Momentos-chave
- Marques Mendes critica quem diz que "a culpa é sempre dos imigrantes": "Não é justo"
- Marques Mendes promete tentar "evitar moções de censura e confiança" e ajudar partidos a negociar Orçamentos
- Marques Mendes diz que "amigos" de Israel devem dizer ao país: "Há limites para tudo"
- Montenegro assume que não é um percurso "absolutamente linear" chegar a 5% do PIB em Defesa
- Luís Montenegro: "PS é essencial quando queremos firmar uma estratégia [de Defesa] de longo prazo"
- Montenegro entende que "estratégia nacional" será "tão mais credível quanto maior apoio político tiver"
- Montenegro alerta para guerras no ciberespaço, explicando que "atentam com os princípios de liberdade e soberania"
- António Filipe acusa Marcelo de ter feito "apelo ativo para que democracia chegasse ao estado a que chegou"
- António Filipe acusa Governo de "usar o crescimento da extrema-direita como pretexto para levar por diante agenda reacionária"
- António Filipe diz que candidatura tem "pés para andar" e "coração no sítio"
- Américo Aguiar diz que receber imigrantes sem capacidade é "desrespeito pela dignidade". E critica Ventura
- Américo Aguiar pede consensos políticos: "Os povos não podem esperar"
- Américo Aguiar lembra Trump e Bolsonaro para deixar avisos à AD: é preciso resolver problemas do cidadão comum
- Melo manda a recado a quem quer "entrar no clube da AD": "É uma fórmula experimentada, com formas diferentes não sei"
- Hugo Soares nega ser "o coveiro do não é não" e rejeita parceiros privilegiados, agradecendo a PS e Chega aprovação de propostas
- Hugo Soares diz que apelos do PS para recuperar dinheiro da TAP são "trágico-cómicos": "Deviam pedir desculpa"
- Núncio: AD tem de "derrotar PS nas autárquicas e retirá-lo da presidência da ANMP"
- Paulo Núncio diz que aprovação de medidas da imigração à direita é "natural": "PS não está disponível para retificar erros"
- Primeiro-ministro espera “maior consenso possível” na Defesa
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A cobertura da política nacional neste artigo em direto fica por aqui. Continue a acompanhar os desenvolvimentos desta terça-feira neste novo artigo.
Montenegro encerra as jornadas parlamentares do PSD em Évora
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Imigração omnipresente nas jornadas da AD: do "coveiro do não é não" aos avisos de Marques Mendes
Jornadas parlamentares da AD arrancaram com avisos e explicações sobre imigração (e geometrias com que alterações foram aprovadas). CDS mandou farpas à IL e apareceu com Marques Mendes, mas sem apoio.
Imigração omnipresente nas jornadas da AD: do “coveiro do não é não” aos avisos de Marques Mendes
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Marques Mendes critica quem diz que "a culpa é sempre dos imigrantes": "Não é justo"
Quarta dimensão, continua a enumerar Marques Mendes: a tolerância. “Precisamos todos de fazer um esforço para sermos uma sociedade tolerante, cada vez mais. Hoje há algum excesso, aqui ou acolá, de radicalismo. Devemos fazer a pedagogia da moderação. Não é um sinal de fraqueza, mas de maturidade”.
Distinguindo entre ação e discurso, Marques Mendes diz que era inevitável tomar medidas sobre uma “imigração descontrolada”. Argumenta que a imigração regulada é uma “grande oportunidade”, que as cidades e sociedades do futuro são “de abertura” e que não é verdadeiro dizer que a culpa dos problemas do país “é sempre dos imigrantes. Isso não é justo”.
“Vieram para Portugal porque as autoridades o permitiram. Temos de ter esta pedagogia, que é a da moderação, humanismo e solidariedade”, defende. Conclui dizendo que às vezes ouve dizer que “tudo isto é difícil” porque o país é pequeno e há poucos recursos. “Não nos devemos adaptar a esse discurso da pequenez”, pede, pedindo orgulho nas Histórias e capacidades do país. “Há que substituir muitas vezes a cultura da lamúria pela do orgulho”.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
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Marques Mendes promete tentar "evitar moções de censura e confiança" e ajudar partidos a negociar Orçamentos
Marques Mendes diz que também há sinais de esperança a valorizar na Europa.
