O prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina de 2026 foi atribuído aos cientistas Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel, anunciou esta segunda-feira o secretário-geral do Comité Nobel, Thomas Perlmann, em Estocolmo, na Suécia.
Os neurocientistas foram distinguidos pelas “descobertas que levaram à optogenética, uma técnica que permite ativar ou desativar a atividade de células nervosas individuais no cérebro” — um método que já é utilizado em laboratórios para desvendar os mistérios do cérebro, adiantou o Comité Nobel, destacando as descobertas que os cientistas fizeram “sobre canais iónicos fotossensíveis e optogenética”. A ténica usa a luz para controlar a atividade das células cerebrais, como os neurónios.
“A optogenética alterou fundamentalmente a nossa compreensão do cérebro. A cada dia surgem novas descobertas, ajudando a desvendar um dos grandes mistérios da humanidade: como o nosso incrível cérebro funciona”, realça o Comité Nobel.
To understand how the brain forms memories, feelings and behaviours has long been a dream for researchers.
Karl Deisseroth, Peter Hegemann and Georg Nagel have been awarded the 2026 #NobelPrize in Physiology or Medicine for discoveries leading to optogenetics, which makes it… pic.twitter.com/eIf5LOZBLI
— The Nobel Prize (@NobelPrize) October 5, 2026
A optogenética é “um método que nos permite mostrar como as células nervosas moldam memórias, emoções e comportamentos no cérebro vivo“, explicou o comité Nobel. Utilizando a optogenética, os investigadores conseguiram revelar circuitos neurais que regulam memórias, sentimentos e comportamentos específicos, “relevantes para distúrbios neurológicos e psiquiátricos”. Na medicina clínica atual, a optogenética está a ser utilizada para restaurar a visão em pessoas com deficiência visual.
“A optogenética oferece oportunidades para mapear o cérebro de uma forma que antes só podíamos sonhar”, afirma Per Svenningsson, presidente do Comité Nobel de Fisiologia ou Medicina, citado no comunicado divulgado esta segunda-feira.
Peter Hegemann e Georg Nagel descobriram uma proteína “extraordinária, a canalrodopsina”. Já Karl Deisseroth “transformou essa proteína num interruptor controlado por luz para células nervosas”, sublinhou o comité Nobel, salientando que “os laureados lançaram as bases para uma nova era na neurociência”.
Os laureados tinham sido já premiados, em 2013, com o Prémio Brain, pela invenção da optogenética.
Os três neurocientistas distinguidos com o Nobel vão receber 12 milhões de coroas suecas (cerca de 1,06 milhões de euros). Este ano, a Fundação Nobel decidiu aumentar o valor do prémio Nobel em 9% para comemorar o 125º aniversário dos prémios Nobel, atribuídos pela primeira vez em 1901.