A EGEAC Lisboa Cultura está a renovar por apenas três meses os contratos de diretores de equipamentos municipais, como o Museu do Aljube ou o Teatro Lu.Ca., substituindo os habituais mandatos de três anos por vínculos provisórios até 31 de março de 2026, enquanto aguarda a aprovação do novo conselho de administração.

No âmbito do novo mandato autárquico (2025-2029), compete à Câmara Municipal de Lisboa aprovar o novo conselho de administração da empresa municipal responsável pela gestão dos equipamentos culturais da autarquia. O executivo municipal liderado por Carlos Moedas (PSD), eleito em outubro, tomou posse a 11 de novembro de 2025.

Vários diretores de equipamentos municipais terminavam as comissões de serviço em dezembro e janeiro último, como é o caso de Susana Menezes, do Teatro Lu.Ca, ou Rita Rato, do Museu do Aljube, respetivamente. Mas são apenas dois exemplos entre vários diretores de instituições culturais cujos contratos foram prolongados por apenas três meses — uma situação excepcional já que, regra geral, no final das comissões de serviço, a tutela opta pela renovação do mandato, pela abertura de concurso ou pela nomeação de um novo diretor.

Nas últimas semanas, os gabinetes de comunicação dos equipamentos têm encaminhado todas as questões de imprensa para a sede da EGEAC. Ao que foi possível apurar, vigora uma orientação para que não sejam prestados esclarecimentos localmente.

O Observador questionou a EGEAC sobre as motivações para este procedimento invulgar e se esta está relacionado com uma eventual reconfiguração do novo Conselho de Administração da empresa. Questionámos, também, se está prevista a abertura de novos concursos ou processos de seleção para estes cargos após o término dos três meses, e se foi transmitida alguma orientação, formal ou informal, por parte do Conselho de Administração aos diretores no sentido de não prestarem declarações ou entrevistas à comunicação social durante este período. A EGEAC optou por não respondeu aos múltiplos contactos do Observador, por telefone e e-mail. Aliás, desde novembro que o Observador questiona a EGEAC sobre o então término próximo das direções dos equipamentos, sempre sem resposta.

Atualmente, o Conselho de Administração da EGEAC é presidido pelo gestor cultural Pedro Moreira, no cargo de 2022 e que, segundo apurou o Observador, deverá continuar na presidência. O organismo tem ainda como vogal Susana Graça e tinha, até há pouco tempo, Gonçalo Reis, que desempenhava as funções de vogal não executivo, mas que entretanto assumiu a vice-presidência da CML na sequência das eleições autárquicas de outubro que reconduziram Carlos Moedas como presidente do município.

Das cinco empresas municipais, estão por aprovar os Conselhos de Administração da EGEAC Lisboa Cultura – Gestão de Equipamentos e Animação Cultural e da Gebalis – Gestão dos Bairros Municipais.

Em janeiro, a Câmara de Lisboa aprovou os novos conselhos de administração da SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana e EMEL – Mobilidade e Estacionamento, decidindo manter os atuais presidentes, respetivamente, Gonçalo Santos Costa e Carlos Silva, e reconduziu as atuais presidentes das empresas municipais SRU e EMEL. Em dezembro, a câmara já tinha aprovado a nova administração da Carris, que será presidida por Rui Lopo.