Momentos-chave
- 293 votos deixam Boris Johnson longe dos dois terços
- Governo diz que parlamento pede quantidade "desproporcional" de informações privadas
- Moção aprovada. Parlamento pede a Governo que divulgue mensagens e documentos sobre decisão de suspender o parlamento
- Comité parlamentar quer ouvir Boris Johnson na quarta-feira, independentemente da suspensão
- Ex-conservador diz que recebeu de "fontes do Governo" informações sobre suspensão do parlamento que "cheiram a escândalo"
- Bercow admite debates de emergência sobre o Brexit
Histórico de atualizações
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Parlamento suspenso, eleições nunca antes de novembro
O parlamento britânico está agora oficialmente suspenso. E não haverá eleições antes de novembro — já depois do Conselho Europeu.
O João Francisco Gomes resumiu os momentos mais importantes do dia e explica as consequências que cada um pode ter — ou não ter.
Boris Johnson perde (outra vez) e o parlamento é suspenso debaixo de gritos de “vergonha”
Obrigada por nos ter acompanhado! Boa noite.
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"Vergonha!" Deputados voltam a protestar contra a suspensão do parlamento
Enquanto um John Bercow visivelmente furioso lê aos deputados o texto que confirma a suspensão do parlamento, ouvem-se, de novo, gritos de “vergonha” vindos dos deputados da oposição. Depois, Jeremy Corbyn é o primeiro a cumprimentar o speaker, na despedida para as próximas 5 semanas.
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Deputados da oposição estão a cantar na Câmara dos Comuns
A Sky News relata que alguns deputados dos partidos da oposição continuam na Câmara dos Comuns, mas estiveram a cantar em protesto contra a suspensão do parlamento. E agora que entra John Bercow, aplaudem o speaker, que diz: “Sinto-me mais em casa aqui”, depois de ter regressado da Câmara dos Lordes.
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Bercow: "Esta não é uma suspensão normal". Deputados gritam "vergonha"
A maioria dos deputados da oposição decidiram boicotar a cerimónia, permanecendo na Câmara dos Comuns em vez de seguirem para a Câmara dos Lordes, como seria suposto. E foram gritando “vergonha!”, à medida que o cortejo avançava.
A cerimónia também ficou marcada por um discurso inesperado — e pouco comum nestes momentos — por parte do speaker. John Bercow quis falar aos deputados para dizer que cumpria a decisão da rainha, aconselhada pelo primeiro-ministro, mas não queria deixar de dizer que esta “não é uma suspensão normal”, juntando-se, assim, às críticas da oposição.
Quando foi contestado por deputados conservadores, voltou a gritar com um deles, dizendo que não tinha qualquer interesse em saber se ele tinha gostado ou não do que tinha dito: “I couldn’t give a flying flamingo about that”.
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Escaramuça no parlamento durante cerimónia de suspensão
As imagens transmitidas pela Câmara dos Comuns mostraram um momento em que parece haver uma altercação entre duas pessoas, junto ao speaker John Bercow, que tiveram de ser separadas. Não permitiram, ainda assim, perceber exatamente o que aconteceu.
Esta fotografia, entretanto publicada no Twitter, mostra que, naquela altura, alguns deputados trabalhistas mostravam cartazes com a palavra “silenciados”.
— Rosie Duffield MP (@RosieDuffield1) September 10, 2019
Um deles foi, depois, deixado na cadeira do speaker John Bercow, quando a cerimónia seguiu para a Câmara dos Lordes.
“Silent acquiescence in the face of tyranny is no better than outright agreement.”#OurParliamentSilenced pic.twitter.com/DxlVXXWWjR
— Clive Lewis MP (@labourlewis) September 10, 2019
Ainda antes, a pessoa que conduzia a cerimónia foi recebida com gritos de “não!”, quando anunciou que a suspensão era o cumprimento da vontade da Câmara.
