Os cantores Camané, Luísa Sobral, Mafalda Veiga, Rui Veloso, Marisa Liz e Ricardo Ribeiro estão entre os músicos que vão participar nos concertos “Fora de Tempo”, que vão celebrar Luís Represas nos coliseus de Lisboa e Porto, em abril.

De acordo com a promotora dos espetáculos, num comunicado divulgado esta terça-feira, irão subir ao palco do Coliseu do Porto, em 17 de abril, Ana Moura, Camané, Edu Miranda, João Pedro Pais, João Só, Jorge Cruz, Luísa Sobral, Mafalda Veiga, Mariana Nuñez, Marisa Liz, Miguel Nuñez, Ricardo Ribeiro, Rui Veloso, Stewart Sukuma e os músicos que, com Luís Represas, formavam os Trovante.

No concerto no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no dia 10 de abril, juntam-se ainda Os Quatro e Meia e Vitorino.

Luís Represas morreu em 22 de julho deste ano, aos 69 anos. O músico, cuja carreira se iniciou nos Trovante, tinha marcado concertos de celebração dos 50 anos de carreira para os Coliseus de Lisboa e do Porto, que após a sua morte se transformaram em eventos para lembrar Luís Represas.

Mantendo os concertos, “concretizam-se um desejo e um princípio muito repetidos nas últimas semanas: o de não deixar silenciar, não permitir que se remeta para o esquecimento, uma obra singular, que mudou e moldou os caminhos da Música Portuguesa”, disse a promotora dos espetáculos, em agosto, em comunicado.

Como foi anunciado na mesma ocasião, “o mapa musical” dos concertos para celebrar Luís Represas “continuará a ser o mesmo [que seria o dos concertos em que o músico iria assinalar os 50 anos de carreira], na essência, mas desta(s) vez(es) as visitas serão guiadas por aqueles que fazem questão de pegar no testemunho com mãos ambas”.

A direção musical dos concertos estará a cargo de Manuel Faria, “presente e ativo no Trovante e no caminho a solo de Represas”, com o apoio de Carlos Garcia, “nuclear nos tempos mais recentes do cantor”, e Miguel Nuñez, “o pianista cubano que também andou várias vezes lado a lado com Luís”.

A carreira de Luís Represas, iniciada em 04 de agosto de 1976, data oficial da formação dos Trovante, está dividida “em dois lados, embora um contamine fortemente o outro”, disse o músico em entrevista à Lusa, em maio, quando foram anunciados os concertos.

“A primeira fase é a do aparecimento do Trovante, em 1976. E [de] toda essa fase, até 1992, a história já foi mais do que contada, está mais do que contada: fizeram-se espetáculos [o grupo voltou a juntar-se ao vivo algumas vezes, a última das quais em março deste ano], onde a história se contou ainda mais”, disse, na altura.

Desde o final dos Trovante até hoje, “vem uma história que se calhar não foi tão contada, mas foi muito vivida”.

Era sobretudo nesses anos, a solo, que iriam incidir os espetáculos nos coliseus.

Luís Represas nasceu em Lisboa em 1956 e, pouco antes de completar 20 anos, fundou os Trovante com os amigos João Gil, Manuel Faria, Artur Costa e o irmão João Represas. Um ano depois, saiu o álbum “Chão Nosso”.

Esse disco de estreia assinalou a identidade musical do grupo, fortemente influenciado pela música de cariz popular e tradicional e pelo rock.

Os Trovante – nome que remete para uma antiga designação dos trovadores que cantavam e compunham trovas – permaneceriam ativos até aos anos 1990, editando, por exemplo, álbuns como “Baile no Bosque” (1981), “Cais das Colinas” (1983), “Terra Firme” (1987) e “Um Destes Dias” (1990).

Depois da separação, reuniram-se algumas vezes, nomeadamente em 1999, em 2006, em 2017 e no passado mês de março.

Luís Represas lançou-se a solo em 1993, com o álbum “Represas”, fruto de uma viagem a Cuba, onde foi gravado, e onde tocou com vários músicos, entre os quais Pablo Milanés (1943-2022).

Com músicas como “Fora de Tempo”, “Neva sobre a marginal” e “Feiticeira”, este álbum foi fundamental no seu percurso, como contou à agência Lusa em maio.

Em 1996, editou “Cumplicidades”, álbum que contou com a colaboração do pianista Bernardo Sassetti (1970-2012). Seguiram-se “A hora do lobo” (1998), “Código Verde” (2000), “Reserva Especial” (2001) e “Fora de Mão” (2003).

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

Em 2008 voltou a editar um álbum gravado na íntegra em Cuba, “Olhos nos olhos”, e em 2011 juntou-se a João Gil, cúmplice dos Trovante, para um álbum conjunto: “Luís Represas e João Gil”. Depois, editou “Cores” (2014), “Boa hora” (2018) (distinguido pela Sociedade Portuguesa de Autores), “Miragem” (2024) e vários álbuns ao vivo.

Da história de Luís Represas faz parte ainda o apoio à independência de Timor-Leste. A canção “Timor”, com música de João Gil e letra de João Monge, que vinha do álbum do grupo “Um destes dias”, voltou a juntar os Trovante em 1999 e transformou-se num dos principais temas da luta que levou à independência timorense. A letra viria a ser traduzida para tetum, por Xanana Gusmão.

Represas foi convidado pelo então Presidente português Jorge Sampaio para o acompanhar na visita oficial a Timor-Leste, em 2000. Em 2016, foi condecorado com a Medalha da Ordem de Timor-Leste pelo então Presidente, Taur Matan Ruak. Em 2005, foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem de Mérito – grau de Comendador.

Ao longo da carreira, Luís Represas trabalhou com músicos como Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma, Phil Collins, Compay Segundo, Gilberto Gil e Carlinhos Brown, entre muitos outros.

Represas também enveredou pela restauração, tendo liderado a gestão de um bar-restaurante em Lisboa, o Xafarix, editou um livro infantil, “A coragem de Tição”, e apresentou o programa de televisão “Língua Mãe”.