A companhia de teatro auéééu apresenta de quinta-feira a domingo a peça “Woyzeck”, obra incompleta de Georg Büchner, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Para os auéééu, “Woyzeck”, enquanto “texto inacabado e fragmentado”, é “um campo aberto a múltiplas oportunidades”, pelo que a companhia optou por pegar no texto enfrentando o que “está relacionado com a vocação do poder patriarcal para agir segundo as leis do progresso científico, por um lado, e por outro, as suas evidentes e catastróficas consequências”, lê-se na apresentação da peça.
Em palco, a companhia fundada em Lisboa, em 2014, cria um laboratório científico onde “máquinas humanoides obedecem a uma ordem artificial de inteligência que não se rege por valores éticos”.
“Num ambiente distópico, estas figuras operam exclusivamente em nome do progresso que culmina num feminicídio”, acrescentam.
A ação dramática de Woyzeck, escrita em 1836-1837, acompanha a derrocada mental e social do soldado raso e barbeiro militar Franz Woyzeck.
A exploração sistemática do protagonista pela sociedade, acabando por empurrá-lo para a loucura e culminando no assassínio da sua companheira, Maria, é o centro da ação do texto.
A peça terá quatro récitas, quinta e sexta-feira, às 20h00, no sábado, às 19h00, e, no domingo, às 17h00.
Com cocriação e conceção plástica de Fernando Roussado e Filipe Andrade, a interpretar a peça estão Filipe Velez, Frederico Barata, Joana Manaças e Sérgio Coragem.
O desenho de luz é de Daniel Worm d’Assumpção, que também criou o espetáculo, os figurinos são de Miss Suzie e dos auéééu e no apoio à pesquisa estiveram David Antunes e Francisco Luís Parreira (Inúteis Conversas).