e a Buddy Ebsen, que se candidatou ao papel de Homem de Lata. Enquanto Margaret filmava uma cena em que desaparecia numa nuvem de fumo, a equipa técnica demorou mais do que o previsto a abrir o alçapão por onde deveria cair. A gordura da sua maquilhagem à base de cobre aqueceu de tal forma que provocou queimaduras de segundo e terceiro graus nas mãos e na cara. A atriz esteve internada durante seis semanas. Curiosamente, o que aconteceu com Buddy Ebsen também esteve relacionado com a maquilhagem utilizada para a caracterização do personagem do Homem de Lata — continha pó de alumínio, uma substância altamente tóxica, que se alojou nos pulmões de Ebsen e provocou uma paragem respiratória ao ator, que foi internado de emergência.

Com um investimento inicial de quase três milhões de dólares, o filme gerou, até 2014, receitas no valor de 247 milhões de dólares. Os números aumentam todos os anos. Por ser um filme tão querido por parte do público, adulto e infantil, são inúmeras as suas reposições em salas de cinema. Daqui a 75 anos continuaremos, com certeza, a sonhar com o lugar que existe para lá do arco-íris, onde os problemas se derretem como rebuçados de limão.