Primeiro: a última cimeira da NATO, que trouxe um acordo de “importância capital”, sem a qual estaria a discutir-se a “implosão da NATO”, o que seria positivo para Putin. Reconhece que a meta a que se chegou é “difícil de atingir”.
Segundo: o acordo celebrado entre a UE e o Mercosul, uma “grande oportunidade” e “uma grande alternativa” para as empresas portuguesas.
Terceiro: a aproximação das relações entre UE e Reino Unido. “Muito importante que haja uma relação muito especial e intensa”.
“Há incerteza, há riscos, mas o tempo não é de cruzar os braços. Longe disso. É sobretudo de arregaçar as mangas. Em cada dificuldade temos de ver uma oportunidade de aguçar o engenho”, defende.
Depois fala em quatro dimensões importantes: a estabilidade, uma condição “necessária” para se ter sucesso — “hoje as condições de governabilidade são melhores, mas a estabilidade precisa ainda de ser assegurada. Não é por acaso que a Constituição fala num Governo de quatro anos. É a capacidade de poder planear e executar”. “Uma vez eleito PR, terei como uma das prioridades fundamentais a defesa da estabilidade, fazendo os possíveis para evitar moções de censura e de confiança e ajudando os partidos a negociar Orçamentos de Estado”. Para isso conta com a sua longa experiência política, defende.
Sobre a dimensão da “ambição”, diz que é preciso fazer a sua “pedagogia”. “Somos capazes, temos de apostar nas políticas de investimento, exportações, inovação, inteligência artificial”, vai enumerando. “O PR não governa, mas tem causas e eu tenho causas e uma magistratura de influência para ajudar o país a ter outra ambição”.
Sobre a justiça social, diz que o combate à pobreza e às desigualdades sociais deve ser uma prioridade e um desígnio nacional. Marques Mendes gostava de ver um Conselho de Ministros extraordinário sobre o combate à pobreza.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
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Marques Mendes diz que "amigos" de Israel devem dizer ao país: "Há limites para tudo"
Luís Marques Mendes chegou agora, ao jantar, para as jornadas parlamentares da Aliança Democrática, com um pormenor curioso — anunciado pelo speaker como “o próximo Presidente da República”, entra ao lado de Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, que apoia a candidatura, mas também do homólogo do CDS, Paulo Núncio, que ainda não se pronunciou sobre as presidenciais.
Começa por dizer que alguns dizem que chegou ao fim a ordem internacional criada após a Segunda Guerra Mundial, ou que existe uma nova. “Nem oito nem oitenta. Estamos a viver um estado de desordem, de transição para algo que ainda não conhecemos”, diagnostica.
Fala da “irrelevância das Nações Unidas”, dizendo que “já quase não nos lembramos de que existem” porque estão “impotentes” e isso é “uma das coisas mais perigosas que podem acontecer”. Sobre Gaza e o Médio Oriente, diz que há uma crise humanitária “arrepiante”, em grande medida com a “completa ausência de intervenção da comunidade internacional”, o que exige coragem.
“Os amigos devem ter coragem de dizer aos amigos, como Israel: há limites para tudo, e há limites que não devem ser ultrapassados e têm estado a sê-lo”. Fala também da situação na Ucrânia, deixando uma palavra de “fraternidade e solidariedade” — lembrando que Donald Trump dizia que a resolveria em 24 horas — e da “confusão total” de avanços e recuos na guerra comercial, um sinal “muito preocupante para o comércio livre e em favor do protecionismo”.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
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Montenegro assume que não é um percurso "absolutamente linear" chegar a 5% do PIB em Defesa
Luís Montenegro, num evento realizado pela SIC Notícias, reconhece que não acha “um percurso absolutamente linear” chegar a 5% do PIB como investimento em Defesa, pelo que admite que fez “tudo para aumentar mais cinco anos os anos necessários para atingir o objetivo e para haver um passo intercalar [em 2029]”.
“Temos um objetivo ambicioso, mais da execução material do que financeira. Se o objetivo fosse apenas executar financeiramente garantia já que chegávamos ao final do ano com 2%”, explica, argumentando que “o investimento na área de defesa é muito específico” e que “não há a garantia de ter folga orçamental todos os anos”.
