O presidente do Boavista, Vítor Murta, foi constituído arguido na sequência das buscas que foram feitas durante a manhã desta quarta-feira à sede do clube relacionadas com a atividade de Murta. Ao Observador, fonte da PJ confirmou que nesta operação foram constituídos arguidos sete pessoas (incluindo Vítor Murta) e seis empresas.

A mesma fonte revela ao Observador que nem a SAD do Boavista, nem o clube foram constituídos arguidos no caso. Ao contrário do avançado inicialmente, a casa de João Loureiro, antigo presidente do Boavista, não foi alvo de buscas. Loureiro, indica a Polícia Judiciária, não é suspeito e não foi constituído arguido.

A notícia das buscas à sede do clube foi avançada esta manhã pelo Jornal de Notícias e confirmada pelo Observador junto da Polícia Judiciária. Ao que foi possível apurar, elementos daquela polícia e da Autoridade Tributária estiveram nas instalações da SAD do Boavista, no Porto, e também numa empresa de organização de eventos. Já a agência Lusa avança que também Grupo Desportivo da Gafanha, em Ílhavo, foi alvo de buscas.

Fonte da SAD dos axadrezados garantiu ao jornal Record que o Boavista está a colaborar com as autoridades para que tudo fique esclarecido o mais rapidamente possível. “Só mais tarde poderemos abordar o tema com maior clareza”, disse a mesma fonte, assegurando que “ninguém dos quadros do Boavista foi alvo de buscas domiciliárias”.

O presidente do GDG, Carlos Peleja, confirmou que elementos da PJ estiveram nas instalações do clube “a ver a contabilidade entre 2015 e 2017”, que corresponde ao período da direção liderada por João Paulo Ramos. “Não temos nada a esconder. Facultámos toda a informação pretendida”, disse à Lusa, manifestando estar tranquilo. Segundo o mesmo responsável, pelas 13h00, os inspetores ainda se encontravam nas instalações do clube que na época passada desceu ao campeonato distrital da Associação de Futebol de Aveiro.

Em causa estão suspeitas de crime de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. Segundo a PJ, a investigação decorreu através da Diretoria do Norte e em colaboração com a Inspeção Tributária da Direção de Finanças do Porto.”Foram levadas a cabo dez buscas domiciliárias e três buscas não domiciliárias (que incluíram dois escritórios de advogados, duas sociedades anónimas desportivas e dois cofres bancários), realizadas nos  Concelhos de Porto, Vila Nova de Gaia, Guimarães e Aveiro”, esclarece a PJ em comunicado.

De acordo com a mesma nota, em causa estará a não entrega da prestação tributária devida, e a sua subsequente ocultação através do desenvolvimento de atividade empresarial relacionada com a realização e gestão de eventos desportivos.

“Os suspeitos envolvidos serviam-se de diferentes ferramentas, entre os quais a utilização de faturação falsa emitida por empresas nacionais e estrangeiras e a ocultação de proveitos. Para o branqueamento foram usados mecanismos como a aquisição de bens móveis e imóveis por sociedades exclusivamente constituídas para o efeito, assim como o investimento em organizações desportivas, com conluio de agentes desportivos”, clarifica a Judiciária. Os suspeitos, que a PJ não detalha quantos são nem revela as suas identidades, recorreram a aconselhamento jurídico e técnico especializado para concretizarem as atividades ilícitas.

Até à presente data foi identificada uma vantagem patrimonial de milhões de euros. A operação envolveu cerca de 80 elementos, incluindo magistrados judiciais e do Ministério Público. Foi apreendida documentação diversa relacionada com os factos em investigação.

Este episódio marca a manhã do clube, uma vez que às 11h deveria ter sido apresentado o novo treinador do Boavista, Daniel Ramos, mas conferência de imprensa que foi adiada para esta tarde, pelas 15h.

**Atualizado às 17h35, clarificando que João Loureiro não foi alvo de buscas, e que o Boavista não foi constituído arguido.**