O livro tem edição em Portugal pela Porto Editora, com ilustrações de Esgar Acelerado, e, no Brasil, pela Cosac Naify, com trabalho gráfico do artista brasileiro Nino Cais.

“O paraíso são os outros” (oposto de uma célebre frase do filósofo Jean-Paul Sartre, que disse “O inferno são os outros”) é narrado por uma menina que se intriga com a forma como os adultos exteriorizam o amor.

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“Reparo desde pequena que os adultos vivem muito em casais. (…) O amor constrói. Gostarmos de alguém, mesmo quando estamos parados durante o tempo de dormir, é como fazer prédios ou cozinhas para mesas de mil lugares. Mas amar é um trabalho bom. A minha mãe diz”, escreve Valter Hugo Mãe, no começo deste conto.

“O paraíso são os outros” inaugura uma coleção de livros de Valter Hugo Mãe para jovens e crianças, ilustrados por diferentes artistas, mas este ano não sairá mais nenhum volume.

Valter Hugo Mãe vai dissertando sobre as vicissitudes do amor, sobre a solidão, a homossexualidade e a lealdade, sempre na perspetiva da menina: “Os casais formam-se para serem o paraíso. Ou assim devia ser. Há casais que vivem no inferno, mas isso está errado. Pertencer a um casal tem de ser uma coisa boa. Eu, quando for adulta e encontrar quem vou amar, quero ser feliz”.

Na edição portuguesa, o artista plástico Esgar Acelerado (Póvoa de Varzim, 1968) retrata situações quotidianas de casais, em que animais assumem formas antropomórficas: sapos, veados, cavalos, jacarés.

Na edição brasileira, “O paraíso são os outros” surge ilustrado com manipulações artísticas de fotografias antigas de casamentos.

De acordo com a editora Cosac Naify, “a inspiração para este livro surgiu de uma visita [do autor português] ao atelier do artista Nino Cais, que trabalhava em fotos antigas de casamentos colando pedras de bijuteria infantil sobre os rostos dos casais retratados. Seis dessas imagens dialogam com o texto no livro”.

“O paraíso são os outros” não é uma estreia de Valter Hugo Mãe na escrita para os mais novos.

O escritor português, nascido em Angola em 1971, distinguido com o Prémio José Saramago em 2007, autor de romances como “o apocalipse dos trabalhadores” e “a máquina de fazer espanhóis”, já publicou – a pensar em jovens e crianças – os livros “Quatro tesouros”, “O rosto” e “As mais belas coisas do mundo”.