O primeiro-ministro entende que nos próximos anos é preciso gestão que, a seu ver, deve ser feita “priorizando investimentos, não é cortando nos outros, e com capacidade da economia criar mais riqueza”. “Se tivermos a olhar apenas para a parte da defesa temos um problema de muito difícil solução, se estivermos a encarar investimento como o retorno que pode trazer estaremos a fazer o necessário para ter boa gestão pública.”
Relativamente às Forças Armadas, Luís Montenegro destaca que, no último ano, “inverteu-se uma trajetória de diminuição das candidaturas às Forças Armadas”. Reconhecendo que “não vai ser fácil”, o primeiro-ministro entende que, com o trabalho que está a ser feito em termos salariais e de carreira, é possível captar mais gente para esses ramos.
“O investimento que estamos a fazer é o possível e também concorre para o atingir das metas”, explica, apontando que “investimentos se traduzem em condições de desenvolvimento do país, não apenas na área [da Defesa]”.
O chefe de Governo exemplificou que foi colocado um “item de despesa para reabilitar edificado das Forças Armadas” para que passe a haver “habitação para os militares”, o que resolve “problema da habitação e recrutamento”.
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Luís Montenegro: "PS é essencial quando queremos firmar uma estratégia [de Defesa] de longo prazo"
Durante o evento realizado pela SIC, Luís Montenegro encara de “forma muita positiva e construtiva” o convite de José Luís Carneiro para uma nova reunião sobre Defesa por considerar que “o PS é essencial quando queremos firmar uma estratégia de longo prazo”.
O primeiro-ministro entende que o “fundamental é que o Governo governe” e sublinhando que está disponível para “ouvir os partidos políticos agora e quando for necessário aprovar instrumentos legislativos e eventualmente documentos estratégicos” — “Com todos, nem sequer circunscrevo aos dois maiores partidos da oposição. Acho que esses são os mais importantes porque são aqueles que se afiguram como alternativas futuras de Governo, agora todos são importantes.”
Luís Montenegro, questionado sobre se admite um acordo apenas com o Chega, entende que não, argumentando que “há mais partidos que podem alinhar com esta estratégica”.
Relativamente aos valores acordados, o primeiro-ministro tem consciência de que está em causa um “objetivo muito ambicioso”, mas lembra que “consistência da aliança estava em causa”.
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Montenegro entende que "estratégia nacional" será "tão mais credível quanto maior apoio político tiver"
Luís Montenegro explica que foi tomada “a decisão de reforçar o nosso investimento na área da defesa”, com um investimento na ordem dos 1300 milhões de euros, pelas vias da “manutenção e reforço do apoio à Ucrânia”, “acelerar a aquisição de equipamentos e alcançar de metas em investimentos e infraestruturas” e “fazer reavaliação de investimentos em curso e que têm valorização na área da defesa”, desde logo investimentos duplos em várias áreas.
“Este não é apenas um objetivo de 2025”, realça, frisando que é para se manter e aumentar nos próximos anos. “Não houve nenhum tratamento diferenciado de nenhum aliado”, assegura o primeiro-ministro, crente de que Portugal foi “determinante” para o consenso que existiu.
“Resultado final parece mais compatível com exequibilidade que estados-membros conseguem alcançar”, defende o chefe de Governo, frisando que cada país pode fazer o caminho com flexibilidade, explicando que o Governo pretende fazer “incrementos anuais” até “atingir o objetivo” em 2035 — com uma reavaliação em 2029.
Montenegro salienta que esta é uma “estratégia nacional” e que “extravasa” o mandato do Governo — “Será tão mais credível quanto maior apoio político tiver”, sublinha, recordando que falou com os representantes dos dois maiores partidos da oposição, PS e Chega, antes da cimeira, e com o “acompanhamento próximo” do Presidente da República.
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Montenegro alerta para guerras no ciberespaço, explicando que "atentam com os princípios de liberdade e soberania"
Luís Montenegro, primeiro-ministro, esclarece que é “muito relevante” que haja “pedagogia para que pessoas percebam alcance das decisões e estratégia” para a defesa. “Nós estamos a falar mesmo de bem-estar, de garantir a liberdade, os direitos fundamentais dos cidadãos e o desenvolvimento económico do país”, assegura o chefe de Governo na edição especial da SIC Notícias “A nova Defesa”.
