Momentos-chave
- Ataques de colonos israelitas na Cisjordânia deixaram carros incendiados e palestinianos feridos
- Netanyahu diz que só vai abrir a passagem de Rafah quando todos os reféns forem devolvidos
- Netanyahu diz que "nunca haverá um estado palestiniano" — mesmo que isso comprometa relação com Arábia Saudita, que condenou ataque em Gaza
- "Vocês já não são reféns... hoje são heróis". Trump recebe 26 reféns libertados na Casa Branca
- Primeiro-ministro da Autoridade Palestiniana defende que a solução de dois Estados é a "única maneira" de acabar com conflito
- Israel investiga ligações à Turquia de suposta rede do Hamas na Europa
- IDF diz ter morto duas figuras importantes do Hamas — uma delas era responsável pelos reféns israelitas cativos em Gaza
- Israel quer confiscar partes de Sebastia, um território de importância histórica na Cisjordânia
- Israel diz espera manter liderança militar na região apesar da venda de caças F-35 dos EUA à Arábia Saudita
- Resolução da AIEA exorta Irão a cooperar quanto ao seu programa nuclear. Teerão diz que documento vai ter “impacto negativo"
- Hamas acusa Israel de alterar a "linha amarela" e de desencadear nova onda de deslocamentos
- Síria e Qatar criticam visita de Netanyahu à “zona tampão" nos Montes Golã
- Policia e segurança interna prendem cidadão israelita suspeito de espionagem em favor do Irão
- Organizações israelitas de direitos humanos pedem transferência de doentes em Gaza
- Um morto em ataque de drones israelitas. É a 5.ª vítima na região de Khan Younis
- Hamas e Cruz Vermelha continuam buscas por corpo de prisioneiro
- Nas últimas 24h morreram 33 pessoas na Faixa de Gaza (incluindo 12 crianças)
- Ataques na região de Khan Younis fazem pelo menos 4 mortos
- Human Rights Watch acusa Israel de crimes de guerra
Histórico de atualizações
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Vamos encerrar por aqui este artigo liveblog, que seguiu a atualidade relacionada com o conflito no Médio Oriente ao longo do dia de ontem, quinta-feira.
Trump diz que Médio Oriente vive “paz real” e admite avançar para nova fase em Gaza
Continue, por favor, a acompanhar-nos nesta nova ligação. Muito obrigado!
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O que se passou até agora
- O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu na Casa Branca um grupo de ex-reféns que estiveram cativos na Faixa de Gaza sob o domínio do Hamas. Durante o encontro, Trump afirmou ao grupo que, embora antes fossem reféns, hoje são considerados heróis. Entre os 26 ex-reféns presentes, 17 foram libertados no mês anterior como parte de um cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e o Hamas.
- A região de Khan Younis, na Faixa de Gaza, foi alvo de ataques israelitas nas últimas 24 horas, resultando na morte de pelo menos 33 palestinianos, incluindo 12 crianças. Os ataques ocorreram apesar do acordo de cessar-fogo em vigor, com fontes israelitas alegando que as ações foram uma resposta a violações desse acordo por parte do Hamas.
- Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, declarou que nunca haverá um estado palestiniano, mesmo que isso possa comprometer a normalização das relações com a Arábia Saudita, que, por sua vez, condenou os recentes ataques israelitas na Faixa de Gaza e na Síria.
- A Human Rights Watch acusou Israel de crimes de guerra devido à expulsão de milhares de palestinianos de campos de refugiados na Cisjordânia no início de 2025, uma operação que resultou na deslocação de 32 mil residentes. Estes atos, parte da Operação Muralha de Ferro, foram realizados por tropas israelitas entre janeiro e fevereiro deste ano, com a organização a apelar a medidas internacionais urgentes para responsabilizar Israel por estas ações.
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Ataques de colonos israelitas na Cisjordânia deixaram carros incendiados e palestinianos feridos
Dezenas de colonos israelitas incendiaram veículos e uma garagem na noite de quinta-feira na cidade palestiniana de Hawara, no norte da Cisjordânia.
תיעוד: כלי רכב עולים באש בחווארה, היום pic.twitter.com/frI1uRaLcH
— הארץ חדשות (@haaretznewsvid) November 20, 2025
A notícia, adiantada pela Wafa, a agência de notícias da Autoridade Palestiniana, foi também dada pelo jornal israelita Haaretz e pela Al-Jazeera.
De acordo com uma fonte de segurança israelita, tropas das IDF foram enviadas à cidade após receberem uma denúncia de incêndio criminoso no estacionamento de uma garagem.
