[Este artigo foi publicado originalmente a 18 de dezembro de 2015 e é agora republicado na sequência da morte de Zé Pedro.]

São, provavelmente, a maior banda portuguesa. Aliás, fica o desafio: tente encontrar um português que nunca tenha escutado uma música deles. Agora, com a morte de Zé Pedro, o Observador lembra sete histórias pouco conhecidas da banda.

Antes, veja alguns dos álbuns dos Xutos nesta fotogaleria.

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Iam ter um nome diferente

Antes de serem oficialmente uma banda, eram divagações de café. Gimba, que viria a fundar os Afonsinhos do Condado e os Irmãos Catita, participava nestas tertúlias e, mais tarde, viria a baptizar a banda com o nome pelo qual ficou conhecida. O que poucos sabem é que este nome não foi, de todo, o primeiro. Hoje em dia, em vez de ouvirmos os Xutos & Pontapés podíamos estar a ouvir os Beijinhos & Parabéns.

Tiveram um vocalista diferente

Não é um facto escondido, mas Tim não foi o primeiro vocalista dos Xutos & Pontapés. É certo que, apesar de não ser o primeiro, é aquele que será sempre reconhecido como tal. Originalmente, a formação contava com Zé Leonel, que depois formou os Ex Votos. Foi vocalista de 1979 a 1981 (na altura, Tim era apenas baixista). Acabou por se afastar do grupo e partiu para outros projectos. Morreu em 2011, vítima de cancro no fígado.

Tiveram dificuldades em lançar um disco

Apesar de todo o sucesso alcançado durante a sua carreira, no início foi bastante complicado para a banda lançar um disco. Depois do primeiro, “1978-1982”, que compilava composições desse período, viram três músicas serem banidas pela Renascença, e muitas outras rádios a evitá-los. Como houve várias editoras a não se interessarem por lançar um disco de longa duração, decidiram fazer o álbum por conta própria, com a ajuda do produtor Manuel Cardoso.

Um dos seus maiores êxitos tem um instrumento improvável

Uma linha de sintetizador. É com isso que começa um dos grandes sucessos dos Xutos. Isto não é comum numa banda rock de orientação punk. A música em questão é “Contentores”, do disco Circo de Feras. Talvez fizesse sentido pensar que a origem destes sons electrónicos viesse do produtor do disco, Carlos Maria Trindade, que foi teclista dos Heróis do Mar. Mas a verdade é outra: foi a banda que sugeriu esta estética para a música. Trata-se de um arpeggio, uma escala de notas que é repetida pelo sintetizador. Ou seja: para tocar a introdução de “Contentores” basta pressionar uma tecla durante muito tempo. Isto não impediu a banda de convidar Carlos Maria Trindade a tocar com eles em alguns concertos. É o mérito de saber carregar na tecla certa.

Estiveram quase a acabar em 1990

Em 1990, a banda gravou “Gritos Mudos” no Rio de Janeiro e, depois daqueles dias solarengos, veio a trovoada. Descobriram que tinham sido atraiçoados pelo empresário da altura e, para além disso, lançaram o primeiro disco que não teve o sucesso dos anteriores. O grupo separou-se e avançou para outros projectos. Nessa altura, Kalu e Zé Pedro abriram aquele que se viria a tornar um clube clássico da noite lisboeta, o Johnny Guitar. Para além disso também tocaram com membros dos Radio Macau na banda de Jorge Palma. Tim participou no supergrupo Resistência, que tocava versões acústicas dos maiores sucessos das bandas dos seus membros. Mais tarde, em 1992, decidiram dar mais uma oportunidade aos Xutos e conseguiram voltar a chegar aos tops.

Têm filhos músicos

Os Xutos & Pontapés já têm idade suficiente para serem avós (e Kalú é mesmo). Por isso, os filhos deles são mais do que emancipados. E alguns decidiram ser músicos. O mais famoso é o filho de Kalú — Fred é um dos bateristas mais requisitados da música contemporânea portuguesa. Toca e tocou em inúmeras bandas, como os Yellow W Van, Orelha Negra, Buraka Som Sistema ou Banda do Mar. Já Sensi, irmão de Fred, move-se pelo mundo do hip hop. Dois filhos de Tim também estão ligados à música: Sebastião Santos toca bateria nos Moe’s Implosion e o irmão, Vicente, que toca sintetizadores frequentemente enquanto convidado desta banda, faz parte dos Miss Titan. O filho de Gui — Miguel Abelaira — tem uma banda que é presença assídua em festivais de verão, os Quelle Dead Gazelle.

Manuela Eanes é fã deles

Da atitude anti-social do punk até serem uma das bandas portuguesas mais conhecidas foram quase 40 anos. E é normal que os Xutos tenham vários fãs famosos. Muitos deles deixaram testemunho no livro Aqui Xutos e Pontapés, de Rolando Rebelo. Além de ser um fã, em 1988 Tony Carreira abriu um concerto para a banda. Mas há mais surpresas na lista de seguidores dos Xutos: Francisco Pinto Balsemão, por exemplo. E a antiga primeira-dama Manuela Eanes, mulher de Ramalho Eanes.