Mahatma Gandhi (1869-1948) é o primeiro a ser desmascarado: “racista, belicista e pedófilo”, escrevem, em modo de resumo, os jornalistas Malcolm Otero e Santi Giméneza na abertura do capítulo dedicado ao pacifista indiano.

“Já é tempo de desfazer um dos maiores mitos da história do século XX. Uma das figuras mais irrepreensíveis e admiradas em todo o mundo, exemplo máximo da concórdia, da paz, do pacifismo e do amor entre os povos, e cuja memória e figura tanto servem para justificar uma ideia política como para dar nome a um restaurante. De uma fez por todas, descobriremos o que se esconde por detrás dos trapos de Gandhi”, continuam os autores de “O Clube dos Execráveis, o lado obscuro dos personagens mais idolatrados da humanidade” (ainda sem edição em português).

Ao todo, são 45 as figuras — todas mortas — denunciadas no livro, que surge como uma continuação da rubrica radiofónica apresentada pelos autores na catalã RAC 1. A premissa: apesar do que aparentemente se convencionou, nem todos os falecidos são bons — nem mesmo aqueles que durante anos (ou décadas) têm sido idolatrados e dados como exemplos de bondade ou genialidade.

Voltemos a Gandhi: segundo Otero e Giménez, o indiano terá escrito, nos tempos em que trabalhou como advogado na África do Sul, que a raça branca deveria ser a “predominante” naquele país; e que “os europeus tentam colocar os indianos ao nível dos negros, que a única coisa que sabem fazer é caçar e cuja única ambição é ter gado suficiente para comprar uma mulher”.

Como se não bastasse, também de acordo com os jornalistas espanhóis, já na fase final da vida o indiano-símbolo de paz terá ainda sido acusado de dormir com raparigas nuas, incluindo com a mulher de um dos seus sobrinhos, na altura com apenas 17 anos. Segundo o El País, que escreveu sobre o livro, o próprio Gandhi referir-se-ia a estes episódios como uma forma de colocar à prova a sua própria castidade.

Eis o que Malcolm Otero e Santi Giménez escreveram sobre outras cinco figuras figuras que se convencionou adorar, mas que afinal são tudo menos consensuais.

James Joyce (1882-1941)

O autor de Ulisses, garantem os jornalistas espanhóis, “era extremamente ciumento e humilhava constantemente a mulher, Nora Barnacle”. Prova disso serão as missivas enviadas pelo irlandês, compiladas em 1957 no livro “Cartas Escolhidas”, em que tanto trata a mulher de forma apaixonada e carinhosa, como lhe chama “pessoa ridícula”.

Elvis Presley (1935-1977)

“Elvis era um ser instável que passava o tempo que estava em rodagem drogado. Era viciado em anfetaminas e cocaína, que lhe permitiam manter o ritmo de trabalho, e em soníferos, que o ajudavam a dormir, apesar de todo o cocktail que metia no corpo”, dizem os espanhóis sobre o eterno rei do rock (que muitos acreditam que não está sequer morto).

Steve McQueen (1930-1980)

Será sempre um dos atores mais famosos do mundo, no seu tempo tornou-se no mais bem pago, foi seguramente também um dos mais assediados — para a posteridade ficou conhecido como “King of Cool”. Claro que vem aí um “mas”: “McQueen queria triunfar a qualquer custo e saía das rodagens sem amigos. Tinha a habilidade de transformar qualquer filme num inferno. Mas o pior era McQueen como pessoa. Estava muito agarrado ao peyote, à marijuana e à cocaína e traía a primeira mulher, Neile Adams”, acusam os autores do livro.

Albert Einstein (1879-1955)

É celebrado como uma das maiores sumidades da história, sinónimo de cérebro e de inteligência, mas, avisam os autores de “O Clube dos Execráveis”, “por detrás da sua cara de avô adorável escondia-se um homem frio, um marido agressivo e um misógino”, que tanto foi capaz de formular as mais intrincadas teorias como de proferir dislates como estes: “Muito poucas mulheres são criativas. Não enviaria a minha filha para estudar Física. Estou satisfeito por a minha nova mulher não saber nada sobre ciência”.

Madre Teresa de Calcutá (1919-1997)

Agnes Gonxha Bojaxhiu (assim se chamava a religiosa mais famosa da história, naturalizada indiana) dedicou a vida a ajudar os mais necessitados — e foi distinguida com o Nobel da Paz e canonizada por isso mesmo. Mas afinal, garantem Otero e Giménez, as suas missões eram “casas de morte” e os valores que defendia não seriam tão católicos assim. “Teresa de Calcutá acreditava que o sofrimento dos pobres era necessário, só aceitava o divórcio quando acontecia nas casas reais e adorava o dinheiro dos ricos”, acusam os jornalistas espanhóis.