Momentos-chave
- "Tarifas, sobretudo se houver retaliação, não são, de todo, uma coisa boa"
- "Ninguém se opôs" no Conselho do BCE a esta descida de 25 pontos-base. Austríaco absteve-se
- Lagarde não abre o jogo sobre possível "pausa" na descida dos juros
- Indústria dá, finalmente, sinais melhores, mas Lagarde vê maior incerteza no investimento
- Previsão de inflação para 2025 revista em alta mas "o processo de desinflação está bem encaminhado", diz Lagarde
- BCE vê "desafios contínuos" na economia e baixa projeções
- "Política monetária está a tornar-se significativamente menos restritiva". BCE sinaliza possível "pausa" na descida dos juros
- BCE confirma corte de mais 25 pontos-base na taxa de juro, para 2,5%
- BCE deve baixar juros para 2,5%. É "restritivo"?
Histórico de atualizações
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Este liveblog fica por aqui. Obrigada por ter seguido com o Observador as decisões e a conferência de imprensa do BCE.
Pode rever no texto que acabámos de publicar.
Boa tarde
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BCE vê menos espaço para que as taxas de juro continuem a cair. Mercados preveem 2% no fim do ano
Christine Lagarde fez mudança importante na orientação dada aos mercados financeiros, deixando de dizer claramente que os juros vão continuar a baixar. Navegação será à vista, diz a líder do BCE.
BCE vê menos espaço para que as taxas de juro continuem a cair. Mercados preveem 2% no fim do ano
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"Tarifas, sobretudo se houver retaliação, não são, de todo, uma coisa boa"
A presidente do BCE diz que “é sabido que as tarifas, sobretudo se houver retaliação, não são, de todo, uma coisa boa”.
Lagarde sublinha que taxas aduaneiras no comércio internacional “têm um efeito líquido negativo em praticamente todas as suas consequências”.
As tarifas até são negativas mesmo antes de serem anunciadas, porque só o risco de haver tarifas já é algo que trava o investimento e a criação de emprego”, afirma a presidente do BCE.
Estas são as posições “pessoais” de Christine Lagarde mas que, segundo a própria, são partilhadas pelos outros membros do Conselho do BCE. O comentário surgiu perto do final da conferência de imprensa, que terminou pouco depois das 14h35 (hora de Lisboa).
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Investimento da UE e da Alemanha podem suportar o crescimento (mas, também, a inflação)
Os planos de investimento público anunciados nos últimos dias pela União Europeia e, também, na Alemanha podem suportar o crescimento (mas, também, a inflação). Esses possíveis investimentos, em áreas como a defesa e as infraestruturas, são “um trabalho em curso” e, por isso, o BCE ainda não consegue avaliar exatamente que consequências esses planos podem ter na economia europeia.
“Temos de estar atentos, vigilantes, perceber como vão funcionar [esses investimentos], como será feito o financiamento, para depois podermos avaliar o impacto no crescimento e na inflação”, afirma Lagarde. “Tudo dependerá dos detalhes, qual será o timing, como será o financiamento”, termina Lagarde.
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"Ninguém se opôs" no Conselho do BCE a esta descida de 25 pontos-base. Austríaco absteve-se
“Ninguém se opôs” no Conselho do BCE a esta descida de 25 pontos-base na taxa de juro, para 2,5%, afirmou Christine Lagarde.
Houve uma abstenção na votação final, por parte do austríaco Holzmann, mas de resto a decisão foi “consensual”, diz a presidente do BCE, descrevendo o debate (e votação) num detalhe maior do que é habitual no banco central da zona euro.
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Lagarde não abre o jogo sobre possível "pausa" na descida dos juros
Questionada pelos jornalistas na conferência de imprensa, Christine Lagarde não abre o jogo sobre um possível “pausa” na descida dos juros – potencialmente mantendo os juros inalterados na próxima reunião, em abril.
“Sobretudo nestas condições de maior incerteza, iremos tomar decisões de forma dependente dos dados, reunião a reunião”, afirma a presidente do BCE, lembrando os seis cortes das taxas de juro que já foram feitos e alegando que estes estão a ajudar a aumentar a concessão de crédito.
