Existem há mais de 50 anos, editaram 25 álbuns, são apontados como referência por músicos de todos os quadrantes, mas continuam a ser um mistério. Uma anomalia. Os Sparks são dois irmãos, e não se chamam Sparks, mas Mael — Ron e Russell Mael. Ron tem pose austera e um bigodinho provocador, Russell usa cabelo desgrenhado e ar de estrela pop. São americanos, de Los Angeles, mas muitos pensam que são ingleses porque, nos anos 70, viveram e lançaram discos no Reino Unido.

Ao longo da sua atribulada carreira, sempre à beira do abismo e a um passo do êxito, fizeram vários tipos de rock: art, glam, hard, mas também fizeram disco, electro pop, pop operática — até fizeram uma canção chamada “Computer Girl” em 1966, antes dos computadores serem assunto, dos Kraftwerk serem homens máquina e de eles próprios serem Sparks. Sempre foram excêntricos, excessivos e teatrais e nunca foram a mesma coisa, ou a mesma banda, durante muito tempo. Talvez por isso continuem ativos e relevantes o suficiente para serem objeto de um documentário assinado pelo britânico Edgar Wright, especialista em sátiras de género, como comédias zombie (“Zombie Party”, “Shawn of the Dead”), argumentista e realizador do premiado “Baby Driver”.

Quem não conhece os Sparks não terá sentido curiosidade de saber quem são, ainda assim, tem agora oportunidade de conhecer tudo o que nunca imaginou existir sobre os irmãos Mael, algo que também é válido para quem acha que os conhece, nem que seja pelas icónicas fotografias do casal de irmãos. Se há coisa em que os Sparks foram mestres, foi na gestão da imagem bizarra, a sua e a das capas dos discos. Isso, associado ao humor intelectualmente rebuscado das canções, que faz com que piadas pareçam coisas sérias e vice versa, deu aos Sparks uma aura artística, quase sempre difícil de perceber por um público mais vasto e menos disponível para esse tipo de estranhezas.

[o trailer de “The Sparks Brothers”:]

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