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Morreu a atriz Diane Keaton, vencedora de um Óscar por "Annie Hall". Tinha 79 anos

Este artigo tem mais de 6 meses

Ganhou um Óscar com o papel de Annie Hall, no filme homónimo de Woody Allen. Foi Kay Corleone na saga "O Padrinho" e co-protagonizou "Alguém Tem Que Ceder" com Jack Nicholson.

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FilmMagic

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Morreu este sábado, 11 de outubro, na Califórnia, a atriz Diane Keaton, aos 79 anos, avançou a revista People, e confirmou o New York Times junto a Dori Rath, que produziu vários filmes com a atriz. De acordo com o site TMZ, os bombeiros responderam a uma ocorrência na casa da atriz, em Los Angeles, pelas 8h00 locais, 16h00 em Portugal continental, e transportaram-na para o hospital numa ambulância. A causa da morte não é conhecida.

Diane Keaton ganhou fama na década de 1970: com a participação na saga de Francis Ford Coppola, O Padrinho, como Kay Adams-Corleone, e com o trabalho que fez com Woody Allen, nomeadamente Annie Hall — que lhe deu o Óscar de Melhor Atriz em 1978 — mas também em Sleeper, de 1973, e em Manhattan, de 1979 (entre vários outros filmes que fez com Woody Allen). Nos anos 1990 foi protagonista de várias comédias românticas e em 2003 co-protagonizou Alguém Tem Que Ceder, com Jack Nicholson. A prestação no filme de Nancy Meyers deu-lhe um Globo de Ouro (e outra nomeação aos Óscares).

Nascida Diane Hall em 1946 em Los Angeles, era a mais velha de quatro irmãos. Inspirada por Katharine Hepburn, começou a envolver-se em atividades de música e representação ainda na escola. Depois do secundário, em meados da década de 1960, ainda frequentou a universidade em Santa Ana e Orange Coast, mas aos 19 anos mudou-se para Nova Iorque para estudar teatro na Neighborhood Playhouse. Em 1968, foi escalada para um papel de substituição como Sheila no espetáculo da Broadway Hair. No ano seguinte, protagonizou o espetáculo escrito, produzido e co-protagonizado por Woody Allen, Play It Again, Sam, pelo qual foi nomeada a um prémio Tony. A decisão de mudar o nome para Keaton, o apelido de solteira da mãe, justifica-se por já existir uma Diane Hall registada na associação de atores na altura.

Annie Hall

▲ Diane Keaton e Woody Allen em Annie Hall

Getty Images

Foi assim que iniciou a longa parceria com o realizador e ator, que se tornaram namorados na década de 1970 e durante uma década colaboraram em diferentes produções, além de se manterem amigos. Aliás, diz-se que Annie Hall seria baseado no relacionamento do casal e que a protagonista imitava o estilo pessoal de Keaton: dos trejeitos ao nome, passando pelo guarda-roupa da personagem, do qual fizeram parte algumas peças da própria atriz, que seguia uma estética masculina, com camisas, fatos, gravatas, boinas e chapéus. O filme ganhou quatro Óscares, o de Melhor Filme, o de Melhor Realizador, o de Melhor Argumento Original e o de Melhor Atriz, que a protagonista acumulou, nesse ano, com o Globo de Ouro e com o BAFTA.

Em 2018, diante das acusações de abuso sexual da filha adotiva Dylan Farrow, Diane Keaton fez uma publicação no então Twitter a reafirmar o apoio ao realizador. “Woody Allen é meu amigo e continuo a acreditar nele.” Na altura, Allen enviou um comunicado à CBS, canal de televisão que entrevistou Dylan Farrow, a negar a acusação. “Nunca abusei da minha filha, foi a mãe que a treinou para contar esta história”, escreveu, sobre a atriz Mia Farrow.

Além de Allen, Diane Keaton teve relacionamentos com Al Pacino no final da década de 1970 e Warren Beatty na década de 1980, quando interpretou Louise Bryant em Reds — papel pelo qual recebeu a segunda nomeação ao Óscar. A atriz foi nomeada mais duas vezes: pelo drama Marvin’s Room em 1996 e pela comédia romântica Alguém Tem Que Ceder, em 2003. Um dos maiores sucessos de bilheteira em que participou foi O Clube das Divorciadas, de 1996, comédia que protagoniza ao lado de Goldie Hawn e Bette Midler. O último filme no qual integrou o elenco foi Summer Camp, de 2024, ao lado de Kathy Bates e Alfred Woodard.

