Uma série de fotografias históricas, até então desconhecidas, do pintor austríaco Gustav Klimt (1862-1918), bem como um manuscrito inédito redigido pelo próprio artista, passaram a integrar o acervo da Fundação Klimt, em Viena, Áustria.
Trata-se de um “acontecimento científico excecional”, destacou a direção da entidade ao anunciar, através de um comunicado divulgado na quarta-feira, a doação proveniente de uma coleção privada.
As peças cedidas, ligadas à fase inicial do percurso do grande expoente do modernismo vienense (Jugendstil), fornecem dados fundamentais para a reconstrução de processos criativos e obras pictóricas que foram parcialmente destruídas durante o século XX, pode ler-se.
O conjunto inclui reproduções de pinturas decorativas executadas entre 1883 e 1891 pela chamada Künstler-Compagnie, um atelier coletivo formado pelo famoso autor de O Beijo, o seu irmão Ernst e o seu colega Franz Matsch.
Grande parte destas peças tem a assinatura de Josef Löwy, um célebre fotógrafo da corte do então Império Austro-Húngaro.
Entre os itens mais singulares, destaca-se uma fotografia, tirada por volta de 1892, do auditório teatral do Palácio Esterházy, na cidade de Tata, no oeste da Hungria.
Nas margens do documento, encontram-se orientações técnicas escritas à mão pelo próprio Klimt para a realização de uma nova perspetiva fotográfica.
▲ Auditório teatral do Palácio Esterházy, na cidade de Tata, no oeste da Hungria, com as anotações de Klimt
Fundação Klimt
Este material serviu de esboço composicional para uma das suas célebres pinturas a óleo sobre tela, datada de 1893.
A isto juntam-se trabalhos de decoração para o Teatro Municipal de Reichenberg (Liberec, no norte da República Checa) e outros concebidos por Ernst Klimt para o Museu de História da Arte (KHM), em Viena.
Os resultados de uma análise minuciosa dos documentos doados serão apresentados num simpósio internacional agendado para o próximo ano.
“Os donativos provenientes de coleções particulares são raros e representam sempre um acontecimento extraordinário para a ciência“, destacou a instituição no comunicado.
A Fundação Klimt de Viena é uma entidade privada sem fins lucrativos, constituída em 2013 por iniciativa de Ursula Ucicky (1922-2025), viúva de Gustav Ucicky (filho ilegítimo de Gustav Klimt), com o objetivo de preservar, estudar e divulgar o legado artístico do célebre artista.
A instituição mantém uma importante coleção de pinturas a óleo, desenhos, autógrafos e fotografias históricas, atuando, ao mesmo tempo, como um centro de investigação interdisciplinar independente.