Há jogos que podemos analisar e dar uma opinião só de ver. Poderia analisar o de The Order: 1886 sem tocar num comando, ou até Grim Fandango sentado ao lado de quem movimenta o rato enquanto tiro notas, mas num jogo como LEGO Marvel’s Avengers é necessário meter as mãos nos tijolos.

A Traveller’s Tales leva-nos a encarnar mais uma vez os blocos de plástico mais divertidos do mundo com os poderes mais destrutivos de sempre e, como um amante da LEGO, posso dizer que há várias maneiras de avaliar esta aventura.

Iron Man

Mais do mesmo ou em equipa que ganha não se mexe?

17 em 10! 17 jogos em 10 anos, desde 2005 lançaram Star Wars, Star Wars II, Indiana Jones, Batman, Indiana Jones 2, Harry Potter, Star Wars III, Pirates of the Caribbean, Harry Potter, Batman 2, Lord of the Rings, Marvel Super Heroes, Lego Movie, The Hobbit, Batman 3, Jurassic World e Dimensions, em 2016 iniciando o seu décimo primeiro ano, é lançado Marvel’s Avengers, que em tudo é igual aos outros. Isto não é uma crítica, mas apenas uma observação. Tendo jogado o primeiro Star Wars e este último Avengers, existem várias melhorias (e não é só a nível gráfico): a jogabilidade é mais fluida, alguns dos puzzles são mais complexos, as piadas são geniais (mais sobre isto mais à frente). Contudo é quase sempre o mesmo jogo, muda-se a equipa, as vozes e o tema no geral, mas o essencial permanece inalterado.

“É sempre o mesmo jogo”, dizemos, e isso é mau? Não. Há uma razão para a TT continuar a lançar “o mesmo jogo”, mais do que uma vez por ano, e cair na formula mainstream de repetir os êxitos. Se olharmos para o público-alvo dos seus jogos não importa que sejam todos iguais. Nós não queremos saber. Sim, nós, trintões e quarentões que compram os jogos e figuras e conjuntos da LEGO, e muitas vezes nem nos damos ao trabalho de justificar que é para jogar com filhos, sobrinhos e primos. Fazemo-lo mesmo porque gostamos, tanto dos brinquedos dos mundos recriados em videojogo.

Hulk (Age of Ultron)

O que é LEGO Marvel’s Avengers?

Neste título da TT, controlamos a equipa de super-heróis no enredo dos seus filmes, começando no primeiro The Avengers (de 2012), dando uma rápida passagem por Captain America: Winter Soldier (de 2014), Thor: The Dark World (de 2013), Iron Man 3 (de 2013) e terminando em Avengers: Age of Ultron (de 2015). O jogo consiste em completar uma série de missões trazidas de algumas das cenas mais emblemáticas dos diversos filmes com todo o elenco do universo cinemático da Marvel. Algo que é necessário apontar a quem vai “entrar” nos jogos da LEGO pela primeira vez, é que estes estão feitos para serem jogado várias vezes. Na passagem inicial há várias zonas que são inacessíveis e é necessário jogar várias vezes para utilizar os diversos personagens que vamos “encontrando” ao longo do jogo, que com as suas habilidades especiais conseguem aceder a novas áreas. Portanto, há aqui um grande valor de repetição e de horas de jogo, especialmente porque podemos jogar e rejogar este jogo a dois, dividindo toda a diversão simples com diversos elementos da família.

A questão final é: Vale a pena?

Existem vários pontos altos neste jogo como a jogabilidade, que é bastante simples e que permite que qualquer pessoa dos 5 aos 95 consiga pegar num comando e, ao fim de alguns segundos, entender a dinâmica do mesmo e partir tudo o que é bloco para agarrar pecinhas de LEGO (que são o dinheiro do jogo). Os jogos da LEGO (e este Avengers não é exceção) são uma ótima forma de descontrair, porque apesar de estarmos a jogar com heróis, provocamos uma maior destruição do cenário (quase integralmente constituído por construções LEGO) do que os vilões da história.

NYC 10

A comédia física é uma constante nos jogos da Lego, desde as piadas mais subtis às mais frontais: o jogo está cheio de referências aos fãs dos filmes. Ver o Nick Fury entregar um bilhete de férias para o Tahiti ao Agent Coulson ou o Hulk a tirar selfies depois de fazer parar uma criatura gigante são momentos memoráveis em todo o jogo. Colecionar todos os personagens, andar pelos céus como o Iron Man, e tantos outros elementos de pura diversão são tudo fatores que tornam um jogo que podia ser repetitivo e monótono, num grande entretenimento familiar.

No fundo, porque há dois tipos de pessoas no mundo. As que gostam de LEGO, e as que não têm alma ou coração. Porque, a sério, como é que é possível não gostar de LEGO?

João Machado, Rubber Chicken