O título é “Leaving Neverland” e trata-se de um documentário dividido em duas partes, cuja estreia está agendada para 25 de janeiro no festival de cinema de Sundance, que começa em Park City, no estado americano do Utah, um dia antes, a 24 de janeiro. As primeiras notícias sobre o filme revelam que o realizador Dan Reed acompanhou o dia a dia de dois homens, agora na casa dos 30 anos, que dizem ter sido sexualmente abusados nos anos 90 por Michael Jackson, quando tinham entre 7 e 10 anos.

Dan Reed é o autor de documentários como “The Paedophile Hunter”, de 2014 (sobre o método de Stinson Hunter para desmascarar pedófilos), e “Three Days of Terror”, de 2016 8sobre os ataques ao jornal Charlie Hebdo). Em “Leaving Neverland” apresenta um total de 233 minutos de declarações e imagens de arquivo, mas para já não revela as identidades dos alegados abusados.

Em 2005, Michael Jackson foi absolvido em tribunal das queixas de abuso sexual de menores de que foi alvo, depois de um julgamento mediático. O caso debruçava-se sobre a denúncia de Gavin Arvizo, que dizia ter sido abusado depois de Jackson lhe ter administrado “um agente intoxicante”. Quase uma década antes, já o músico tinah sido alvo de uma outra polémica, depois de em 1994 ter chegado a um acordo extra-judicial com a família de Jordan Chandler, uma criança de 13 anos que afirmava ter sido molestada sexualmente.

Entre 2013 e 2014, outras duas queixas foram apresentadas, por Wade Robson e James Safechuck, mas os casos acabaram por ser arquivados. Os representantes de Michael Jackson já comentaram a notícia da estreia do documentário “Leaving Neverland”, numa nota enviada ao site americano Pitchfork:

“Esta é mais uma tentativa patética de explorar Michael Jackson e de faturar à conta dele. Wade Robson e James Safechuck testemunharam, sob juramento, que Michael nunca lhes fez nada de inapropriado. Safechuck e Robson, este último um auto proclamado ‘mestre da mentira’, apresentaram queixas em tribunal reclamando milhões de dólares. Essas queixas acabaram por não dar em nada. Este ‘documentário’ é um reaproveitar de alegações datadas e desacreditadas. É incompreensível que um realizador credível esteja envolvido neste projeto”

Em 2019 assinalam-se os dez anos da morte de Michael Jackson. O rei da pop enyrou em paragem respiratória a 25 de junho de 2009, enquanto tentava adormecer sob o cuidado do seu médico pessoal, Conrad Murray, que tinha administrado o fármaco que motivou a morte do músico, Propofol, uma droga habitualmente usada apenas em ambiente hospitalar controlado. Murray haveria de ser condenado a quatro anos de prisão por homicídio involuntário. Saiu em liberdade condicional ao fim de dois anos.