“Não nos comprometemos antecipadamente” com qualquer decisão sobre os juros, sublinha a presidente do BCE, reconhecendo, no entanto, que a introdução da expressão mais importante deste comunicado (“política significativamente menos restritiva”) “não é inócua, tem um certo significado”.
A generalidade dos analistas interpreta essa mudança como um sinal de que o BCE pode interromper, para já, a descida dos juros. Mas Lagarde recusa alimentar essa leitura, salientando que “a incerteza é enorme e as coisas mudam de dia para dia”.
“Se os dados indicarem que um corte é adequado, iremos cortar. se não iremos fazer uma pausa”, rematou.
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Indústria dá, finalmente, sinais melhores, mas Lagarde vê maior incerteza no investimento
A presidente do BCE diz que a “economia europeia cresceu modestamente no quarto trimestre” e “nos primeiros meses de 2025 viu-se a continuação dos mesmos padrões”. Ainda assim, Christine Lagarde destaca que, no setor industrial, alguns indicadores (sondagens de empresários) estão a dar sinais animadores.
Por outro lado, o setor dos serviços continua “resiliente”, ainda que a “confiança do consumidor permaneça frágil e a poupança esteja em níveis elevados”. “O crescimento do consumo deve ser suportado pelo aumento dos rendimentos reais e pela descida das taxas de juro”, diz Christine Lagarde.
Contudo, a economia europeia tem riscos que “pendem para o lado negativo”, afirmou Lagarde, destacando a “incerteza comercial” associada à administração Trump nos EUA e a “incerteza geopolítica”. A presidente do BCE reconhece que o risco de tarifas elevadas no comércio com os EUA está a penalizar o investimento “mais do que o previsto” anteriormente.
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Previsão de inflação para 2025 revista em alta mas "o processo de desinflação está bem encaminhado", diz Lagarde
Repetindo a formulação que vem utilizando nas últimas conferências de imprensa, a presidente do BCE afirma, na habitual conferência de imprensa em Frankfurt, que “o processo de desinflação está bem encaminhado“.
Christine Lagarde diz que “a inflação continuou a desenvolver-se, largamente, como os economistas [do BCE] esperavam, e as últimas projeções estão em linha com a perspetiva de inflação anterior”.
Nas novas projeções, divulgadas nesta quinta-feira, o BCE prevê uma inflação média de 2,3% em 2025, 1,9% em 2026 e 2,0% em 2027. “A revisão em alta da inflação para 2025 reflete uma dinâmica mais forte nos preços da energia”, explica a responsável.
Para a chamada “inflação subjacente”, que exclui os preços da energia e dos alimentos não-processados, os BCE projeta uma média de 2,2% em 2025, 2,0% em 2026 e 1,9% em 2027. “A maioria das medidas de inflação subjacente sugere que a inflação estabilizará em torno do objetivo de médio prazo de 2% do Conselho do Governador numa base sustentada”, diz Lagarde.
“A inflação interna continua elevada, principalmente porque os salários e os preços em certos setores ainda estão a ajustar-se ao aumento inflacionista passado [de 2022, 2023] com um atraso substancial”, afirma o BCE, salientando, porém, que “o crescimento dos salários está a moderar-se, como era esperado, e os lucros estão a amortecer parcialmente o impacto na inflação”.
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BCE vê "desafios contínuos" na economia e baixa projeções
No mesmo comunicado, o BCE diz que a economia enfrenta “desafios contínuos” e, nesse contexto, os economistas fizeram mais uma revisão em baixa das projeções de crescimento.
De acordo com as novas projeções, divulgadas nesta quinta-feira, o BCE prevê que a economia europeia cresça 0,9% em 2025, 1,2% em 2026 e 1,3% em 2027.
As revisões em baixa para 2025 e 2026 refletem a previsão de exportações mais reduzidas e uma contínua fraqueza no investimento, em parte originadas pela elevada incerteza da política comercial, bem como pela incerteza política global”, afirma o BCE.