Frisando que não estão só em causa os conflitos armados em várias geografias, alerta: “Estamos em guerra também em Portugal, às portas e dentro do nosso país” — “Todos os dias somos alvos de ataque nas instituições públicas e privadas”, diz, apontando que “no ciberespaço somos colocados sob ameaças reais que colocam em grande dificuldade e contrariedade a nossa capacidade de criar riqueza”.
“A relação entre a guerra no ciberespaço e geopolítica, do armamento, no terreno, é de grande proximidade, para não dizer que é a mesma, que atenta com os princípios de liberdade e soberania”, explica, apontando que as “repercussões” são diferentes.
Montenegro diz que “democracia europeia está também ela sob ataque”, reforçando que houve eleições num estado-membro da UE, a Roménia, que foram anuladas por “intromissão ilegítima no espaço digital de forças externas” que desviaram “pensamento político”.
O primeiro-ministro explica que não está em causa apenas mais armamento, mais recursos ou compromissos: “Estamos a falar de garantir que Portugal continua a ser um país soberano.” “É um projeto de desenvolvimento do país” que está em causa, realça.
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António Filipe acusa Marcelo de ter feito "apelo ativo para que democracia chegasse ao estado a que chegou"
António Filipe, candidato a Belém, critica o Presidente da República por considerar que está “comprometido com este estado de coisas” e por no exercício das suas funções ter tido “apelo ativo e determinante para que democracia portuguesa chegasse ao estado a que chegou”.
Sobre os adversários, o candidato apoiado pelo PCP acredita que “os centro da decisão e capital começaram cedo a preparar as próximas eleições para Presidente da República”.
Além de destacar que houve uma “valorização e projeção de imagens ou conceitos como autoridade ou poder forte”, considera que este apoio dá lastro a “ambições de candidaturas em que se aglutinam dinâmicas de pendor anti-democrático” — sem referir o nome de Henrique Gouveia e Melo.
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António Filipe acusa Governo de "usar o crescimento da extrema-direita como pretexto para levar por diante agenda reacionária"
No discurso de apresentação de candidatura, António Filipe destaca o sítio escolhido — a Voz do Operário — para lembrar a luta pela democracia e refere: “Esta candidatura será a voz dos anseios de todos os trabalhadores, de todos os que queriam a riqueza e não usufruem dela e a voz de todos os que não desistem de lutar pela sociedade livre, justa e solidária.”
António Filipe entende que a democracia portuguesa passa por um “estado de degradação” que é “motivo de enorme preocupação”. “A direita controla hoje todos os órgãos de soberania, dispõe de uma ampla maioria na Assembleia da República, dá suporte a um Governo apostado em levar por diante uma agenda reacionária, de afronta à Constituição, de ataque aos direitos dos trabalhadores, privatização dos serviços públicos e do que resta do setor empresarial público, degradação do SNS e da escola pública, privatização e assalto aos recursos da Segurança Social, desprezo pela cultura e associativismo.”
O candidato apoiado pelo PCP realça que há uma maioria de direita apostada em rever a Constituição e acusa o Governo de se apoiar numa “extrema-direita fascizante, racista e xenófoba, intensamente promovida pelo poder económico e por amplos meios mediáticos, cuja ação se baseia na demagogia, mentira, promoção do ódio contra imigrantes, pobres e trabalhadores e descrédito das instituições democráticas”.
“Não se trata de uma cedência do Governo PSD/CDS à extrema-direita, trata-se de usar o crescimento da extrema-direita como pretexto e base de apoio para levar por diante uma agenda reacionária que é a sua e que os portugueses já conhecem desde os tempos da troika”, refere, sublinhando que nessa altura os partidos de extrema-direita ainda “faziam a gestação na barriga da mãe, a coligação PSD/CDS”.
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António Filipe diz que candidatura tem "pés para andar" e "coração no sítio"
António Filipe apresenta oficialmente a candidatura à Presidência da República, em Belém, e acredita que, tendo em conta os “testemunhos de apoio” que tem estado a receber, são a prova de que “candidatura tem pés para andar”.
“Mais do que isso tem cabeça, tronco e membros, está de corpo inteiro e cabeça levantada, de coração no sítio nesta importante batalha pela democracia”, sublinha.
