A cidade de Amarante, no distrito do Porto, vai avançar com a candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028, anunciou esta sexta-feira o presidente da câmara, revelando que o tema aliará passado, presente e futuro.
“Queremos que esta candidatura não seja vista como um destino apenas, mas como um ponto de partida para um processo muito maior de mobilização, de construção de capacidades e também de afirmação identitária do concelho de Amarante”, disse o presidente da Câmara de Amarante, Jorge Ricardo (PSD/CDS-PP).
Recordando nomes como Amadeo de Souza-Cardoso, Teixeira de Pascoaes, Agustina Bessa-Luís, António Carneiro e Acácio Lino, que são originários de Amarante ou por lá passaram, o autarca revelou à Lusa que o tema da candidatura será ligado à ideia de “o lugar do génio e o génio do lugar”.
“Queremos partir desta memória feliz de grandes génios da cultura portuguesa que são daqui originários, reavivar e recriar um pouco a sua obra e, ao mesmo tempo, transformar Amarante num ecossistema onde cada pessoa tenha um ambiente favorável para revelar e desenvolver a sua genialidade artística”, referiu.
A Câmara de Amarante tem expectativa de entregar a candidatura na última semana de setembro.
Atualmente decorre a fase de elaboração do dossiê, já decorreram reuniões com entidades do âmbito cultural da cidade de Amarante e está em marcha “um processo de construção e de mobilização”, descreveu Jorge Ricardo.
“Porque é assim que queremos que a candidatura seja construída. É principalmente isto que pretendemos com esta candidatura: criar um ecossistema que permita a emergência de novos génios, de novos nomes, para que este lugar, que foi fruto de tantos génios da cultura portuguesa, continue a ser especial. Amarante como um lugar bom para viver, mas também um lugar bom para criar arte”, resumiu o autarca que, entre outros, tem o pelouro da Cultura.
Anualmente, o orçamento municipal de Amarante reserva cerca de 7% para a Cultura, verba entre os três e os quatro milhões de euros.
Jorge Ricardo avançou com o “compromisso de reforçar a rubrica em 2028” e com a certeza de que Amarante “por toda a sua envolvência, por toda a sua história, por toda a sua matriz cultural, tem condições para se tornar uma cidade média portuguesa num grande exemplo”.
“É também o objetivo desta candidatura, que daqui surja também um grande exemplo para ser replicado noutras cidades, noutros lugares do país e também da Europa. Estamos a sentir um apoio muito importante, quer no concelho, quer na região do Tâmega e Sousa. Na CIM [Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa] todos os municípios receberam a ideia com muita satisfação”, concluiu.
Já em informação enviada à Lusa pela autarquia, Amarante é descrita como “um concelho de escala humana, reconhecido pela UNESCO como Cidade Criativa da Música e marcado por um património artístico e intelectual excecional”.
“A candidatura não pretende limitar-se a celebrar este legado. Quer usá-lo como ponto de partida para projetar Amarante no futuro, criando um ecossistema mais favorável à criação, à participação, à experimentação e à permanência de artistas, jovens, famílias e novos residentes”, lê-se na informação.
O projeto da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciado em dezembro de 2022 pelo então ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, que retomou a ideia do início do século, quando foram capitais nacionais da cultura Coimbra e Faro.
A primeira edição teve lugar em Aveiro em 2024, a segunda em Braga, em 2025, e Ponta Delgada, cidade da ilha de São Miguel, este ano, cidades que concorreram à Capital Europeia da Cultura em 2027, que será Évora.
Em janeiro, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, anunciou que o projeto iria continuar em 2028. O prazo de candidatura abriu em 30 de abril, durante 150 dias, e a cidade vencedora para 2028 será conhecida a 9 de dezembro de 2026.
À semelhança das edições anteriores, a Capital Portuguesa da Cultura contará com uma dotação financeira estatal de um milhão de euros (Ponta Delgada teve um acréscimo de 300 mil euros devido à insularidade).
Já anunciaram a intenção de concorrer a Capital Portuguesa da Cultura em 2028 cidades como Guarda, Leiria, Óbidos e Setúbal.