A Samsung Electronics divulgou esta quinta-feira um lucro líquido de 75,1 biliões de wons (50.544 milhões de euros) no terceiro trimestre de 2026, graças à forte procura global de semicondutores no contexto do boom da inteligência artificial (IA).

Este valor representa um aumento de 514,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o lucro líquido da gigante sul-coreana foi de 12,2 biliões de wons (8.214 milhões de euros), conforme detalhado pela fabricante de chips de maior capitalização num resumo dos resultados.

O lucro operacional da gigante tecnológica atingiu um máximo histórico de 107,4 biliões de wons (72.342 milhões de euros) entre julho e setembro, valor que compara com 12,2 biliões de wons (8.214 milhões de euros) alcançados no mesmo período do ano passado, o que representa um aumento de 783%, quase nove vezes acima do valor registado no mesmo período do ano passado.

O volume de negócios do terceiro trimestre atingiu, por sua vez, 195,2 biliões de wons, ou seja, 131 mil milhões de euros.

A divisão de memórias registou “um novo trimestre recorde graças à boa gestão do seu portfólio de produtos, com ênfase nos produtos relacionados com a IA, apesar das limitações de capacidade”, sublinhou a Samsung num comunicado.

“A forte dinâmica da procura de servidores levou a um aumento dos preços de mercado em todos os setores”, destacou ainda a gigante sul-coreana.

Os chips de memória de ponta fabricados, entre outros, pela Samsung beneficiam de uma procura global crescente, sendo essenciais para os centros de dados dedicados à IA. Uma verdadeira fonte de receitas para este fabricante de chips e os seus rivais, apesar das preocupações quanto a uma possível sobrevalorização do setor.

Apesar dos resultados, as ações da empresa registaram esta quinta-feira uma queda em bolsa, num contexto de preocupações persistentes quanto a uma possível sobrevalorização do setor.

A Samsung Electronics é o maior fabricante mundial de chips de memória. Os chips de última geração que a empresa e os poucos rivais produzem são atualmente alvo de grande procura, uma vez que são necessários para os centros de dados dedicados à IA, em pleno desenvolvimento.

As ações da empresa estavam esta quinta-feira a cair mais de 5% na bolsa de Seul, com os analistas a apontarem também o facto da gigante sul-coreana não ter conseguido atingir as previsões do mercado relativamente ao lucro operacional da divisão de semicondutores, o que desapontou os investidores, segundo a Bloomberg.

O diretor financeiro da Samsung, Park Soon-cheol, afirmou esta quinta-feira numa teleconferência esperar “um crescimento sem precedentes da procura de memórias em 2027”. Mas “prevemos dificuldades em aumentar a produção a curto prazo através de novas capacidades”, advertiu também.

O grupo Samsung Electronics prevê ainda, tal como anunciado em agosto, um programa de recompra de ações, que poderá atingir 74 mil milhões de euros, o maior da história da Coreia do Sul.

A Samsung, a rival sul-coreana SK hynix e a gigante norte-americana Micron dominam o mercado mundial de HBM (High Bandwidth Memory, ou memória de largura de banda muito elevada), uma geração avançada de componentes utilizados em semicondutores de ponta, nomeadamente para aplicações de inteligência artificial e centros de dados.

A forte procura, nomeadamente por componentes deste tipo, repercute-se nos preços, que estão a subir, o que sustenta o crescimento da Samsung.