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Américo Aguiar diz que receber imigrantes sem capacidade é "desrespeito pela dignidade". E critica Ventura
Neste mix de temáticas, Américo Aguiar refere-se também à Saúde, parecendo defender a ministra da Saúde. “Andar a pedir todos os dias demissões é uma coisa que chateia”. Diz que nenhum dos ministros fez asneiras “de propósito”, mas que o cidadão comum “fica chateado”, citando agora um sketch muito popular dos Gato Fedorento. O resumo: “O cidadão não tem esperança de que alguma coisa possa mudar, e quando não temos esperança qualquer um pode tomar conta da barca”.
Américo Aguiar admite que não percebe muito de Saúde, mas diz que com os recursos que existem não é possível ter todas as urgências abertas e é preciso consensos para resolver o problema do cidadão. “Isto tudo junto é um molotov, uma receita que alguns até podem ajudar a fazer, para que estoure”.
Passando agora para a guerra, diz que o cidadão comum já não se interessa pela Ucrânia e que há uma “globalização da indiferença”, comparando a situação à indiferença durante o Holocausto. E na “Terra Santa” é “inaceitável o que se passa para os povos que lá vivem, seja de A ou B”. “O 7 de outubro não devia ter acontecido, ponto final. Mas depois tudo o que aconteceu já nos passou da mão e do coração. Dá a sensação de que o mundo não tem regulador”.
Falando dos imigrantes, “estamos no fio da navalha”, diz. “Criámos a expectativa, não temos capacidade de corresponder e estamos a desrespeitar a dignidade dessas pessoas”, argumenta.
O país, defende, tem obrigação de receber bem quem vai acolher e ter consciência das suas capacidades. “Gostava de que a situação fosse acolhida com amor, e algum interesse”, tendo em conta as necessidades da economia.
Deixa críticas implícitas ao Chega, dizendo que “pontualmente” pode ser verdade que haja algum aluno sem escola por causa de vagas para imigrantes, mas não é assim que se resolve o problema.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
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Américo Aguiar pede consensos políticos: "Os povos não podem esperar"
Américo Aguiar prossegue falando sobre o papel das IPSS e das misericórdias, sendo preciso um maior investimento e “previsibilidade” na vida destas instituições. “Muitas vezes a Segurança Social comporta-se como inspeção e não como parceira”, critica depois. “
Também diz que é preciso aligeirar “os papéis à malta séria”, ou seja, a burocracia, porque até os padres “estão tramados” quando assumem funções e é preciso mudar a titularidade das contas, por exemplo.
Fala também dos presos, continuando o tópico de resolver os problemas dos “próximos”, contando que ficou “sem chão e perplexo” porque as cadeias que visitou quando chegou a cardeal lhe pareceram dignas de filmes “de África ou da América Latina”, onde acabam os produtos de higiene e comida. “Ninguém quer saber dos presos. Quanto pior, melhor”. Diz que “eleitoralmente [o tema] é tóxico”, mas não se pode permitir que os presos “vivam abaixo da dignidade”.
Américo Aguiar defende que qualquer problema “deve ser resolvido com todos, e não contra alguém”, pedindo consensos, incluindo para resolver os problemas com a pobreza. “Quantas vezes já ouvi os pactos da Justiça, da Educação… Tenho a sensação de que mudam os ciclos e mudam as coisas”.
“Os povos não podem esperar”, apela. “Temos de fazer tudo ao alcance para que a máquina do Estado possa corresponder e que nenhum português se deite sem uma refeição, sem os mínimos dos mínimos”.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
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Américo Aguiar lembra Trump e Bolsonaro para deixar avisos à AD: é preciso resolver problemas do cidadão comum
Começa agora a falar o convidado mais surpreendente destas jornadas parlamentares da AD: o cardeal Américo Aguiar, que Hugo Soares apresenta como a figura mais próxima dos portugueses na Igreja católica. O tema da intervenção dá “latitude para dizer o que bem entender”: “Não deixar ninguém para trás”.
Agradece aos deputados por se candidatarem nas eleições, porque ultimamente fazer essa opção “ou é martírio ou é loucura”, começa por dizer.
