A obra “Maria Madalena”, de Josefa de Óbidos, do Museu Machado de Castro, em Coimbra, é muito diversa de outra de igual nome, da mesma pintora, que um lusodescendente vai doar ao Louvre, segundo a conservadora do museu português.

“É muito gratificante ver outra ‘Maria Madalena’, em êxtase, amparada por anjos, com toda esta luz, com toda esta força”, comentou Virgínia Gomes, conservadora das coleções de pintura do Museu Nacional Machado de Castro, onde se encontra outra “Maria Madalena”, também de Josefa de Óbidos, com um “tratamento de luz diferente”, apesar de a mensagem “parecer a mesma”.

Na peça presente no Machado de Castro, uma pintura a óleo sobre cobre de cerca de 1650, Maria Madalena surge “só, em meditação e recolhimento, numa gruta, com a luz da candeia a incidir sobre ela e sobre o seu arrependimento”, com “tudo escuro em volta”, sublinhou à Lusa a conservadora, frisando que a peça tem “o duplo interesse” de ser assinada pela pintora, no canto inferior direito, e ser visível nas costas das chapas de cobre o nome “Baltazar Gomes Figueira”, pai e mestre de Josefa de Óbidos.

A obra, que vai para o Louvre, em Paris, vai ainda estar na exposição dedicada a Josefa de Óbidos, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, que é inaugurada e onde vão estar três das quatro peças da pintora que pertencem ao acervo do Museu Nacional Machado de Castro (MNMC).

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Apesar de apenas ainda ter visto representações digitais da peça que ruma para o museu francês, a conservadora do MNMC realça que esta tem “um tratamento de luz muito semelhante” a uma outra obra da artista, presente no Machado de Castro, intitulada “Lactação de São Bernardo”.

Josefa de Óbidos “consegue internacionalizar” a pintura do século XVII, sublinhou Virgínia Gomes, considerando ser “importante” que os pintores portugueses “sejam reconhecidos lá fora”.

“Orgulha-nos”, frisou.

O lusodescendente Filipe Mendes comprou um quadro de Josefa de Óbidos num leilão da Sothebys, em Nova Iorque, e doou-o ao Museu do Louvre, em Paris, onde ficará quando terminar, em Lisboa, a exposição dedicada à pintora portuguesa.

Intitulada “Maria Madalena”, a obra foi arrematada em janeiro deste ano num leilão internacional, por 269 mil dólares (238.615 euros), por Filipe Mendes, que possui uma galeria de pintura antiga em Paris.

De acordo com o galerista português – emigrado em França desde os 14 anos, onde estudou História da Arte e Direito – atualmente existem apenas duas obras de pintura portuguesa no Louvre: uma natureza morta, criada por Baltazar Gomes Figueira (1604-1674), pai de Josefa de Óbidos e seu mestre, que se encontra exposta nas salas de pintura espanhola, e outra de Domingos Sequeira (1768-1837), que não se encontra patente ao público.

“O Louvre aceitou a doação, e a pintura de Josefa de Óbidos vai ficar exposta junto à do pai”, disse Filipe Mendes à Lusa, que está a organizar uma celebração da entrada do quadro no museu parisiense, com a colaboração da Embaixada de Portugal em Paris, e a comunidade portuguesa local.