Momentos-chave
Histórico de atualizações
  • Este liveblog do terceiro dia de julgamento Anjos vs Joana Marques fica por aqui, obrigada por nos ter acompanhado.

  • Se Joana Marques for condenada "sofrem todos os que tiverem a mesma profissão e qualquer cidadão"

    Ricardo Araújo Pereira afirma que se Joana Marques for condenada no processo movido pela dupla Anjos fará com que sofram “todos os que tiverem a mesma profissão da Joana” e também “qualquer cidadão”.

    “Não me escapa o ridículo de agora ser aparentemente uma espécie de comentador oficial deste assunto”, diz o humorista na SIC Notícias, que prestou declarações hoje no julgamento. Mas afirma que prefere “o ridículo” a “estar calado”.

    Ricardo Araújo Pereira refere que “a questão é que [sentir-se ofendido] não pode servir para definir se as coisas podem ou não ser ditas”. “As pessoas ofendem-se com várias coisas: com um silêncio, rejeição, às vezes um facto, a verdade pode ofender”, diz.

    O humorista nota que está habituado a falar sobre os limites do humor. “Estava habituado a responder a essa questão com Maomé, Jesus Cristo, coisas de algum modo sagradas. Agora estamos a discuti-lo sobre a interpretação de dois cantores numa pista de motas”, ironiza.

    “Sinto que se está a estreitar o garrote”, diz o humorista. Na SIC Notícias também afirma que a advogada dos Anjos lhe atribuiu declarações que não proferiu, que alegadamente teriam sido proferidas num podcast.

    “O humorista é uma profissão que não tem responsabilidade nenhuma. Eu não tenho responsabilidade nenhuma”, argumenta o humorista. “Tentar impor uma ética a isso é uma espécie de diácono-remedização da profissão”, referindo-se à personagem Diácono Remédios, de Herman José.

    Ricardo Araújo Pereira afirma ainda que tem visto “exagero a reação ao humor”, dando como exemplo a condenação de oito anos do humorista brasileiro Léo Lins.

  • Anjos vs Joana Marques. Num terceiro dia com faturação e contas em tribunal, Ricardo Araújo Pereira e Fernando Alvim defenderam o humor

    A terceira sessão do julgamento que opõe os irmãos Rosado à humorista teve casa cheia. Alvim defendeu que o vídeo é “exercício de humor”, RAP que as “consequências são incontroláveis”.

    Anjos vs Joana Marques. Num terceiro dia com faturação e contas em tribunal, Ricardo Araújo Pereira e Fernando Alvim defenderam o humor

  • Sessão terminou. Próxima fica marcada para 11 de julho — e Joana Marques vai depor

    A terceira sessão do julgamento do caso Anjos vs Joana Marques terminou. “Feita com muito sacrifício, esperemos que dia 11 não esteja tanto calor”, comentou a juíza, terminando a audiência.

    A próxima sessão fica marcada para 11 de julho, a poucos dias das férias judiciais. Nessa audiência, que deverá começar às 10h, os trabalhos começam com o depoimento de Pedro Taborda (Tatanka). Segue-se depois a vez de Joana Marques.

  • Defesa de Joana Marques faz requerimento para que a humorista deponha. Advogadas de Anjos pedem a juíza para que a humorista não seja ouvida

    Finda a sessão, a defesa de Joana Marques fez um requerimento para que a humorista deponha em tribunal. No entanto, a equipa de advogadas de Sérgio e Nelson Rosado logo rebateu pedindo o indeferimento do requerimento — isto é, pedindo para que Joana Marques não preste declarações.

    Segundo a advogada dos Anjos, “no primeiro dia a própria ré, em conferência de imprensa, dizia que pretendia prestar declarações”, mas optou por não o fazer, deixando-se ficar para ouvir tudo o que todas as testemunhas tinham a dizer. “Não se compreende”, disse a advogada da banda.

    No entanto, no entender da juíza, “o requerimento é oportuno”. “Não é intempestivo”, continua. “Pode pedir as declarações até ao início das alegações finais. Pode escolher o momento em que pede para prestar essas declarações”, esclarece. “Em segundo lugar”, continua, “declarações de parte, por definição, é parcial, se a lei permite as declarações de parte, permite que dê ao tribunal a sua perspetiva”.

  • Termina de depor António José Pereira Gomes com críticas à imprensa: "Estão focados no negativismo, parece que os Anjos são o demónio"

    António José Pereira Gomes é dispensado, não sem antes criticar a cobertura noticiosa do julgamento. “Há dois ou três órgãos que até parece que estão focados no negativismo, parece que os Anjos são o demónio”, acusa o representante da empresa Senhores do Ar.