Recorda duas passagens do Evangelho, uma em que Jesus “levanta um pouquinho do véu” sobre o juízo final, porque explica que quem não ajudou os mais fracos não irá para o céu. “Estou convencido de que andamos todos a trabalhar para o mesmo quando falamos do bem comum, independentemente do partido e das ideologias”, prossegue.
Lembra o “amigo” Jorge Nuno Pinto da Costa para dizer que “opinião pública e publicada” não são a mesma coisa, e transmite uma ideia: quando o cidadão tem a perceção de que o dia a dia no Parlamento “não tem nada a ver com a sua vida e que a malta ainda lhe estraga a vida”, isso leva-os a “desertar” e procurar quem faça eco dos seus problemas, acreditando que outros podem merecer a sua confiança.
“Dizem que o Presidente Trump, na sua primeira eleição, sempre que fazia um comício falava dos problemas daquele estado e as pessoas ficavam maravilhadas, porque sabia que naquela terra havia um semáforo avariado”, recorda. “Às vezes falta-nos isso. Falta que as prioridades sejam menos discussão ideológica”. Mais uma referência: “Como diz Bolsonaro, sobra mês no fim do salário”.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
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Melo manda a recado a quem quer "entrar no clube da AD": "É uma fórmula experimentada, com formas diferentes não sei"
Nas jornadas parlamentares da AD, em Évora, foi transmitido um vídeo enviado por Nuno Melo. O presidente do CDS diz que a junção de esforços de PSD e CDS vem “provando repetidamente nas urnas a sua eficácia”, para derrotar um longo ciclo de socialismo — o primeiro governo foi “curto” mas “fantástico”.
Depois, um recado, numa altura em que se negoceiam coligações alargadas para as autárquicas: “Quando não falta quem especule sobre a entrada de novos membros para este clube, disto eu sei: sei que a AD é uma fórmula experimentada com resultados, assente na confiança e lealdade que há muitos anos existe entre os nossos partidos. Já com formas diferentes não sei como será”.
Melo diz que o “ímpeto reformista” do Governo tem ficado comprovado na Defesa nacional — diz que a “força aérea” não hesitou com a ajuda na Saúde; no controlo do “descalabro” da imigração; na proibição dos telemóveis nas escolas para alunos mais novas; e na alteração da disciplina de Cidadania. “Leio causas de sempre do meu partido, de propostas de há muitos anos, o que ajuda a perceber a comunhão fácil entre PSD e CDS”. Promete ainda que a AD vai “enfrentar os extremismos”, fazendo política sem “espalhar ódio e insulto” e sendo o “centro” e alternativa aos socialismos.
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Hugo Soares nega ser "o coveiro do não é não" e rejeita parceiros privilegiados, agradecendo a PS e Chega aprovação de propostas
Hugo Soares prossegue dizendo que é preciso ir mais além nesta legislatura, mas volta a dizer que é “trágico-cómico” o PS dizer isso sobre impostos quando deixou a carga fiscal “em máximos”.
Lembra outras decisões da AD, como a proibição de telemóveis nas escolas até ao 6º ano, a revisão da disciplina da Cidadania — “não aceitamos que a escola pública seja para determinar ideologias específicas” –, as decisões sobre segurança e imigração.
“Quero mesmo que os deputados tenham presente: não estamos a regulamentar como queremos regulamentar os fluxos por complexos ideológicos, razões de segurança absurdas ou posicionamento ideológico, mas sobretudo porque somos dos que põem a pessoa no centro”, argumenta. “Não podemos aceitar que Portugal deixe entrar quem quer e venha viver na miséria. São razões de puro humanismo”.
Lembra que o Governo propôs que o Parlamento possa legislar sobre a Lei da Nacionalidade, “desta vez procurando o maior consenso possível”, porque “quem acabou com os consensos nessa matéria foi o PS, não fomos até agora. As últimas revisões ou fez sozinho ou fez com a extrema-esquerda”.
Garante que se vai mesmo alterar essa lei porque ser português, diz de forma “sentida”, é “mesmo um privilégio”. “E as condições têm de ser as que nós queremos, não as que os outros impõe”, dispara, com grande aplauso na sala. Também diz que é preciso “apertar e regular” a entrada de imigrantes: a economia portuguesa precisa de imigrantes nas profissões mais e menos qualificadas, reconhece, e é bom que o país saiba “que continuamos a precisar de trabalhadores e de deixar entrar imigrantes”, mas sabendo quem são e como entram.
