Fink é Fin Greenall, um inglês de 42 anos que já leva 20 de carreira nos caminhos da música. Começou como Dj, mas os seus múltiplos talentos levaram-no para a produção e composição. Além disso, tem uma boa voz e um ouvido particularmente afinado para fazer dela um instrumento, sem complicações. As letras, por vezes carregadas, são moldadas com uma métrica precisa, um detalhe tão perfeccionista que quase passa despercebido.

O cuidado rítmico está por todo o lado, um talento já impresso nos discos anteriores, típico de gente que faz muita coisa e não tem tempo a perder. Isto porque Fin Greenall, além de Dj, músico e compositor, gere uma editora de tecno minimal, é promotor e… advogado.

Hard Believer” é o sexto álbum de estúdio de Fink (com Tim Thornton e Guy Whittaker), foi gravado nos estúdios Sound Factory em Hollywood e produzido por Billy Bush (que já trabalhou com Beck, Foster the People e com os Garbage) e o primeiro lançamento da R’COUP’D, editora criada pelo músico inglês sob o guarda-chuva da Ninja Tunes.

Este disco é um puzzle de sons que resulta numa hipnose (ou num tédio) feita de blues e rock e de arranjos cuidados, umas vezes acústico, outras a ameaçar distorcer. Como toda a música, depende do lado como nos bate. Como se pode ouvir em Looking to Closely, “the devil’s right there, right there in the details”. Mas apesar do todo ser feito de muitas partes, é visto de cima que este disco se revela. No tema Shakespeare, Fink canta: “oh you, taught me so much about you / taught me so much about love / and yet I learn nothing”. Na música é a mesma coisa, o diabo está nos detalhes.