A fadista Helena Sarmento apresenta “Tanto Mar”, no próximo dia 24, no Teatro Helena Sá e Costa, no Porto, na sua primeira apresentação em palcos nacionais depois da digressão que efetuou à América do Sul.

O alinhamento do espetáculo segue o álbum homónimo, editado em 2024, e no qual se estreou como autora. O título foi buscá-lo à canção de Chico Buarque que inclui no alinhamento.

Em entrevista à agência Lusa, nas vésperas da saída do trabalho discográfico, Helena Sarmento referiu-se a “Tanto Mar” como o seu “disco mais feminino de sempre”, não só por assinar duas letras, como por interpretar palavras escritas por outras mulheres.

Do alinhamento fazem parte temas como “Partida” e “Naufrágio” (Cecília Meireles/Alain Oulman), criações de Amália Rodrigues (1920-1999), “Que Sejas Feliz”, de Cartola (1908-1980), “Chão de Estrelas”, que foi gravado por Nelson Gonçalves (1919-1998), Sílvio Caldas (1908-1998) e Maria Bethânia, cantora de referência para a artista portuguesa, como disse à Lusa.

No próximo dia 24, dado o simbolismo da data, Helena Sarmento vai interpretar “um conjunto de músicas da memória coletiva de Portugal”, como as do repertório de José Afonso (1929-1987), autor que já gravou noutros trabalhos seus.

O espetáculo no palco portuense é o primeiro que apresenta depois da digressão que efetuou entre outubro e dezembro do ano passado ao Brasil, Uruguai e Argentina.

Helena Sarmento faz um “balanço muito positivo” desta digressão, durante a qual atuou em 16 palcos de dez cidades, tendo sido “muito bem recebida”.

“Foi uma experiência muito rica, o contacto com diferentes culturas, e fui muito bem acolhida”, disse a intérprete que bisou algumas cidades como Buenos Aires e Rio de Janeiro, e que noutras se estreou, casos de Colónia do Sacramento, no Uruguai, e Recife, no Brasil.

Em Santos, também no Brasil, a intérprete surpreendeu-se pelo público conhecer muitos dos fados do seu repertório.

Durante esta digressão, Helena Sarmento gravou “Os Sonhos” (Peninha), que Caetano Veloso também tinha registado na década de 1980, e que em breve apresentará no mercado nacional.

Para Helena Sarmento esta digressão “foi uma renovação”: “Estive muito focada na minha arte e convivi com vários músicos”.

No palco do Helena Sá e Costa, a fadista vai ser acompanhada por Lucas de Campos (violão e direção musical), João Martins (guitarra portuguesa), Filipe Teixeira (contrabaixo) e Hélvio Mendes (percussão), e conta ainda com as participações de Anahi Nogueira (voz) e da bailarina Joana Rodrigues.

O álbum “Tanto Mar” sucedeu a três outros dedicados ao fado e a “Liberdade, Liberdade!”, muito ligado ao 25 de Abril de 1974, editado em 2023.

Para a criadora de “Fado Jurídico-Criminal” (André Teixeira/João Gigante-Ferreira), “Tanto Mar” é “uma consequência natural”, a que o seu “percurso de liberdade” a levou, reunindo as suas referências na música.

“E eu assumo cada vez mais essa liberdade”, afirmou à Lusa. “Este [‘Tanto Mar’] é de facto o disco que eu queria gravar”.

No dia 21 de maio, Helena Sarmento apresenta “Tanto Mar” no Teatro Independente de Oeiras, nos arredores de Lisboa.