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Gulbenkian celebra 150 anos do fundador com exposição sobre arte islâmica

"O Gosto pela Arte Islâmica" é o título da exposição que visa celebrar os 150 anos do fundador, e que vai estar desde 12 de julho até 7 de outubro na galeria principal da Fundação Gulbenkian.

Nascido em 23 de março de 1869, em Istambul, a então Constantinopla, Gulbenkian morreu em 20 de julho de 1955, em Lisboa

Manuel Almeida/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Obras do colecionador Calouste Gulbenkian, do Museu do Louvre e do Metropolitan Museum of Art, entre outras, vão estar reunidas a partir de 12 de julho, em Lisboa, numa exposição sobre o gosto pela arte islâmica do mecenas arménio.

“O Gosto pela Arte Islâmica” é o título desta mostra que visa celebrar, na sede da fundação, em Lisboa, os 150 anos do nascimento do fundador, e que ficará até 7 de outubro na galeria principal da Fundação Gulbenkian.

Além de peças cedidas pelo Museu do Louvre, em Paris, e do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, também o Victoria & Albert Museum, de Londres, estará representado, entre outras coleções internacionais.

A exposição terá curadoria de Jessica Hallett, uma das responsáveis pelo núcleo islâmico do Museu Gulbenkian, que selecionou as peças ligadas a este gosto do fundador, nascido no Império Otomano, educado na Europa, e que, ao longo da vida, conviveu com diferentes culturas, do Oriente e do Ocidente.

Os 150 anos do nascimento do colecionador, empresário e filantropo arménio Calouste Sarkis Gulbenkian, estão a ser alvo de um programa de celebrações que incluem várias iniciativas, entre elas uma exposição sobre a sua vida e obra, que está patente desde março, intitulada “Calouste: uma vida, não uma exposição”.

Nascido em 23 de março de 1869, em Istambul, a então Constantinopla, Gulbenkian morreu em 20 de julho de 1955, em Lisboa, depois de uma vida a percorrer o mundo, atravessando as duas grandes guerras mundiais.

Diplomata, homem de negócios, nomeadamente na área petrolífera, Calouste Sarkis Gulbenkian foi também filantropo e colecionador de arte, que acabaria por fixar-se em Lisboa, onde encontrou refúgio da segunda Guerra Mundial.

Devido à sua atividade como empresário, na área da indústria petrolífera, a região do Médio Oriente ocupou um lugar central no seu percurso profissional e teve impacto na escolha das peças de arte que adquiriu.

Esta nova exposição sobre o gosto pela arte islâmica lança um novo olhar sobre a sua coleção à luz da situação geopolítica em que as obras foram adquiridas: o declínio do Império Otomano, o colonialismo e as duas Guerras Mundiais, recorda a fundação em nome do empresário e mecenas arménio.

A partir da coleção de arte, dos livros e dos arquivos de Calouste Gulbenkian, bem como de alguns empréstimos-chave internacionais, esta exposição “aprofunda as relações entre o colecionismo e a ´Realpolitik´, identificando as notáveis sinergias entre as atividades colecionistas de Gulbenkian entre 1900 e 1930 e o conceito de ‘Arte Islâmica’, que ganhou forma nesta época, estimulando a criação de novos estilos artísticos e de novas formas de arte na Europa”.

O fascínio de Gulbenkian pela arte persa, síria e turca foi “partilhado por outros colecionadores, como Jean Paul Getty e John D. Rockefeller Jr., que também faziam a sua fortuna na extração petrolífera e que rivalizaram entre si na procura de peças”.

No mesmo dia, a Gulbenkian abre ao público a exposição “Sarah Affonso e a arte Popular do Minho”, com curadoria de Ana Vasconcelos, que também ficará patente até outubro, na galeria do piso inferior.

Criada para assinalar o 120.º aniversário do nascimento de Sarah Affonso (1899-1983), o Museu Gulbenkian apresenta uma exposição dedicada à pintora modernista conhecida sobretudo como a mulher de Almada Negreiros, “com uma obra pouco conhecida e raramente exposta”, assinala.

Esta exposição reúne obras de pintura, desenho, bordado e cerâmica, inspiradas na iconografia popular do Minho, região que marcou fortemente a artista desde a infância e adolescência em Viana do Castelo, entre 1904 e 1915.

Apesar de o retrato ter sido muito importante no início da carreira de Sarah Affonso, são as suas composições inspiradas na iconografia do Minho, no artesanato, nas procissões, feiras e romarias, que constituem o conjunto de pinturas mais conhecido da sua obra, realizado a partir de 1936 e exposto com muito sucesso em 1939.

“Diversos aspetos do vernáculo minhoto incorporam os seus trabalhos, embora filtrados por um olhar urbano e por uma extensa aprendizagem artística. Sarah Affonso decide interromper a sua carreira como pintora a partir destes anos, mantendo atividade artística noutros suportes”, assinala a Gulbenkian num texto sobre a exposição.

As obras de Sarah Affonso serão mostradas ao lado de objetos de cerâmica, têxteis ou ourivesaria, que formam parte do léxico visual que a inspirou, e onde se incluem empréstimos de diversos museus e colecionadores portugueses.

O Museu Calouste Gulbenkian associa-se ao Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, que também assinala este aniversário com uma exposição sobre a artista, a inaugurar em setembro deste ano.

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