O Centro Cultural de Belém anunciou esta sexta-feira o nome do novo diretor artístico de Artes Performativas, depois da saída de Aida Tavares em junho. O escolhido “por unanimidade” pelo conselho de administração é Serge Rangoni, o atual Diretor-Geral e Artístico do Teatro de Liège. O belga assume funções a 2 de fevereiro de 2026, para um mandato de quatro anos.
De acordo com o comunicado enviado pelo CCB às redações, a decisão “reconhece a qualidade e a visão estratégica apresentadas na candidatura de Rangoni, bem como a sua vasta experiência enquanto diretor artístico e gestor cultural, adquirida tanto no Teatro de Liège como no Museu de Arte Contemporânea do Grand-Hornu, em Mons.” Serge Rangoni foi vice-secretário do Ministro da Cultura belga entre 1997 e 1999 e presidente do conselho de administração da European Theatre Convention (ETC) entre 2017 e 2023. Também foi sob a sua direção que o Teatro de Liège assumiu a coordenação da PROSPERO NEW, uma rede europeia que reúne teatros, festivais e instituições culturais dedicadas à coprodução e circulação internacional de artistas e obras — plataforma da qual o CCB é membro fundador.
No comunicado, Serge Rangoni destaca “a oportunidade de pôr em prática uma visão que assenta na exigência artística, na abertura europeia e no enraizamento territorial, com o objetivo de promover o diálogo entre a criação lusófona e os olhares internacionais. O projeto do CCB alimenta‑se diretamente do trabalho exigente e inspirador nas artes performativas e nas artes visuais. Pretendo aprofundar essas sinergias para construir temporadas em que estas áreas artísticas se interliguem e se reforcem mutuamente”.
O comunicado refere ainda que a proposta pragmática de Rangoni destacou-se pelo “cruzamento entre disciplinas artísticas”, a “particular atenção à singularidade dos espaços e da arquitetura do CCB” e o “equilíbrio entre a apresentação de grandes nomes das artes performativas e a valorização da criação nacional”. “A sua visão assenta numa estratégia que alia o sucesso das grandes programações de teatro, dança e música à descoberta de estéticas emergentes, estimulando coproduções e intercâmbios e reforçando assim a presença do CCB nas grandes redes culturais europeias e extraeuropeias.”
Rangoni assume o cargo que ficou vago em julho, quando Aida Tavares, então responsável artística pelas Artes Performativas e Pensamento no Centro Cultural de Belém, disse ter sido exonerada. Mais tarde o CCB confirmou a cessação do contrato e, ao Observador, Tavares disse ter sido “uma decisão unilateral da Administração, sem o meu acordo”. As candidaturas para a seleção do novo diretor artístico encerraram em setembro.