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"Política monetária está a tornar-se significativamente menos restritiva". BCE sinaliza possível "pausa" na descida dos juros
Na parte mais importante do comunicado do BCE, lê-se que a “política monetária está a tornar-se significativamente menos restritiva“, o que é o comentário mais aguardado por parte dos analistas.
A formulação escolhida pelo BCE não abandona a referência a um nível “restritivo” da atividade económica mas, porém, o facto de se dizer que em 2,5% a política monetária já está “significativamente menos restritiva” pode ser lido como uma pista de que o BCE poderá caminhar para fazer uma “pausa” na descida dos juros.
“Os cortes nas taxas de juro estão a tornar os novos empréstimos menos dispendiosos para as empresas e as famílias e o crescimento dos empréstimos está a acelerar”, afirma o BCE, contrapondo, porém, que os aumentos anteriores das taxas de juro “ainda estão a ser repercutidos no stock de crédito” e a “atividade de crédito continua limitada”, em traços gerais.
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BCE confirma corte de mais 25 pontos-base na taxa de juro, para 2,5%
O BCE anunciou oficialmente mais um corte de 25 pontos-base na taxa de juro, para 2,5%, regressando ao nível em que as taxas de juro estavam em fevereiro de 2023.
A decisão coincidiu com a expectativa consensual entre os analistas, havendo maior incerteza sobre a forma como a presidente do BCE, Christine Lagarde, irá enquadrar o atual nível das taxas de juro na conferência de imprensa que começa dentro de cerca de 30 minutos.
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Fragilidade da economia deve levar BCE a continuar a cortar juros
“O crescimento da zona euro continua a ser desfavorável, apesar dos indícios de recuperação na Alemanha, a maior economia da região”, salienta o diretor de investimento global em obrigações, Michael Krautzberger, da Allianz GI. “Os mercados antecipam mais cortes pelo BCE até junho, situando a taxa dos depósitos para os 2%”, prevê o economista.
Martin Wolburg, economista sénior da Generali Investments, também acredita que o BCE vai avançar com outro corte de 25 pontos base, tendo a expectativa de uma taxa final de 1,75%, provavelmente atingida em julho.
Apesar da expectativa de que as taxas vão chegar a julho abaixo dos 2%, é incerto em que momentos o BCE vai prosseguir a trajetória de redução, com dúvidas relativamente à reunião de abril.
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BCE deve baixar juros para 2,5%. É "restritivo"?
A previsão consensual entre os analistas é que vai haver mais um corte nas taxas de juro, de 25 pontos base, que irá levar a taxa de juro dos depósitos para 2,5%. A confirmar-se, será o sexto corte das taxas de juro desde junho de 2024, depois de se ter atingido um “pico” de 4%.
Os analistas vão estar especialmente atentos ao discurso de Lagarde e, em particular, a um ponto: irá a presidente do BCE considerar o novo nível, de 2,5%, uma taxa de juro que restringe a atividade económica? Ou vai abandonar essa designação, assumindo-se que o BCE já considera, então, que este é um nível “neutral” (ou seja, que nem restringe nem estimula a atividade económica).
Dada a recente tendência do BCE para revelar pouco em termos de orientação futura, acreditamos que o determinante para a reação do mercado será ver se a Presidente Lagarde continua a caracterizar a política monetária como ‘restritiva’. Isto é relevante porque um corte de 25 pontos base levará a taxa dos depósitos para 2,5%, que é o limite superior do intervalo daquilo que normalmente se considera uma taxa ‘neutra'”, afirmam os analistas do ING.
Para o banco neerlandês ING, “a referência ‘restritiva’ permanecerá em vigor por enquanto, o que pode ser recebido pelo mercado como um sinal moderadamente ‘dovish‘”, ou seja, um sinal de que pode haver mais cortes dos juros nos próximos meses.
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Boa tarde,
Abrimos este artigo liveblog para acompanhar, ao minuto, as decisões de política monetária do BCE e a habitual conferência de Christine Lagarde. A decisão sobre taxas de juro é anunciada às 13h15 (hora de Lisboa) e a conferência de imprensa tem início previsto meia hora depois, pelas 13h45.
Muito obrigado por nos acompanhar.