A este ataque somam-se outros, como um a oeste de Ramallah, onde um grupo de colonos, acompanhado por soldados israelitas, terá espancado quatro palestinianos quando estes tentavam remover uma barreira de terra que os colonos tinham colocado em frente à sua quinta, perto da aldeia de Kafr Nima. A Al-Jazeera noticia que foram as vítimas e não os agressores a serem detidos pelas autoridades israelitas.
Foi ainda reportado um ataque numa aldeia nas colinas do sul de Hebron, onde pelo menos uma pessoa ficou ferida, de acordo com vários meios de comunicação palestinianos.
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Netanyahu diz que só vai abrir a passagem de Rafah quando todos os reféns forem devolvidos
Na mesma entrevista previamente referida que deu ao canal israelita Abu Ali Express, Benjamin Netanyahu diz que Israel só vai abrir passagem fronteiriça de Rafah após receber os restos mortais de três reféns que ainda se encontram na Faixa de Gaza.
“Concordámos que abriremos a passagem depois de recebermos todos os nossos reféns. Estamos muito perto de concluir este processo — está prestes a acontecer — e, assim que estiver concluído, abriremos a passagem”, prometeu, citado pelo Times of Israel.
Os reféns em causa tratam-se de Dror Or, Ran Gvili e Sudthisak Rinthalak.
O primeiro-ministro israelita também aproveitou para deixar um recado ao Egito, dizendo que, quando passagem for reaberta, ficará “muito feliz em ver o Egito permitir que qualquer habitante de Gaza que queira sair [através da passagem] o faça — porque isso não aconteceu até hoje”.
“Qualquer habitante de Gaza que queira sair deve poder fazê-lo, e esse direito tem-lhes sido negado”, continuou, acrescentando que o plano de 20 pontos de Washington para Gaza prevê essa possibilidade, pois “estabelece o princípio de que qualquer habitante de Gaza que queira sair pode sair. Não se está a expulsar ninguém, mas se uma pessoa quer sair, deixe-a sair. Se o Egito aceitar isso — acho que é muito positivo”.
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Refém libertado de Gaza diz ter sido sexualmente agredido por captor do Hamas
O refém israelita Guy Gilboa-Dalal, libertado a 13 de outubro após mais de dois anos em cativeiro, relatou numa entrevista televisiva ter sido sexualmente agredido por um dos seus captores na Faixa de Gaza.
Trata-se do primeiro homem a fornecer um testemunho tão cru sobre sevícias sexuais sofridas durante o cativeiro em Gaza.
“Ele [o captor] deixava-me tomar um duche e, quando eu acabava, puxava-me para fora e não me deixava vestir”, relatou o jovem de 24 anos, num excerto da entrevista exclusiva concedida ao Canal 12, que será exibida na sexta-feira à noite.
“Levava-me de volta para o quarto deles, atirava-me para uma das poltronas e começava a tocar-me em todo o corpo”, descreveu o ex-refém no vídeo, disponível no ‘site’ do canal televisivo na Internet.
“Eu disse-lhe ‘Mas isto é proibido no Islão’, então ele apontou-me uma espingarda à cabeça e encostou-me uma faca à garganta e ameaçou matar-me se eu falasse sobre o assunto”, acrescentou.
Quando a jornalista lhe perguntou se tinha sido um incidente isolado, o jovem respondeu que não, mas não podia falar sobre o assunto.
Guy Gilboa-Dalal foi sequestrado com o melhor amigo, Evyatar David, no festival techno Nova, a 7 de outubro de 2023, durante o ataque do movimento islamita palestiniano Hamas a território israelita que desencadeou a guerra de Israel na Faixa de Gaza.
Foi visto com Evyatar David em fevereiro deste ano num vídeo do Hamas, a assistir a uma das cerimónias de libertação de reféns em Gaza, antes de ser trancado numa viatura, a implorar para ser libertado.
Acabou por sê-lo juntamente com os restantes 19 reféns sobreviventes do 7 de outubro de 2023, após o anúncio, a 8 de outubro deste ano, de um acordo de cessar-fogo entre o Hamas e Israel que entraria em vigor dois dias depois.
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Detidas 120 pessoas em Londres em manifestação de apoio a grupo pró-palestiniano ilegalizado
Pelo menos 120 pessoas foram esta quinta-feira detidas em Londres durante um protesto de apoio ao grupo Palestine Action (Ação Palestina), classificado como terrorista pelo Governo britânico, divulgou a polícia da capital britânica.