Keaton também trabalhou como realizadora, sendo o seu primeiro filme o documentário Heaven, de 1987, sobre a crença na vida após a morte, e o último o drama cómico Hanging Up, de 2000, em que dirigiu um elenco que a incluía a si mesma, Meg Ryan e Lisa Kudrow. Também realizou videoclipes e episódios de séries para a televisão, como o sucesso de David Lynch Twin Peaks, e foi a produtora da série da Fox Pasadena, em 2001, e do filme de Gus Van Sant inspirado pelo ataque de Columbine, Elephant, de 2003.

Keaton escreveu vários livros sobre moda, arte, arquitetura e memórias: em 2011 publicou Then Again, seguido de Let’s Just Say It Wasn’t Pretty em 2015 e Brother and Sister em 2020, sendo que em 2024 também lançou Fashion First. Paralelamente, a atriz manteve uma ocupação como fotógrafa, com o trabalho reunido na obra Reservations, e tinha uma paixão pela música. Keaton cantou dois números em Annie Hall e participou no filme de Woody Allen Radio Days, de 1987, como uma cantora de discoteca.

Em dezembro de 2024, Diane Keaton lançou o seu primeiro single, First Christmas, escrito por Carole Bayer Sager e Jonas Myrin. “Nunca é tarde para começar um novo sonho”, escreveu a atriz nas redes sociais, ao anunciar a novidade. “Faz-me lembrar o motivo pelo qual amo a música — tem uma forma de falar direto com o nosso coração.”

Diane Keaton nunca se casou. Tem dois filhos, Dexter e Duke, que foram adotados em 1996 e 2001, depois de descobrir o diagnóstico de Alzheimer da mãe. Com a cadela Reggie costumava dividir o protagonismo da sua página no Instagram, na qual era bastante ativa. A última partilha foi em abril, com a cadela, a celebrar o “Dia Nacional dos Animais de Estimação”.

Famosos prestam homenagens

Minutos depois da publicação da notícia, várias figuras públicas usaram as redes sociais para reagir e prestar homenagens à atriz. Bette Midler, que também atuou em O Clube das Viúvas, partilhou uma mensagem no Instagram a destacar o quão “brilhante, bonita e extraordinária” foi a amiga. “Não consigo dizer o quão triste esta notícia deixa-me. Ela era hilariante, completamente original e sem malícia ou qualquer tipo de competição que se espera de uma estrela.”

Melissa Gilbert, que também começou a carreira entre os anos 1960 e 1970, assume que admirava muito o trabalho de Keaton, apesar das duas nunca terem trabalhado juntas. “Parece-me surreal que alguém com tanta vida e tão vibrante tenha partido. Sei que vai continuar a viver através da sua obra extraordinária, mas mais importante, através dos seus filhos amados. Mas imaginar um mundo sem ela parece-me impossível.”

Viola Davis também escreveu, a assinalar o “humor, juventude e vulnerabilidade” que “tatuou a sua alma em todos os papéis, fazendo impossível imaginar qualquer outra pessoa a interpretá-los. Eras inegavelmente e sem pedir desculpas tu mesma. Amo-te. Descansa em paz”. Cynthia Nixon, que atuou com Keaton em Five Flights Up em 2014, assumiu que o trabalho foi “um sonho tornado realidade”. “Era muito tímida perto dela, mas acho que gostou de mim e aquilo significou muito. Era única. Estou muito triste que tenha partido.”

O ator Ben Stiller partilhou uma homenagem no X. “Uma das melhores atrizes de cinema de sempre. Um ícone de estilo, humor e comédia. Brilhante.” Josh Gad destacou que trabalhou com Diane Keaton “há muitos anos num piloto não produzido da HBO, e o que descobri foi um dos seres humanos mais humildes, engraçados e inacreditavelmente talentosos que já me cruzei. Em muitas formas, este ano será definido pelo desaparecimento de uma Hollywood que nunca mais vamos ver. Não há substitutos para Gene Hackman, Robert Redford ou Diane Keaton”.

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