Era o primeiro dia da última semana do Mundial de Clubes. Em New Jersey, no brutal MetLife Stadium, Fluminense e Chelsea disputavam a primeira meia-final da competição e a primeira vaga na final do próximo domingo — de um lado, os brasileiros carregavam a bandeira de serem a única equipa não europeia ainda em prova; do outro, os ingleses carregavam a bandeira de quem bem precisa de um grande triunfo.
Na sequência do segundo lugar do grupo, apenas atrás do Borussia Dortmund, o Fluminense tornou-se uma das surpresas do Mundial de Clubes ao eliminar o Inter Milão, afastando depois o Al Hilal. “Não viemos só para participar, viemos para vencer. Desde o início que disse que precisávamos de acreditar. Temos subido degrau a degrau. Sinto-me um privilegiado por disputar o Mundial de Clubes e tenho de viver esse momento, o grupo também. O que me deixa mais satisfeito é a entrega que eles têm demonstrado em campo. E temos de continuar a fazer história”, disse Renato Gaúcho na antevisão da partida.
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Já o Chelsea, que também ficou no segundo lugar do respetivo grupo e depois afastou Benfica e Palmeiras, tinha a possibilidade de ficar muito perto do segundo troféu da temporada depois de ter conquistado a Liga Conferência. “Não acho que o Chelsea seja favorito. Não acho que existam favoritos, nesta altura. Neste momento, as equipas que aqui chegaram mereceram chegar aqui. É porque são bons e têm de fazer tudo aquilo que puderem para ganhar e chegar à final”, explicou Enzo Maresca antes do jogo.
Assim, em New Jersey e sem contar com os castigados Juan Pablo Freytes e Martinelli, Renato Gaúcho apostava em Hércules e Facundo Bernal no meio-campo, com Nonato no apoio a Jhon Arias e Germán Cano — e o capitão Thiago Silva, que reencontrava uma das antigas equipas. Já Enzo Maresca, que também não tinha Levi Colwill e Liam Delap por castigo, oferecia a primeira titularidade ao reforço João Pedro e tinha Pedro Neto no onze inicial, assim como Nkunku e Cole Palmer.
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Numa primeira parte animada mas que demorou a arrancar, o Chelsea criou a primeira situação de perigo com um cabeceamento ao lado de Marc Cucurella depois de um livre (9′). Os ingleses estavam claramente por cima, com o Fluminense a ter muitas dificuldades para se soltar e entrar no meio-campo contrário, e conseguiram abrir o marcador ainda dentro dos 20 minutos iniciais: João Pedro recebeu à entrada da grande área, descaído na esquerda, e atirou um perfeito remate em jeito que não deu hipótese a Fábio (18′), acabando por não festejar por ter jogado nos brasileiros.
A equipa de Enzo Maresca poderia ter aumentado a vantagem logo depois, com um cabeceamento de Malo Gusto que Fábio defendeu (21′), mas o Fluminense também teve uma enorme oportunidade para empatar num lance em que Hércules bateu Robert Sánchez mas Marc Cucurella evitou o golo em cima da linha (26′). Os brasileiros ainda tiveram uma réstia de esperança quando o árbitro assinalou grande penalidade de Trevor Chalobah por mão na bola, mas a jogada foi revertida pelo VAR e ao intervalo em New Jersey o Chelsea estava mesmo a vencer o Fluminense pela margem mínima.
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Nenhum dos treinadores mexeu ao intervalo e o Chelsea manteve a superioridade, com Moisés Caicedo a rematar ligeiramente por cima (49′), Cucurella a atirar ao lado (53′) e o Fluminense a não dar continuidade ao rasgo de reação que ainda demonstrou na ponta final da primeira parte. Renato Gaúcho respondeu com as primeiras substituições, lançando Everaldo e Keno, e o avançado testou desde logo os reflexos de Robert Sánchez com um pontapé fraco na área (55′).
No contra-ataque, porém, o Chelsea foi cínico, clínico e calculista. Enzo soltou João Pedro na esquerda e o avançado brasileiro entrou dentro da grande área, intrometeu-se entre dois defesas e rematou forte para voltar a bater Fábio (56′), voltando também a não festejar e bisando na partida. João Pedro saiu logo depois para a entrada de Nicolas Jackson, Yeferson Soteldo entrou no Fluminense e o jogo foi partindo e abrindo espaços que favoreciam mais das transições inglesas do que as esperanças brasileiras.
Enzo Maresca ainda deu minutos a alguns jogadores, Renato Gaúcho soltou todos os trunfos que tinha no banco, mas já nada mudou até ao fim. O Chelsea venceu o Fluminense e está na final do Mundial de Clubes, garantindo desde já que o derradeiro jogo da competição será totalmente europeu e ficando agora à espera de Real Madrid ou PSG.
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A pérola
De forma óbvia, João Pedro. Depois de se ter estreado pelo Chelsea nos quartos de final, contra o Palmeiras, o avançado brasileiro estreou-se como titular nos oitavos de final e deixou um enorme cartão de visita ao bisar — tornando-se também o primeiro a marcar dois golos num jogo neste Mundial de Clubes. Quis o destino que, para seu próprio desalento, tudo acontecesse contra a equipa onde se formou e deu os primeiros passos como profissional.
O joker
Continua a dar seguimento ao bom Mundial de Clubes que está a realizar e mantém-se como uma das figuras cruciais para Enzo Maresca. Marc Cucurella tem estado em bom plano, assumindo-se como dono e senhor da esquerda da defesa do Chelsea, e contra o Fluminense teve o condão de evitar um golo feito ao intercetar um remate de Hércules em cima da linha.
A sentença
Com este resultado, o Chelsea está na final do Mundial de Clubes e fica agora à espera de Real Madrid ou PSG, que só jogam amanhã a outra meia-final. Os ingleses eliminaram os brasileiros, a melhor equipa não europeia da competição, e garantiram desde já que a final será totalmente restrita ao continente europeu.
A mentira
O Fluminense não conseguiu ter capacidade para discutir a meia-final contra o Chelsea. Ao contrário do que aconteceu com o Palmeiras, que só perdeu traído por um autogolo, ou até com o Flamengo, que venceu os ingleses na fase de grupos, a equipa de Renato Gaúcho foi sempre inferior à de Enzo Maresca e nunca pareceu ter hipótese de assegurar o apuramento.