O Banco de Portugal assinou esta semana com a seguradora Fidelidade, a quem vai comprar o edifício para a nova sede em Entrecampos, em Lisboa, um aditamento ao acordo que foi celebrado nas últimas semanas em que Mário Centeno foi governador: em vez de comprar dois edifícios naquele empreendimento (chamados A2 e A3), vai comprar só um – o A1 – além de um auditório que ficará no A3. Estima-se uma poupança de 35 milhões de euros em relação ao acordo inicial, com uma perda de 5.000 metros quadrados de área bruta (cerca de metade disso em área útil de escritórios).

Em comunicado do supervisor financeiro, divulgado nesta quinta-feira, lê-se que “esta alteração, que prevê a aquisição do edifício A1, bem como dos espaços de uso comercial adjacentes a este edifício e ao edifício A3, vai permitir uma otimização do projeto em termos de localização, segurança e investimento, sem comprometer os objetivos traçados em 2025”, indica o Banco de Portugal, acrescentando que “a concretização final da transação está prevista para o final do primeiro semestre de 2028“.

Em vez dos 191,99 milhões de euros que o supervisor tinha aceitado pagar pelas futuras instalações (valor que diz respeito ao core & shell, ou seja, o “esqueleto” dos edifícios), o valor no acordo passa a ser de 165,09 milhões. O Banco de Portugal planeia mudar-se para as novas instalações no final do primeiro semestre de 2030, depois de cerca de dois anos em que estará a ser feita a capacitação técnica do edifício (o chamado fit out), algo que deverá fazer o valor total investido pelo Banco de Portugal para 225 milhões de euros (menos 35 milhões do que os cerca de 260 milhões que dantes se estimavam).

Com esta aquisição, o Banco de Portugal concentrará num único edifício os seus serviços, hoje dispersos por quatro localizações em Lisboa – algumas das quais arrendadas. “O Museu do Dinheiro e os serviços de tesouraria e atendimento ao público permanecerão nas instalações do Banco na Baixa de Lisboa, cuja missão de aproximação à comunidade será, assim, aprofundada”, pode ler-se no comunicado do Banco de Portugal.

O imóvel tem uma área bruta de construção de cerca de 27 mil metros quadrados e representará um investimento de 165,09 milhões de euros. A este montante acrescem outros custos, nomeadamente com a prévia preparação técnica do imóvel para a efetiva instalação das equipas do Banco no edifício, estimando-se um valor global de investimento de 225 milhões de euros. Parte significativa deste montante será financiada com o resultado da alienação de património imobiliário do Banco de Portugal”, afirma o Banco de Portugal.

O supervisor financeiro salienta que “o projeto de Entrecampos pretende dar resposta à necessidade de concentrar num único edifício os serviços de escritório do Banco de Portugal, com benefícios para a cultura organizacional, produtividade e multidisciplinaridade das equipas” e acrescenta que “a concentração dos escritórios do Banco numa única localização permitirá, anualmente e em linha com a opção inicial contratada, reduzir custos operacionais num montante estimado superior a 10 milhões de euros”.

A notícia de que o Banco de Portugal queria alterar o projeto da nova sede já tinha sido revelada pelo governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, em julho, quando disse que tinha sido decidido de forma “unânime” no Conselho de Administração procurar uma alteração do projeto para concentrar todas as equipas na capital num só edifício em vez de em dois.

Parte da razão para a revisão do projeto está relacionada com o facto de várias equipas do Banco de Portugal, sobretudo pessoas que estavam no edifício da Almirante Reis, estarem a trabalhar desde a primavera de 2025 num edifício na Avenida Álvaro Pais, conhecido como o edifício Marconi. Essa experiência permitiu perceber que as necessidades de metros quadrados em regime de open space poderiam ser menores do que inicialmente estimado.

Além disso, as necessidades foram, também, revistas tendo em conta o recurso (parcial) ao teletrabalho e tendo, também, em conta o regime de mobilidade regional que o Banco de Portugal lançou e que o atual governador tem impulsionado.

Álvaro Santos Pereira defendeu, em julho, que era possível “melhorar o projeto” acordado durante a governação de Mário Centeno, nas últimas semanas desse mandato, o que gerou polémica a propósito de uma investigação do Observador sobre o acordo feito por Centeno com a Fidelidade.

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