O protesto desta quinta-feira realizou-se em frente ao Ministério da Justiça, onde várias dezenas de pessoas sentaram-se no chão exibindo cartazes com frases de ordem como “Eu oponho-me ao genocídio. Eu apoio Palestine Action”.
Os manifestantes detidos podem ser condenados até seis meses de prisão sob a lei antiterrorista e ficar com cadastro, que pode ter consequências em termos de emprego, acesso à universidade ou de viagem ao estrangeiro.
Também ocorreram manifestações em cerca de 20 cidades britânicas na terça-feira nas quais foram detidas 142 das 237 que participaram, de acordo com o grupo organizador dos protestos, Defend Our Juries.
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Força da ONU no Líbano regista 10 mil violações de cessar-fogo por parte de Israel num ano
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) registou cerca de 10 mil violações do acordo de cessar-fogo, que há um ano suspendeu o conflito entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, anunciou hoje a força internacional.
“Desde o acordo de cessar-fogo do ano passado, a FINUL registou mais de 7.500 violações aéreas, quase 2.500 violações terrestres a norte da Linha Azul [zona desmilitarizada entre o Líbano e Israel] e mais de 360 “depósitos de armas abandonados que foram transferidos para as Forças Armadas libanesas”, indicaram os militares das Nações Unidas.
A FINUL observou que a fronteira entre os dois países permanece frágil e que as suas forças a patrulham diariamente, em colaboração com as tropas libanesas, para prevenir uma escalada das hostilidades e ajudar a restabelecer a segurança no sul do Líbano.
A missão da ONU tem a incumbência de documentar as violações do cessar-fogo dentro da sua área de operações, que se estende do rio Litani até à linha divisória.
Desse modo, não inclui registos dos frequentes ataques israelitas a norte do Litani, nem no leste do Líbano.
Israel intensificou os bombardeamentos nas últimas semanas, apesar da trégua em vigor, que justifica com violações do entendimento por parte do Hezbollah.
Na passada terça-feira, as forças israelitas realizaram o ataque mais grave no último ano, ao atingirem o campo de refugiados palestinianos de Ain el-Helweh, perto da cidade de Sidon, no sul do país e a norte do rio Litani.
Israel argumentou que visou um campo de treino dos islamitas palestinianos do Hamas, que por sua vez refutou esta alegação.
No passado fim de semana, a FINUL acusou Israel de alvejar os seus soldados, sem provocar feridos, pedindo o fim dos seus ataques e “comportamentos agressivos” no Líbano.
Os militares israelitas afirmaram que as suas tropas confundiram os soldados internacionais com pessoas suspeitas, devido ao mau tempo que se fazia sentir, embora não tenha sido o primeiro incidente deste tipo.
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Netanyahu diz que "nunca haverá um estado palestiniano" — mesmo que isso comprometa relação com Arábia Saudita, que condenou ataque em Gaza
Numa entrevista transmitida esta tarde pela conta de Telegram do canal israelita Abu Ali Express, o primeiro-ministro de Israel insistiu que não haverá um estado palestiniano, mesmo que isso ponha em causa a normalização das relações com a Arábia Saudita, pois tal Estado representaria “uma ameaça existencial para Israel”.
«Não haverá um estado palestiniano. É muito simples: não será estabelecido», afirmou primeiramente Benjamin Netanyahu, citado pelo Times of Israel.
No entanto, quando questionado pelo entrevistador se esta oposição manter-se-ia mesmo que comprometendo a normalização das relações com Riade, respondeu que esse é um interesse no horizonte mas “as condições devem ser aceitáveis para ambas as partes”.
Recorde-se que a Arábia Saudita tem insistido que, para fazer um reconhecimento formal de Israel, tal deveria passar pela criação de um estado palestiniano. E esta quinta-feira, Riade — através do seu ministério dos Negócios Estrangeiros — condenou Telavive quer pelos bombardeamentos de quarta-feira na Faixa de Gaza, quer pela continuada ocupação de parte do território sírio, considerando-as “contínuas violações flagrantes da ocupação israelita na região”.
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"Vocês já não são reféns... hoje são heróis". Trump recebe 26 reféns libertados na Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos recebeu esta tarde um grupo de pessoas que estiveram reféns na Faixa de Gaza às mãos do Hamas.
Num vídeo partilhado por uma conselheira de Trump, é possível ouvi-lo afirmar ao grupo “vocês já não são reféns… hoje são heróis”.
“You’re not a hostage anymore…today you’re heroes”
President @realDonaldTrump speaks to recently freed Israeli hostages and their families ❤️ pic.twitter.com/vd82KNwKvt
— Margo Martin (@MargoMartin47) November 20, 2025
Entre o grupo de 26 ex-reféns que viajou para Washington estão 17 que foram libertados no mês passado, no âmbito do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, mediado pelos EUA.
