Quando, em 1929, a escritora inglesa Virginia Woolf  afirmou que uma mulher, para poder escrever, precisa “de um quarto que seja seu”, aludia não só à necessidade de as mulheres terem um lugar na casa onde pudessem ter a sua intimidade, o seu espaço de leitura, reflexão, tédio, como também um espaço onde pudessem criar algo seu. Algo saído do seu mundo, do seu olhar, das suas mãos, da sua voz. Se ter um quarto para si mesmas foi (ainda é) uma conquista a fazer por tantas mulheres no mundo, ter um atelier, um espaço para expor, e alguém disposto a receber o seu trabalho, talvez seja uma luta ainda mais difícil. Por isso, praticamente só a partir do início do século XX as mulheres começaram a afirmar-se no campo das artes plásticas.

Aurélia de Sousa (1866-1922) Autorretrato, 1900 Óleo sobre tela,  abre-nos e guia-nos por esta exposição

Em Portugal, com as condições ainda mais dificultadas pela pobreza, o analfabetismo, a ditadura, a rigidez de um moralismo fundados na religião judaico-cristã e em todos os anátemas que ela atirou sobre a mulher, as artistas tiveram (têm) um longo combate para se conseguirem afirmar artística e socialmente. Um combate que é sobretudo político, mas também é individual, íntimo, onde se jogam as questões de género, da sexualidade, da igualdade, da história, da memória.

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