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Na agenda da sessão de hoje no parlamento estava ainda previsto um outro debate sobre um projeto de energia solar, mas foi cancelado. A sessão foi interrompida por alguns momentos para serem feitos os preparativos para a cerimónia de suspensão do parlamento durante as próximas cinco semanas.
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Eleições antecipadas só em novembro
Os resultados desta votação fazem com que o Reino Unido não vá a eleições antes de novembro, já depois do prazo de 31 de outubro, no qual Boris Johnson garante que vai cumprir o Brexit.
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Corbyn: "Este Governo é uma vergonha. A forma como o PM age é uma vergonha"
O líder dos trabalhistas voltou a acusar Boris Johnson de suspender o parlamento depois desta votação apenas para evitar o escrutínio do parlamento sobre o que está ou não está a fazer para chegar a um acordo com Bruxelas. Corbyn atacou diretamente o primeiro-ministro: “Este Governo é uma vergonha. A forma como o PM age é uma vergonha”.
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Boris: "Mais uma vez, a oposição acha que sabe mais que o povo"
Na reação aos resultados, Boris Johnson lamentou que, mais uma vez, o parlamento tenha ignorado a vontade dos britânicos, porque a oposição “acha que sabe mais”. “A Câmara dos Comuns não consegue decidir e não deixa que mais ninguém decida”, acrescentou, acusando os deputados de estarem decididos apenas em adiar.
O primeiro-ministro queixa-se de ser colocado na posição de ir a Bruxelas sem poder: “Querem que o PM britânico vá a uma negociação vital sem o poder de se afastar”.
Na primeira declaração depois da derrota, Boris Johnson confirmou ainda que o parlamento estará, agora, suspenso até 15 de outubro, depois do discurso da rainha marcado para o dia anterior. O conservador compromete-se, até lá, a tentar chegar a um acordo — mas também a preparar uma saída sem acordo, se tal for necessário, deixando claro mais uma vez que não irá pedir o adiamento a que a lei o obrigada, num cenário de no deal.
Eu irei àquela cimeira crucial em Bruxelas, a 17 de outubro, e, independentemente de quantas formas este parlamento invente para me atar as mãos, vou lutar para conseguir um acordo que defenda o interesse nacional.”
Adiar de novo a saída é que está fora de questão: “Não permitiremos que o veredito enfático do referendo seja lentamente sufocado”.
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293 votos deixam Boris Johnson longe dos dois terços
A moção recebeu uma maioria esmagadora de votos a favor, mas muito abaixo do que seria necessário para ser aprovada. 293 votaram a favor de eleições antecipadas e apenas 46 votaram contra. Mas Boris Johnson precisava de uma maioria de dois terços entre os 650 deputados — ou seja, de pelo menos 434 votos a favor. Os resultados mostram também que a maioria dos deputados optou pela abstenção.
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Boris Johnson derrotado de novo
Tal como esperado, a moção de Boris Johnson foi derrotada. Para vencer, o PM britânico precisaria do apoio de dois terços dos deputados.
A derrota não é uma surpresa, depois de, na semana passada, a mesma moção ter sido chumbada pelo parlamento britânico. No debate desta segunda-feira, todos os partidos da oposição disseram que voltariam a opor-se ao pedido de eleições antecipadas.
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Começa a votação da moção para eleições antecipadas
Terminou o debate sobre a moção apresentada por Boris Johnson. Os deputados estão agora a votar a favor ou contra a convocação de eleições antecipadas. O primeiro-ministro precisa do apoio de dois terços da Câmara para vencer, mas o debate deixou claro que a derrota é o cenário mais provável.
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À medida que outros deputados — com posições menos destacadas — vão fazendo as suas intervenções, Boris Johnson parece claramente aborrecido. O primeiro-ministro vai revirando os olhos sempre que o criticam e mantém-se de braços cruzados.
https://twitter.com/timjmarshall/status/1171199495150952450
Isso mesmo vai sendo notado no Twitter, onde já começaram os memes sobre esta sessão no parlamento.
