A Áustria ganhou a 69.ª edição do Festival Eurovisão da Canção graças a JJ, com o tema Wasted Love. A final decorreu este sábado à noite, em Basileia, na Suíça.

A vitória foi renhida até ao fim: o país ganhou graças à combinação de votos do júri internacional e voto do público, num total de 436 pontos, destronando a França (230), que era uma das favoritas, com a canção Maman, interpretada por Louane, e Israel, que ficou em segundo lugar (357 pontos), representada por Yuval Raphael, com New Day Will Rise. Em terceiro lugar ficou a Estónia, com 356 pontos, seguida da Suécia, com 321, e Itália, com 256.

Wasted love, de JJ, dá a terceira vitória ao país, depois da conquistada em 1966, com Merci, Chérie, de Udo Jürgens, e em 2014, com Rise Like a Phoenix, de Conchita Wurst. A Áustria torna-se assim a anfitriã do concurso em 2026.

Portugal, com Deslocado, dos NAPA, ficou em 21.º lugar, com 50 pontos. A canção do conjunto madeirense recebeu do júri 37 pontos, provenientes do Azerbaijão, Países Baixos, Eslovénia, São Marino, Ucrânia, Chéquia, Albânia, Lituânia e Suíça. Do televoto, isto é, do voto do público, a canção sobre estar fora de casa conseguiu 13 pontos. Atrás de Portugal só Luxemburgo, Dinamarca, Espanha, Islândia e San Marino.

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Os portugueses NAPA ficaram em 21.º lugar no concurso onde participaram 26 países

A cerimónia, apresentada por Hazel Brugger, Sandra Studer e Michelle Hunziker, abriu com Nemo, que venceu o concurso no ano passado, a interpretar The Code, a canção que valeu à Suíça a organização do concurso este ano.

Além das canções em competição — foram 26, de um total de 37 países que foram a concurso — ouviram-se outros temas da história da Suíça no festival, além do croata Baby Lasagna e do finlandês Käärijä, que também atuaram. Nemo, vencedor do ano passado, ainda voltou a palco para apresentar um novo single. Apesar de toda a especulação em torno da possibilidade de Céline Dion atuar, tal acabaria por não se concretizar. Dion tinha 20 anos e era quase desconhecida fora da sua província, no Quebeque, de língua francesa, no Canadá, quando ganhou a Eurovisão em 1988, representando a Suíça com a canção Ne Partez Pas Sans Moi.

Manifestantes pró-Palestina e a polícia em confronto

À semelhança do que aconteceu em 2024, esta edição do festival ficou marcada pela guerra no Médio Oriente e, em particular, pela participação de Israel. Não é sabido se país foi apupado já que, tal como no ano passado, durante a transmissão da atuação o som do público foi silenciado.

De acordo com a Agência France Presse (AFP), uma manifestação juntou em Basileia várias centenas de pessoas contra a participação de Israel no concurso. Segundo a agência, houve confrontos entre a polícia os manifestantes pró-Palestina pouco antes de a representante de Israel, Yuval Raphael, ter atuado na St. Jakobshalle, onde decorreu a final do concurso, transmitida em direto para países de todo o mundo.

Empunhando bandeiras palestinianas, os manifestantes seguiam atrás de uma grande faixa onde se lia “Unidos pela Palestina” e um trocadilho com a palavra Eurovisão, “Liberta a tua visão”, com um coração no lugar da letra “v”, descreve a AFP. Os manifestantes queimaram uma bandeira de Israel e uma outra dos Estados Unidos da América e, num dos vários cartazes empunhados pelos manifestantes, podia ler-se “Cantar enquanto Gaza arde”.

A presença de Israel no concurso este ano foi contestada por artistas que já participaram no concurso, entre os quais Salvador Sobral, António Calvário, Fernando Tordo, Lena D’Água e Paulo de Carvalho, que apelaram à União Europeia de Radiodifusão (UER), para que excluísse a participação de Israel. Numa carta aberta, os subscritores justificam o apelo com o facto de considerarem a televisão israelita KAN “cúmplice do genocídio contra os palestinianos em Gaza”. A carta, publicada conjuntamente pela organização não-governamental Artists For Palestine e pelo movimento Boycott, Divestment, Sanctions (Boicote, Desinvestimento e Sanções, em português, BDS), foi assinada por cantores, compositores, músicos, bailarinos e membros de coro de vários países.

Em Espanha, a RTVE emitiu uma mensagem de apoio à Palestina, momentos antes de iniciar a transmissão televisiva da final da Eurovisão. Isto depois de a União Europeia de Radiodifusão ter ameaçado a televisão pública espanhola com uma multa caso voltasse a mencionar o número de mortos em Gaza.

“O número de vítimas não tem lugar num programa de entretenimento apolítico”, argumenta a UER sobre o mesmo evento que, em 2022, impediu a Rússia de participar após a invasão à Ucrânia. Pelo segundo ano consecutivo, a União Europeia de Radiodifusão não conseguiu explicar liminarmente por que razão a Rússia foi banida sem que o mesmo critério se aplicasse a Israel. Na altura, a EBU justificou a decisão com o facto de ser uma organização “comprometida” com os “valores de serviço público”.