  • "Não estariamos aqui se a Joana Marques tivesse percebido que estava a causar danos a uma banda e uma agência"

    Depois de os ânimos se terem exaltado em virtude da linguagem jurídica utilizada nas perguntas dirigidas ao responsável pela Senhores do Ar — levando António José Pereira Gomes a responder “eu não sou jornalista” — o representante da empresa diz que ainda “há mais” além do vídeo publicado no Instagram pela humorista. “A Joana Marques usava o vídeo nos espetáculos ao vivo”, afirma Gomes, notando que “a última vez foi no Coliseu do Porto”.

    Juíza: O senhor estava lá ou contaram-lhe?
    António José Pereira Gomes: Pedi a uma pessoa para ir lá filmar.
    J: E viu o vídeo?
    A: Vi o vídeo depois.

    O empresário diz que “não estaríamos aqui se a Joana Marques tivesse percebido que estava a causar danos a uma banda e uma agência”.

  • “Quantas bandas agencia?”, questiona agora o advogado de Joana Marques, dirigindo-se a António José Pereira Gomes, que depõe desde as 15h.

    O responsável pela empresa Senhores do Ar diz que tem “de as contar” e prossegue a contá-las com os dedos. A juíza pergunta então se são mais de dez. “Devem ser à volta de dez”, contesta Gomes.

    Questionado pelo advogado de Joana Marques, o profissional diz que os Anjos são “a segunda banda que mais fatura na agência”.

  • Segundo o responsável da Senhores do AR, que gere a marcação e produção de concertos dos Anjos, os irmãos Rosado “ainda estão a pagar a fatura lá de trás”, diz, referindo-se ao incidente em 2022 que conduziu a este julgamento.

    “Sei da credibilidade que os Anjos têm, como profissionais, como pessoas, mas o que é certo é que não fecharam as datas [dos concertos]”, afirma António José Pereira Gomes, interrogado há quase uma hora pela equipa jurídica do grupo de música pop.

    Advogada dos Anjos: Qual foi a causa principal para [os Anjos] não fecharem as datas?
    António José Pereira Gomes: Se estamos num período de crescimento e só há um episódio negativo…
    Advogada: Qual episódio?
    António José Pereira Gomes: O da Joana Marques.

  • Aviões a passar, pastilhas elásticas e litros de água

    A juíza adverte para o avião que passa, interrompendo o depoimento do empresário da Senhores do Ar por alguns segundos. Daniel Leitão aproxima-se da ré, Joana Marques, com mais garrafas de água. Timi Montalvão, produtora dos Anjos, dá-lhes o que aparenta ser uma embalagem de pastilhas elásticas. A sala está mais vazia.

  • Com concertos cancelados em Monte Gordo, Pedrógão e em discoteca no Algarve "pararam as solicitações", diz representante da Senhores do Ar

    O representante legal da empresa Senhores do Ar continua a ser questionado pela equipa jurídica dos Anjos. António José Pereira Gomes diz não ter dúvidas que foi por causa do vídeo publicado por Joana Marques que os Anjos viram uma série de espetáculos cancelados em 2022. Fala de concertos em Monte Gordo, Pedrógão e de um numa discoteca no Algarve — só este último deveria render à dupla de cantores 17.500 euros mais IVA.

  • “Tínhamos concertos em França e no Luxemburgo que acabaram por cair e ainda hoje pagamos a fatura por este assunto”

    “O cachet justo dos Anjos seria de 25 mil euros. Estamos neste momento com 20 mil. Estamos 5 mil euros abaixo [do que seria justo]”, lamenta António José Pereira Gomes, que explica que a empresa que representa recebe 10% líquidos da faturação dos concertos da dupla.

    “Tínhamos concertos em França e no Luxemburgo que acabaram por cair e ainda hoje pagamos a fatura por este assunto”, continua. “Tentámos produzir os espetáculos [cancelados], mas não correu bem”, admite.

    No ecrã na sala de audiências mostram-se documentos de contratos cancelados. Um deles pressupunha o pagamento de 14 mil euros, mais IVA.

  • "Quanto dinheiro da sua empresa deixou de ganhar?", pergunta juíza. "Objetivamente não se faz contas", diz representante da Senhores do Ar

    Questionado pela juíza sobre os prejuízos para a empresa, António José Pereira Gomes diz que o “incidente foi pejorativo sobre a imagem” e “prejudicial na carreira”, tanto dos Anjos como da Senhores do Ar.

