Em qualquer aposta há sempre um elemento de risco, mas quando toca aos Óscares, já há bastante tempo que esse elemento, tal como o da surpresa, deixou praticamente de ser relevante. Ano após ano, os vencedores das principais categorias são quase todos monotonamente previsíveis, tal como a cerimónia de entrega em si, espartilhada num formato do qual parece não haver saída, e que se arrasta durante horas, acabando por “engolir” o apresentador mais dinâmico, mais atarefado, mas bem municiado de piadas.

Joguemos o jogo, no entanto. Nas categorias de Melhor Realizador e Melhor Filme, a coisa deverá ficar resolvida entre “Birdman”, de Alejandro González Iñárritu, e “Boyhood-Momentos de uma Vida”, de Richard Linklater, que nem por acaso dividiram, este fim-de-semana, os respectivos prémios nos Independent Spirit Awards (“Birdman” foi Melhor Filme, Linklater foi Melhor Realizador).

O Óscar de Melhor Actor já está apontado a Michael Keaton, por “Birdman” (que também ganhou na mesma categoria nos Independent Spirit Awards), com os britânicos Benedict Cumberbatch (“O Jogo da Imitação”) e Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”) também a espreitar a estatueta. Mas Keaton é o favorito, porque é um papel de “comeback”, e Hollywood pela-se por regressos das cinzas ou do esquecimento.

Em Melhor Actriz, Julianne Moore deverá ganhar por “O Meu Nome é Alice”, aproveitando a tendência crónica da Academia para premiar interpretações relacionadas com doenças terminais ou deficiências (Moore venceu também nos Independent Spirit Awards).

Nos Secundários, Patricia Arquette (“Boyhood”) e J.K. Simmons (“Whiplash”) deverão repetir – mais uma vez! – os respectivos triunfos na premiação do cinema independente. Os Óscares de Melhor Argumento Original e Adaptado deverão ser dirimidos, o primeiro entre “Birdman” e “Boyhood”, o segundo entre “Sniper Americano”, “O Jogo da Imitação” e “A Teoria de Tudo”.

Quanto à categoria de Melhor Filme Estrangeiro, a vitória estará ou a Leste (“Ida”, do polaco Pawel Pawlikowski, “Leviatã”, do russo Andrei Zvyagintsev), ou ser orientada pelo sentimento anti-fundamentalismo islâmico (“Timbuktu”, do mauritano Abderrahmane Sissako, o grande triunfador dos Césares franceses).