A notícia caiu com estrondo no meio cultural. A 4 de junho, na mesma tarde em que foi conhecido que Luís Montenegro decidiu não manter Dalila Rodrigues como ministra da Cultura no novo Governo, Aida Tavares, responsável artística pelas Artes Performativas e Pensamento no Centro Cultural de Belém, afirmou ter sido exonerada do cargo no CCB. Ao Observador, falava numa demissão com “significado político”, feita “à 25.ª hora da senhora ministra”.
Mas, horas depois, Nuno Vassallo e Silva, presidente da Fundação CCB, nomeado por Dalila Rodrigues depois da polémica exoneração de Francisca Carneiro Fernandes, garantia ao jornal Público: Aida Tavares “não foi despedida nem afastada”. “O que lhe dissemos foi que íamos abrir um concurso internacional para o lugar que ela ocupa para o legitimar, para o tornar transparente”, disse.
Agora, Aida Tavares está mesmo de saída do CCB. A informação foi confirmada ao Observador pelo presidente da Fundação CCB esta quinta-feira, revelando que a programadora cultural sai da instituição “no final de julho”. Nuno Vassallo e Silva assegura que “ninguém foi despedido” e que se trata de uma “rescisão” do contrato, escusando-se a responder a mais perguntas deste jornal sobre os termos da saída, nomeadamente se há lugar a uma indemnização compensatória à diretora artística.
O Observador contactou Aida Tavares, que respondeu só esta quarta-feira, apenas por escrito, dizendo: “A cessação do contrato de comissão de serviço resulta exclusivamente de uma decisão unilateral da Administração, sem o meu acordo, e não foi acompanhada por qualquer justificação. E foi inclusivamente recebida por mim com surpresa, atendendo às declarações anteriormente prestadas pelo Presidente do Conselho de Administração da FCCB ao jornal Público no dia 4 de junho.”
A 4 de junho, o jornal Expresso avançou que teria sido Dalila Rodrigues, no último dia enquanto ministra, a pedir a Nuno Vassallo e Silva para afastar Aida Tavares do Centro Cultural de Belém (CCB), mas a então governante negou ao Observador qualquer responsabilidade ou interferência no processo do CCB. “A notícia é falsa e certamente inventada pela pessoa que se vitimiza”, disse a este jornal.
No comunicado enviado às redações ao fim do dia, o CCB indicava que estava à procura de um sucessor para a direção artística das artes performativas, cargo que Aida Tavares desempenhava, mas não referia qualquer demissão. O Observador sabe que, até esta semana, Aida Tavares continuava a trabalhar no centro cultural.
De resto, o diferendo entre Aida Tavares e Dalila Rodrigues era conhecido. Em dezembro, a ex-ministra da Cultura defendeu na Assembleia da República que deveria ter havido um concurso para a nomeação de Aida Tavares para a instituição em Belém. Já em fevereiro, quando a ainda diretora artística foi ao Parlamento prestar esclarecimentos sobre o CCB, assumiu que não tinha qualquer intenção de se demitir.
A chamada de candidaturas para a escolha da nova direção artística das artes performativas do CCB termina a 12 de setembro. O anúncio do candidato selecionado e início de funções está previsto para novembro.