    António José Pereira Gomes: Se eles não trabalham eu não ganho.
    Juíza: Deixou de ganhar dinheiro?
    AJPG: Deixei. A senhora Joana Marques foi à Júlia, na SIC, e no dia a seguir foi-me cancelado um espetáculo que tinha sido confirmado pelo agente. E a Câmara cancelou. É coincidência.
    Juíza: Quanto dinheiro da sua empresa deixou de ganhar?
    AJPG: Objetivamente não se faz contas. Porque quando se faz contas o prejuízo é muito maior do que a perda de contratos.

  • As garrafas de água vazias amontoam-se pelas mesas das equipas jurídicas. Sérgio Rosado bebe água, enquanto Nelson usa uma ventoinha portátil para combater o calor. Joana Marques, de esferográfica em riste, escreve continuamente num bloco de notas.

  • Terminado o depoimento de Fernando Alvim, depõe agora o representante legal da empresa Senhores do Ar

    Em 40 minutos, o depoimento de Fernando Alvim chega ao fim. Depõe agora António José Pereira Gomes, legal representante da empresa Senhores do Ar. Além da dupla, estão também envolvidas no processo duas empresas: a muito referida Angel Minds e a Senhores do Ar II, fundada pelos irmãos para gerir a marcação e produção de concertos.

  • "A Joana Marques é humorista e aquilo que está ali a fazer é um exercício de humor", diz Alvim

    Como tem sido habitual, o tema surge: os limites do humor. “A Joana Marques é humorista e aquilo que está ali a fazer é um exercício de humor”, afirma Fernando Alvim, diante da juíza. “Honestamente quando vi eu achei graça, achei divertido, não imaginei que aquele post originasse todo este processo. Acho que todos nós podemos defender essa liberdade de expressão.”

    TERESA DIAS COSTA/OBSERVADOR

    Ilustração de Teresa Dias Costa

  • A sequência de humoristas portugueses que vai marcando presença nas sessões continua. Desta vez é Cátia Domingues, humorista e guionista de Isto É Gozar com Quem Trabalha, que assiste à audiência.

  • Fernando Alvim: "Este processo vem chamar a atenção para um momento que hoje em dia já ninguém se iria recordar"

    O radialista Fernando Alvim continua a ser interrogado pela equipa de advogados da dupla de cantores.

    Fernando Alvim: Acho que eles estão magoados. Acho que estão muito magoados.
    Advogada dos Anjos: Lesados. Lesados.
    Alvim: Como assim?
    Advogada: Lesados, financeiramente, na sua reputação, na sua imagem. Acha que eram pessoas para vir intentar uma ação se não tivessem sido lesados financeiramente?
    Alvim: [Suspiro] Eu acho que foi um ato isolado numa carreira longa. Acho que este processo no fundo vem chamar a atenção para um momento que hoje em dia já ninguém se iria recordar.
    Advogada: Acha que eram pessoas para vir a tribunal reclamar danos se não fossem pessoas lesadas?
    Alvim: Acho que estão magoados.
    Advogada: Acham que eram pessoas para vir reclamar?
    Alvim: Quero acreditar que não.
    Advogada: Está aqui sob juramento. Sei que também é amigo da senhora Joana marques, mas peço-lhe que seja honesto.

  • Advogada de Anjos discorda de Alvim sobre aparecer nos Monstros do Ano. "Ser comparado a uma Maria Leal não é o momento alto de uma banda"

    A advogada de Sérgio e Nelson Rosado questiona Fernando Alvim se, antes deste episódio, a dupla de cantores alguma vez tinha estado nomeada à gala Monstros do Ano. O animador de rádio diz que, em 17 anos, não se recorda. A advogada e o radialista discordam depois sobre se é “bom” ou “mau” figurar na dita gala. “Ser comparado a uma Maria Leal não é o momento alto de uma banda”, atira a advogada.

  • Alvim: "O fundamento [para usar o vídeo] foi haver comicidade. Para os Anjos possivelmente não haveria, mas para nós houve"

    É agora a vez da equipa de advogadas de Sérgio e Nelson Rosado questionar Fernando Alvim sobre a utilização do vídeo em que a dupla canta o Hino Nacional.

    “O fundamento foi haver comicidade. Para os Anjos possivelmente não haveria, mas para nós houve. Há dificuldade técnicas, houve um desajuste, e o resultado é aquele”, diz. Sobre o vídeo, diz: “não manipulei absolutamente nada”.

    A advogada questiona o radialista se não foi o facto de o vídeo ter sido publicado por Joana Marques que o levou até à nomeação à cerimónia de prémios. Alvim rebate: “Ele já ia muito bem lançado”, provocado alguns risos na audiência. Alvim retoma a palavra: “Eu já conhecia o vídeo antes de a Joana ter pegado nele”.

1 de 4