Quando não se sabe quem são “têm de deixar cá estar” e é preciso acelerar o retorno, defende. Sobre a polícia de fronteiras nova, diz que o PS e o Chega só fizeram “o país perder tempo”. Diz que “estava na cara o que estava a acontecer no Parlamento: tinham mesmo um conluio para bloquear a governação”, até em matérias como esta, que acabaram por viabilizar.
Lembra também a aprovação da lei do lóbi na generalidade e da lei contra os “ocupas”. O PS andou “muito perto”, diz, de defender que a AD não devia criar mecanismos rápidos para “tirar das casas quem as invadiu” porque “ainda são poucas”. “Fosse uma!”, responde. Depois, diz que se anda a “ensaiar a narrativa” de que a AD “bloqueia” a atividade do Parlamento, frisando que já foram apresentados 30 requerimentos para chamar ministros ao Parlamento e 18 já foram aprovados.
Hugo Soares insiste que “o país político é muito diferente do país real” e perguntou-se sobre como é que o Governo iria governar e com quem iria privilegiar negociações. “Tenho visto comentadores a acusar-me de ser o coveiro do não é não. Acho extraordinário”, ataca. “Quando nos perguntavam com quem íamos governar, nós dizíamos com todos”, recorda. “O país político não acreditava, achava que tínhamos de ter um parceiro privilegiado”.
Soares arruma assim a questão do “não é não” ao Chega, para dizer que era sobre uma coligação pré ou pós-eleitoral ou uma maioria parlamentar formal, e diz que já na legislatura passada falou e negociou com Chega e PS. “Sempre dissemos que íamos negociar com todos”.
Já nas últimas semanas, prossegue, a AD aprovou no Parlamento uma descida de impostos com PS e Chega, tal como criou a polícia de fronteiras. “Cumprimento daqui o PS e o Chega por terem tido a grandeza de perceber que são as pessoas que importam e terem aderido às propostas”. “As coisas são como são: não olhamos para de quem são as propostas, mas para o seu mérito, e deixamos esse desafio ao PS e Chega”.
No final promete continuar a fazer jornadas parlamentares descentralizadas e anuncia que fará umas nas comunidades portuguesas.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
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Hugo Soares diz que apelos do PS para recuperar dinheiro da TAP são "trágico-cómicos": "Deviam pedir desculpa"
Fala agora Hugo Soares nas jornadas parlamentares da AD, começando por dizer que o objetivo é refletir antes do debate do estado da nação, marcado para quinta-feira, além de lançar o trabalho parlamentar futuro.
Diz que não é possível olhar para o estado da Nação sem olhar para qual era há um ano. Começa a fazer esse balanço em vários temas: diz que a escola pública estava muitas vezes fechada, com professores em greve (“e os pais sem saberem se chegavam e encontravam ou um cadeado ou um dirigente da Fenprof à porta”); agora a escola pública “está em paz” e os pais deixam os filhos “tranquilamente” à porta da escola, tendo os professores “recuperado a autoridade”.
Sobre as forças de segurança, diz que há um ano a PSP e a GNR estavam “vezes demais” na rua e em protesto “justo e legítimo”; hoje, estão “nas esquadras, quartéis e na rua” a garantir a segurança da população. Continua falando nas greves de técnicos e oficiais de justiça, médicos e enfermeiros, guardas prisionais, para lembrar que estas carreiras receberam aumentos.
Há um ano havia também mais impostos, prossegue. “Por muito que custe a muitos admitir”, também havia “mais urgências encerradas” e um SNS pior, com mais tempo de espera. “Também há mais notícias sobre urgências fechadas porque elas passaram a ser publicadas a tempo e horas”. Não quer dizer que está tudo bem, reconhece.
Agora, prepara-se este debate pouco depois de este Governo ter iniciado funções. Faz mais uma recapitulação: um mês depois de ter tomado posse, o Executivo já anunciou a privatização da TAP, não por “qualquer complexo ideológico” — porque a AD “não tem aversão a nada do que seja público” e defende o SNS e a escola pública, argumenta — mas porque o dinheiro injetado na TAP é “sem retorno”.