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Lib Dem confirma que quer cancelar o Brexit
Questionada por um deputado conservador, a líder do Lib Dem confirmou que, caso consiga uma maioria para governar nas próximas eleições, o partido vai revogar o artigo 50 — retirando, assim, a decisão de saída do Reino Unido da União Europeia. “Nós, os liberais-democratas, somos muito claros: queremos parar o Brexit”, disse Jo Swinson.
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Alan Duncan apela ao regresso dos tories expulsos e diz que Boris caiu numa armadilha kafkiana
Num momento raro, nesta tarde, de moderação no parlamento britânico, o deputado conservador e ex-ministro Alan Duncan apelou ao regresso dos 21 tories que foram expulsos na semana passada, por terem votado a favor do projeto de lei que impôs a proibição de um Brexit sem acordo. Duncan diz que o partido tem o dever de lhes mostrar que podem e devem voltar.
Duncan defendeu ainda que é preciso abolir a regra que exige que o pedido de novas eleições seja apoiado por uma maioria de dois terços. O torie diz que essa regra deixou Boris Johnson numa “armadilha muito, muito kafkiana”: tem muitas dificuldades em governar, mas não consegue convocar eleições antecipadas.
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Blackford: "O SNP quer eleições. Queremos deitar abaixo este Governo"
O porta-voz dos escoceses do SNP confirma que o partido não vai aprovar a moção apresentada por Boris Johnson. “Queremos uma eleição, mas não nos termos do primeiro-ministro”, diz, insistindo que o partido quer “deitar abaixo este Governo” e, depois, manter o Reino Unido — que votou contra o Brexit — na União Europeia.
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Corbyn: "Nós somos o partido responsável nesta sala"
Jeremy Corbyn insiste que Boris Johnson está a fugir do escrutínio do parlamento — e, por isso, decidiu suspendê-lo. E volta a arrancar gargalhadas da oposição, ao dizer que o Labour é “o partido responsável na sala”. Corbyn, porém, não gostou da reação: “Percebo o desespero no Partido Conservador quando tudo o que conseguem fazer é ajustar os microfones do Titanic”, atirou, em referência ao facto de Boris Johnson ter já puxado para si várias vezes o microfone em que faz as intervenções.
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Corbyn: "Não tem mandato para um no-deal, nem uma maioria para isso"
Corbyn fala num problema “muito sério” e diz que o PM está “a fugir do escrutínio” com os seus gritos, mantendo uma saída sem acordo como a sua única resposta. E sublinha que Boris Johnson não tem um mandato para uma saída caótica, nem uma maioria que lhe permita fazê-lo — nem no parlamento nem no país.
O líder trabalhista garante, além disso, que o Labour está “ansioso” por ir a eleições, mas que não arriscará provocar um no-deal desastroso nesse processo.
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Corbyn responde: "Fica claro que não tenciona cumprir a lei"
Chegou a vez da resposta de Jeremy Corbyn aos ataques de Boris Johnson. O líder do Partido Trabalhista diz que o discurso de Johnson é “uma indicação clara” de que o primeiro-ministra não tenciona cumprir a lei que impede a saída da UE sem um acordo, a 31 de outubro.
Acaba, porém, por provocar muitos risos na sala ao dizer que a posição do Labour é “muito clara” — ele que tem sido muito criticado por recusar tomar uma posição clara relativa ao Brexit, como a Cátia Bruno explica neste especial.
Brexit: o dilema de Jeremy Corbyn que pode condenar o Labour “à desgraça”
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"Eu não vou pedir um adiamento do Brexit"
Boris Johnson insiste que não vai pedir um novo adiamento do Brexit. “Estou farto”, disse, provocando um tumulto na Câmara dos Comuns — com alguns deputados a falarem em desrespeito pelo parlamento — e obrigando à intervenção de John Bercow, com pedidos de “ordem!”.