Tendo muitos deles estado em cativeiro durante mais de dois anos, foram vários os que levaram presentes a Trump para expressar a sua gratidão por esse ato que lhes permitiu regressar a casa.
Após chegar a Washington, o grupo reuniu-se esta quarta-feira com um grupo bipartidário de legisladores norte-americanos no Capitólio. Já esta tarde, antes de encontrar-se com Trump, esteve com o enviado especial do presidente dos EUA para o Médio Oriente, Steve Witkoff, assim como altos funcionários da administração.
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IDF dizem ter disparado sobre dois membros do Hamas que violaram "linha amarela"
“Dois terroristas foram identificados a atravessar a linha amarela e a aproximar-se das tropas das Forças de Defesa de Israel (IDF) no sul de Gaza, representando uma ameaça imediata para elas. Após a identificação, as tropas das IDF dispararam para eliminar a ameaça”, lê-se numa publicação feita pela conta oficial do exército israelita na rede social X.
❌ ANOTHER CEASEFIRE VIOLATION: Two terrorists were identified crossing the yellow line and approaching IDF troops in southern Gaza, posing an immediate threat to them.
Following identification, IDF troops fired to remove the threat. A hit was identified.
— Israel Defense Forces (@IDF) November 20, 2025
A mesma publicação refere que pelo menos um deles foi atingido, sem explicitar se morreu ou não.
O incidente ocorreu depois do Hamas acusar Israel de alterar a “linha amarela” da Faixa de Gaza, o limite que demarca o território controlado por Israel dentro do enclave.
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Primeiro-ministro da Autoridade Palestiniana defende que a solução de dois Estados é a "única maneira" de acabar com conflito
Numa conferência de imprensa conjunta com a comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, no âmbito da reunião inaugural do Grupo de Doadores para a Palestina, que hoje decorreu em Bruxelas, Mohammad Mustafa afirmou que a solução dos dois Estados (Palestina e Israel) “não é um conceito abstrato”, mas sim “é a única maneira possível de acabar com este conflito”.
“Não pedimos mais do que a possibilidade de aguentar-nos de pé e dar às nossas crianças um futuro livre de medo (…), vamos construir o Estado da Palestina como parte de uma região pacífica, só precisamos de segurança e de esforços coletivos, para que nenhuma criança acredita que a devastação é a normalidade”, afirmou.
Na mesma conferência de imprensa, Mohammad Mustafa disse que a Autoridade Palestiniana, presidida por Mahmud Abbas e que governa partes da Cisjordânia, “implementou as mudanças necessárias, antes do esperado, apesar das dificuldades”, reiterando os apelos de apoio para a concretização do Estado da Palestina.
Mustafa afirmou, porém, que a liderança palestiniana pouco mais pode fazer neste momento “quando estão a ser negadas as receitas” da Autoridade Palestiniana por parte de Israel, “simplesmente por razões políticas”.
Dubravka Suica também abordou este tópico, defendendo ser necessário “exigir a Israel que desbloqueie estas receitas, que já são na ordem dos três, quatro mil milhões de euros” e ressalvando ser necessário “criar uma economia resiliente” para a Palestina e “condições efetivas” para o Estado palestiniano.
A comissária sustentou que a criação deste Estado, numa altura em que cada vez mais nações reconhecem a existência da Palestina, só é possível com um “papel real e decisivo” da população palestiniana “na criação do seu futuro, na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e também Gaza”.
A reunião inicial deste grupo de países doadores para a Palestina, que contou com “mais de 60 delegações”, “foi um sucesso”, referiu a representante europeia. “Senhor primeiro-ministro, não está sozinho neste esforço”, prometeu Suica.
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Israel investiga ligações à Turquia de suposta rede do Hamas na Europa
Israel está a investigar se uma alegada rede do Hamas — que planeava ataques na Europa e já foi parcialmente desmantelada —, tem a Turquia como centro de operações, revelou hoje o gabinete do primeiro-ministro israelita.
“A investigação sobre a rede terrorista do Hamas na Europa está também a examinar o possível envolvimento de elementos do Hamas na Turquia na realização de ataques, alguns dos quais já descobertos”, referiu em comunicado o gabinete de Benjamin Netanyahu.
O chefe do Governo de Israel indicou na quarta-feira que várias operações conduzidas pelos serviços de segurança da Áustria e da Alemanha, em coordenação com a agência israelita Mossad, levaram ao desmantelamento de parte de uma alegada rede do Hamas que planeava ataques em solo europeu.