“Ouvir secretário-geral a apelar a que pudéssemos recuperar os 3,2 milhões que eles injetaram é no mínimo trágico-cómico. Antes disso, o PS devia pedir desculpa. Foi com a mão toda do ex-secretário-geral do PS, que o atual apoiou, ou não tivesse sido cabeça de lista nestas eleições”. Diz que é cómico pedir a recuperação desse dinheiro porque significa dizer que o PS avalia a TAP em mais de 6 mil milhões de euros, o que significaria que vale três vezes mais do que a Airfrance.
“Ou é combate político sem rigor ou é uma manifesta incompetência”.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
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Núncio: AD tem de "derrotar PS nas autárquicas e retirá-lo da presidência da ANMP"
“Somos chamados a defender a soberania nacional, a cultura, a tradição e os valores deste país, mas ao mesmo tempo não podemos abdicar da política externa e da Defesa”. Critica “invasões bárbaras e ilegais” como a da Rússia e fala para os “defensores de Putin em Portugal, concentrados nos extremos”, para dizer que encontrarão sempre pela frente a “firmeza” da AD.
Sobre autárquicas, diz que a AD tem de ter um “grande resultado” para que a “transformação do país” possa continuar. Cita Adelino Amaro da Costa para dizer que as autarquias estão para os partidos de direita como os sindicatos estão para os de esquerda: através das autarquias e da proximidade é que a direita “resolve” problemas.
“Estou convencido de que os portugueses vão demonstrar que confiam em nós para governar as autarquias como confiam em nós para governar Portugal”, defende. O objetivo tem de ser “derrotar o PS e retirá-lo da presidência da ANMP, como já retirámos do Governo”, apela.
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No final da intervenção Paulo Núncio foi cumprimentado por Hugo Soares, líder parlamentar do PSD. DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
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Paulo Núncio diz que aprovação de medidas da imigração à direita é "natural": "PS não está disponível para retificar erros"
Já arrancaram as jornadas parlamentares da AD, em Évora.
Fala agora o líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio, com recados para a oposição e sobre as alianças do Governo. “Nem o Chega está no Governo da AD nem o bloco central emergiu”, avisa. “Porque cumprimos a nossa palavra e estamos onde sempre estivemos. Além do diálogo natural com a IL, que proclama mas não esgota as ideias liberais, a aritmética parlamentar implica um esforço de diálogo maior tanto à direita como à esquerda. Só assim pode haver reformismo e celeridade”, trabalhando sem “demagogia” e sem “crispar a divisão”.
Fala especificamente do “espírito reformista” do Governo na regulação da imigração, “uma das heranças mais pesadas” do PS.
“Ao propor mudança na lei da nacionalidade, pretensão do CDS há vinte anos, e criação da polícia de fronteiras, o Governo apenas tomou medidas de bom senso. Ser português é um compromisso exigente”, defende. “Estamos a retomar o controlo de uma situação completamente descontrolada”. Por isso justifica o entendimento com o Chega, considerando “natural que PS não esteja tão disponível para retificar os erros”: “Por isso é natural que nesta matéria a política seja viabilizada à direita, desde que não se ceda em princípio fundamentais, como o governo não cedeu”.
Lembra como a polícia de fronteiras tinha sido chumbada no Parlamento há um ano e agora foi aprovada. “Apetece perguntar: quem é que tinha razão há um ano? Era o governo da AD ou a coligação PS-Chega? Era o Governo da AD que estava do lado da razão”.
Sobre a privatização da TAP, diz que “todos queremos” um hub em Lisboa e ligações à diáspora. “Estaremos muito atentos ao grau de responsabilidade, quer que Chega quer PS vão demonstrar neste dossiê. São reformistas ou imobilistas? Querem o bem da economia ou o mal da demagogia? Uma TAP a crescer ou uma empresa em dificuldades?”. “Nós dialogamos, queremos ver quem quer dialogar connosco”, atira.
Depois, fala nas reduções de IRS. “Read my lips: iremos baixar em dois mil milhões o IRS e reduziremos o IRC para 17%”. Mais uma vez, desafia os outros partidos a acompanharem as medidas — é necessário recuperar também o espírito de “consenso e confiança” sem “clivagens ideológicas” sobre Defesa, por exemplo.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR