No dia 8 de janeiro de 2015, Adolfo Luxúria Canibal pisa o palco do Teatro Carlos Alberto, no Porto. Não para cantar com os Mão Morta, mas para interpretar, ao lado de José Eduardo Silva, a peça de teatro “Eis o homem“, cujo texto passa pelas palavras de Pôncio Pilatos a Jesus Cristo e pela obra Ecce Homo, de Nietzsche.

O regresso ao Porto da peça co-produzida pelo Teatro Nacional São João (TNSJ) leva o público a mergulhar “num espaço de reclusão e tortura, para sondar os caminhos que escolhemos para a realização da nossa liberdade individual e coletiva”, pode ler-se na descrição do espetáculo, cujo texto é da dramaturga Marta Freitas.

O título da peça remete para as palavras ditas por Pôncio Pilatos quando entregou Jesus Cristo à multidão. Mas também lembra a obra Ecce Homo – Ou como se chega a ser o que se é, escrita pelo filósofo Friedrish Nietzsche em 1888 quando sentiu a loucura e a morte a aproximarem-se. O filósofo alemão quis deixar ao mundo a sua imagem verdadeira e os pensamentos por detrás de algumas das obras que publicou.

Aqui conta-se a história de dois homens torturados numa cave com o intuito de alcançar a sua purificação e renascimento. A proximidade com a morte, oferecida por um “torturador iluminado”, vai conduzir estes homens a uma reflexão vital sobre a humanidade. Com duração de cerca de uma hora e meia, “Eis o homem” vai estar em cena até 17 de janeiro, de quinta a sábado, às 21h00, quarta-feira, às 19h00, e aos domingos, às 16h00. Os bilhetes custam 10 euros.

Outra das novidades para o primeiro trimestre de programação do TNSJ é a estreia da peça “A vida é sonho“, do encenador João Garcia Miguel, a trabalhar com o Teatro Oficina. Obra do teatro filosófico de Pedro Calderón de la Barca, um dos dramaturgos do Século de Ouro espanhol (do Renascimento ao Barroco), “A vida é sonho” data de 1635 e mostra o conflito entre o príncipe Segismundo, encarcerado numa torre, e o seu pai, o rei Basílio, que submete o destino do filho aos astros. Em cena de 9 a 18 de janeiro de 2015.

Destaque ainda para a nova produção da casa, com estreia mundial agendada para 11 de março e que estará em cena até 27 de março, Dia Mundial do Teatro. A peça “O fim das possibilidades” parte do texto de Jean-Pierre Sarrazac e tem encenação de Nuno Carinhas, diretor artístico do TNSJ, e de Fernando Mora Ramos, diretor artístico do Teatro da Rainha.

Nova ementa TeCA e TNSJ

Janeiro traz petiscos do chef Rui Paula aos teatros. ©Susana Neves / divulgação

Para além das artes cénicas, o TNSJ tem uma novidade gastronómica. O chef Rui Paula, que recentemente assumiu um novo desafio com a gestão da Casa de Chá da Boa Nova, idealizada por Siza Vieira, em Leça da Palmeira, criou um carta especial para os bares do TNSJ e do Teatro Carlos Alberto.

No menu há cinco petiscos para degustar: cracker com caviar de beringela, com cogumelo shimeji e queijo de São Jorge; mini- hambúrgueres de salmão e leitão; cracker com chutney de cebola roxa caramelizada e queijo fresco; lírio fumado em baguete de azeitona e vinagreta de trufa; e rosbife com molho tunato em tosta sêmea e cebola caramelizada. O menu está disponível nas noites de quarta-feira a sábado, uma hora antes e uma hora depois dos espetáculos em cena. O preço da dose individual dos petiscos é de cinco euros.