Guardar informação num computador ou saber que, se quisermos recorrer a ela, a encontraremos algures na internet faz com que as pessoas deixem de treinar a memória acabando por debilitar esta faculdade essencial? A questão tem sido objeto de discussão e já houve investigadores, como Susan Greenfield, que garantiram que as pessoas que não “internalizam” qualquer informação têm uma memória mais fraca, recorda o Business Insider.

A tese foi contestada com um argumento simples: o mesmo poderia suceder no caso de pessoas que decidissem escrever uma informação à mão num papel para mais tarde poderem servir-se dela. Um novo estudo, realizado por dois investigadores da Universidade da Califórnia, defende um ponto de vista diferente e até conclui que a internet pode ajudar quem a utiliza a melhorar as suas capacidades. Benjamin Storm e Sean Stone garantem que o facto de as pessoas poderem esquecer uma informação que sabem estar guardada algures pode trazer vantagens, ao libertar recursos cognitivos para se conseguir absorver melhor nova informação.

Para chegarem a esta conclusão, os dois investigadores basearam-se numa experiência que realizaram com estudantes. Para começar, pediram-lhes que estudassem uma lista de dez palavras armazenadas num ficheiro de um computador, alertando-os de que seriam alvo, posteriormente, de um teste de memória. Depois, apresentaram-lhes uma segunda lista de palavras. Deixaram passar 20 segundos e, de seguida, fizeram o teste relativo à esta última lista.

O que sucedeu? Os investigadores descobriram, segundo descreve o Business Insider, que os estudantes conseguiam um desempenho melhor quando tentavam recordar a segunda lista sempre que lhes era dada a possibilidade de guardarem a primeira num computador. A segurança de saberem que poderiam aceder às palavras da lista inicial fazia com que a esquecessem deliberadamente, o que lhes permitia concentrar as suas capacidades intelectuais na segunda lista.

A experiência possibilitou chegar a outra conclusão. De cada vez que o processo de guardar a informação da primeira lista num computador era “sabotado” e o respetivo ficheiro se tornava inacessível, os estudantes tinham mais dificuldades em recordar a segunda lista. A situação já não sucedia quando a informação inicial não ultrapassava duas palavras. Neste caso, guardá-la num computador tornava-se indiferente quando o desafio era o de recordar a segunda lista. Afinal, a internet, e a vasta quantidade de informação que coloca à nossa disposição dispensando-nos de a decorar, pode tornar-nos mais inteligentes, concluíram os investigadores.