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Julian Assange

Empresa de segurança espiava Julian Assange diariamente na embaixada do Equador

Diariamente, uma equipa vigiava os movimentos do fundador da Wikileaks e os que o iam visitar à embaixada em Londres. Depois, era feito um relatório. Equipa foi contratada pelo governo equatoriano.

Julian Assange esteve sete anos em asilo na embaixada do Equador em Londres e foi detido no dia 11 de abril deste ano, depois de o Equador cancelar o asilo que lhe deu

Getty Images

Julian Assange, fundador do Wikileaks, foi espiado diariamente nos anos em que esteve asilado na embaixada do Equador em Londres. A notícia é avançada pelo El País, que teve acesso a documentos, vídeos e áudios captados por uma empresa espanhola de defesa e segurança, a Undercover Global SL, com o objetivo de recolher toda a informação possível sobre o jornalista no seu contacto com advogados e colaboradores.

Segundo a investigação do jornal espanhol, várias câmaras com áudio gravaram as dezenas de conversas entre o fundador da Wikileaks e os seus advogados e visitantes. Os aparelhos serviam para monitorizar todos os movimentos do jornalista, registar as suas conversas e perceber o seu estado de espírito diariamente, conseguindo também descobrir alguns dos segredos que o jornalista poderia estar a esconder.

Mas os detalhes não se ficavam pelos vídeos. Todos os dias, a equipa de segurança da empresa espanhola sediada em Puerto Real escrevia uma espécie de relatório confidencial que enviava a David Morales, um ex-oficial militar treinado na Unidade de Operações Especiais da Infantaria Marinha. A atividade desta empresa intensificou-se durante o governo de Lenín Moreno, que recentemente entregou o ativista às autoridades britânicas. O seu antecessor Rafael Correa foi quem deu asilo ao jornalista.

“Muita emoção e nervosismo no hospede [apelido atribuído a Assange] após a comunicação do perdão a Mannig [a antiga militar norte-americana que estava acusada de vazar documentos secretos na Wikileaks]”, lê-se no relatório elaborado a 17 de janeiro de 2017. “Julian está a contribuir com muita informação. O convidado não pára de escrever no seu diário. A tensão sente-se na sala. O convidado cobre sempre a sua agenda com as mãos. Stella olha pela porta do quarto pensando que pode estar alguém a ouvir”, escreveram os seguranças quando Walaman Adam Robert visitou Assange na embaixada, a 12 de janeiro de 2017.

Julian Assange esteve sete anos em asilo na embaixada do Equador em Londres e foi detido no dia 11 de abril deste ano, depois de o Equador cancelar o asilo que lhe deu. Em maio deste ano, o jornalista foi condenado a 50 semanas de prisão por ter violado as condições da medida de coação de liberdade condicional que lhe foi aplicada em 2012, quando não se apresentou em tribunal e, em vez disso, pediu asilo político ao Equador para evitar a extradição para a Suécia.

No momento em que Assange era detido, o presidente do Equador, Lenín Moreno, publicava no seu Twitter um vídeo a explicar que o país “decidiu soberanamente retirar o asilo diplomático a Julian Assange por violar reiteradamente convenções internacionais e o protocolo de convivência.

Mas, revela o El País, se os vigilantes estavam obcecados em vigiar Assange na embaixada, também o jornalista vivia a pensar na ideia de estar a ser espiado. Por isso, cada vez que se reunia com os seus advogados e visitantes, o encontro não começava sem que Assange ligasse um aparelho oculto que distorcia as vozes. Mas isso não impedia que a câmara conseguisse gravar as conversas. E mais: sempre que o jornalista escrevia alguma coisa no seu caderno, colocava a mão por cima para que não se percebesse o que estaria a escrever.

Muitas vezes, Assange levava também alguns dos seus visitantes para o quarto de banho das senhoras, um lugar que considerava mais seguro. Ao El País, David Morales, dono e diretor da empresa espanhola, recusou responder se a sua empresa espiava Assange. “Toda a informação é confidencial e pertence ao governo equatoriano. A nossa empresa foi subcontratada pelo governo do Equador. Apenas nos limitamos a realizar um trabalho. Não posso comentar nada do que fizemos lá, não posso dar nenhum detalhe”, afirmou ao jornal, garantindo que nenhuma das “normas éticas e morais” da empresa foram quebradas.

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