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Quem disse que em agosto não há teatro? Cinco espetáculos para ver este mês

Do Teatro Maria Matos ao Festival de Setúbal, passando pelo Citemor e pelo Festival Altitudes, agosto não é só férias, é também um mês cheio de teatro. Eis o que ver e onde.

"Dói-me o Corpo de Jazer Nessa Esperança", com texto de Jorge Palinhos e encenação de Marco Antonio Rodrigues, no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal
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"Dói-me o Corpo de Jazer Nessa Esperança", com texto de Jorge Palinhos e encenação de Marco Antonio Rodrigues, no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal

"Dói-me o Corpo de Jazer Nessa Esperança", com texto de Jorge Palinhos e encenação de Marco Antonio Rodrigues, no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal

The Swimming Pool Party, texto e encenação de Ricardo Neves-Neves

Teatro Maria Matos, Lisboa, até 9 de agosto

The Swimming Pool Party regressa agora aos palcos numa nova temporada, oferecendo uma nova oportunidade para descobrir — ou revisitar — uma das comédias mais mordazes de Ricardo Neves-Neves. Desta vez com encenação do próprio autor, o espetáculo recupera um texto que continua surpreendentemente atual, cruzando humor negro, sátira social e um mistério policial.

O ator Filipe Vargas em "The Swimming Pool Party"

Estelle Valente

A ação reúne oito personagens da alta sociedade numa festa à beira de uma piscina que nunca chega a encher. Entre aparências cuidadosamente construídas, relações frágeis, dramas pessoais e um crime inesperado, desenrola-se um retrato corrosivo de uma elite obcecada com a imagem e o estatuto. Soa a alguma coisa? Inspirando-se tanto nos enigmas de Agatha Christie como na ironia de T. S. Eliot, Ricardo Neves-Neves cria um espetáculo tão divertido quanto incómodo, interpretado por um elenco que reúne Ana Brito e Cunha, Ana Cloe, Ana Marta Contente, Filipe Vargas, José Leite, Marta Andrino, Ruben Madureira, Sandra Faleiro e Santiago Galvão.

Estudios Para un Ecce Homo, de Fernando Renjifo e Shanti Vera

Sala C. — Montemor-o-Velho, Coimbra, 7 de agosto

O Citemor – Festival de Artes Performativas regressa até 8 de agosto a Montemor-o-Velho e Coimbra para mais uma edição daquele que é o festival de teatro e artes performativas em atividade continuada mais antigo de Portugal. Conhecido pela aposta em propostas de vanguarda e no cruzamento entre teatro, dança, performance e outras disciplinas artísticas, o festival volta a ocupar espaços ao ar livre com um programa que privilegia a experimentação, as novas linguagens e o diálogo entre criadores de diferentes geografias.

Entre as sugestões desta edição está Estudos para um Ecce Homo, criação do coreógrafo e bailarino mexicano Shantí Vera e do autor e encenador espanhol Fernando Renjifo. A partir de um texto de Renjifo, a dupla constrói uma peça que cruza palavra e corpo para refletir sobre a condição humana, a finitude e o lugar do indivíduo no mundo contemporâneo. A criação assume-se como um poema cénico que traduz na perfeição o espírito do Citemor: um espaço de encontro entre linguagens artísticas, pensamento crítico e pesquisa estética.

Pensão Marilu, texto de Afonso Cruz, encenação de Fernando Moreira

Teatro do Montemuro, Campo Benfeito, Viseu, 8 de agosto

O Festival Altitudes volta a transformar Campo Benfeito, em Castro Daire, e, durante uma semana, a aldeia na serra do Montemuro, a mais de mil metros de altitude, recebe companhias de teatro de todo o país para um cardápio teatral que tende a esgotar mesmo antes do arranque do certame, que este ano decorre até 15 de agosto.

Luís Belo

Como é tradição, a abertura fica nas mãos do Teatro do Montemuro, a companhia residente e organizadora do evento. Pensão Marilu, com texto de Afonso Cruz e encenação de Fernando Moreira, interpretada por Abel Duarte, Cristiana Sousa, Eduardo Correia e Paulo Duarte. A ação decorre numa pensão esquecida do interior, onde um homem solitário descobre, após a morte do companheiro de quarto, uma caixa de recibos que revela uma vida feita de amor, perda e memória. Entre o humor e a melancolia, o espetáculo constrói uma reflexão sobre a velhice, o abandono e a possibilidade de redenção, mostrando como uma história alheia pode devolver sentido à própria existência.

Variedades, de Fernando Heitor, Flávio Gil e João Paulo Soares

Teatro Variedades, Lisboa, até 16 de agosto

Depois da estreia no Festival de Almada, em julho, Variedades prossegue carreira até meio de agosto, levando ao palco uma homenagem ao Teatro Variedades e ao universo do Parque Mayer. Em forma de musical, o espetáculo cruza memória, ficção e história para revisitar um dos espaços mais emblemáticos da cultura popular portuguesa.

Estelle Valente

Através de dez personagens que parecem nunca abandonar o Parque Mayer — entre elas uma varina, um ardina, uma costureira, um marujo e uma viúva rica —, o espetáculo acompanha as várias vidas do Teatro Variedades, cujas memórias persistem para lá da morte e evocando um tempo em que o teatro era o centro de um mundo que parecia não terminar quando se apagavam as luzes da sala.

Dói-me o Corpo de Jazer Nessa Esperança, texto de Jorge Palinhos e encenação de Marco Antonio Rodrigues

Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal, 21 de agosto

O Festival Internacional de Teatro de Setúbal (conhecido popularmente como Festa do Teatro) regressa de 20 a 29 de agosto para a sua 28.ª edição. Organizado pelo Teatro Estúdio Fontenova, o festival reúne companhias nacionais e internacionais numa programação que cruza teatro, cinema, exposições, conversas e música, ocupando vários espaços da cidade. A edição deste ano propõe uma reflexão sobre o outro, as fronteiras, o exílio e a migração, através de mais de duas dezenas de espetáculos.

Mário Canelas

Entre os destaques da programação está Dói-me o corpo de jazer nessa esperança, uma coprodução do Teatrão e do teatromosca, com dramaturgia de Jorge Palinhos e encenação de Marco Antonio Rodrigues. Partindo de As Troianas e Hécuba, de Eurípides, o espetáculo revisita a tragédia clássica para a aproximar das inquietações do presente. Numa Tróia que poderia situar-se em qualquer lugar do mundo, Hécuba deixa de ser apenas o símbolo da dor para questionar o seu próprio destino, numa criação que estabelece pontes entre as ruínas do passado e os conflitos contemporâneos.

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