Circulam nas redes sociais dezenas de publicações que referem que Portugal já começou as “reparações” às antigas colónias, com “indemnizações”. Não apresentam fonte para a informação veiculada, mas começaram a surgir dias depois de o partido Chega ter publicado nas suas páginas oficiais nas redes sociais (como no Facebook) que “o Governo português aceitou negociar o pagamento de indemnizações às antigas colónias”.
“Não aceitaremos tamanha traição à nossa memória. Não aceitamos que, num país onde já não há dinheiro para baixar os preços dos combustíveis ou para a saúde, haja mentes iluminadas a querer fazer reparações históricas por acontecimentos de há cinco séculos. Não aceitaremos!”, lê-se numa publicação do partido a 29 de setembro.
No próprio dia, o Governo rapidamente reagia à amplificação da informação, desmentindo o partido de André Ventura. Como o Observador reportou, o Governo mantém “inalterada” posição assumida em 2024 em que afastava reparações históricas e, ao contrário do que sugeriu o Chega, não tem qualquer plano para indemnizar as antigas colónias no âmbito das reparações históricas.
Mas isso não impediu que a informação continuasse a proliferar online, em diversas redes, colecionando gostos e partilhas.
O caso de desinformação teve origem no ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana, que disse, citado pela Reuters, que tinha o “apoio” de Portugal para avançar com o processo de reparações históricas. Como uma alta fonte diplomática explicou ao Observador, essa é uma leitura abusiva e nunca tal foi prometido a Acra.
Conclusão
A informação veiculada na publicação é falsa. Não existe qualquer evidência de que tenha Portugal começado as “reparações” com o pagamento de indemnizações às antigas colónias, e o Governo desmentiu a informação.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.