O gabinete de Netanyahu alega que a Turquia tem funcionado como um “teatro de operações” para o grupo palestiniano e destacou que continuará a colaborar com os serviços de informação dos parceiros europeus para “frustrar operações terroristas contra israelitas e judeus”.
Em relação às operações policiais, destaca-se a de Viena, onde, em setembro último, o serviço austríaco de segurança (DSN) localizou e apreendeu um arsenal contendo pistolas e engenhos explosivos.
A investigação ligou o arsenal a Muhammad Naim, filho de Basem Naim, líder do gabinete político do Hamas.
Na Alemanha, as forças de segurança detiveram este mês Burhan al-Khatib, que Israel descreve como um “membro proeminente” na estrutura investigada.
Segundo o gabinete de Netanyahu, o suspeito tinha estado anteriormente na Turquia, onde alegadamente desempenhou tarefas operacionais até à detenção na Alemanha.
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IDF diz ter morto duas figuras importantes do Hamas — uma delas era responsável pelos reféns israelitas cativos em Gaza
Num comunicado conjunto as Forças de Defesa de Israel (IDF) e os serviços de inteligência israelitas, o Shin Bet, anunciaram esta tarde que o chefe das forças navais do Hamas e um operacional envolvido na retenção de reféns israelitas foram mortos nos ataques aéreos desta quarta-feira na Faixa de Gaza.
⭕️ In response to the violation of the ceasefire agreement, the IDF and ISA eliminated the head of Hamas’ Naval Array and a terrorist who took part in holding Israeli hostages captive
The terrorists who were eliminated:
• Abdallah Abu Shamala– Head of Hamas’ Naval Array and… pic.twitter.com/IudPzX2ROa
— Israel Defense Forces (@IDF) November 20, 2025
O primeiro tratava-se de Abdallah Abu Shamala, descrito pelas IDF como “chefe da Força Naval do Hamas” e que terá ajudado “a planear a infiltração naval de 7 de outubro”, promovendo ainda “vários ataques contra tropas das IDF e alvos navais durante toda a guerra”.
Já o segundo, Fadi Abu Mustafa, não só foi um dos principais responsáveis pela construção da rede de túneis em Khan Yunis, como terá tido a responsabilidade de manter reféns israelitas como Nimrod Cohen e David Cunio, entre outros.
As suas mortes perfazem um total de 33 contabilizadas nas últimas 24 horas, com particular gravidade em Khan Yunis. Foi nessa localidade onde forças israelitas terão sido alvo de disparos, motivando uma resposta de Telavive, segundo as IDF, que consideraram esse ataque inicial uma “violação do acordo de cessar-fogo”.
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Israel quer confiscar partes de Sebastia, um território de importância histórica na Cisjordânia
A Associated Press adianta ter tido acesso um documento governamental que dá conta de que a Administração Civil de Israel quer apropriar-se de grandes áreas em Sebastia. A informação foi revelada depois de ter surgido um colonato israelita perto de Belém durante a noite de quarta para quinta-feira.
A confirmar-se, esta operação não só decorrerá num momento em que o país enfrenta pressões para travar a violência dos colonos no território palestiniano, como seria a maior apreensão de sempre de terras importantes do ponto de vista arqueológico por parte de Israel.
A Peace Now, um grupo de vigilância que pretende combater o avanço dos colonatos, disse à AP que o local, onde crescem milhares de oliveiras, tem cerca de 1,8 quilómetros quadrados e pertence aos palestinianos.
A área reveste-se de importância porque acredita-se que a capital do antigo reino israelita de Samaria esteja sob as ruínas de Sebastia, e tanto cristãos quanto muçulmanos acreditam que este seja o local onde João Batista foi sepultado.
Israel — que já anunciado planos para transformar o local numa atração turística em 2023, alocando mais de 30 milhões de shekels (perto de oito milhões de euros) e ordenando o início de escavações — terá listado parcelas de terra a anexar a 12 de novembro, segundo o documento.
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Irão diz que só dará acesso a instalações nucleares bombardeadas por Israel se houver acordo com AIEA
“As instalações que foram atacadas têm a sua própria história e, enquanto não for tomada uma decisão e não for chegada a uma conclusão entre nós, a AIEA e outras (partes), a cooperação não é possível”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, numa entrevista transmitida na rede social Telegram.
A entrevista no Telegram foi divulgada antes da aprovação, hoje, de uma resolução pela AIEA, pelo que Araghchi não especificou o tipo de acordo.
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Israel diz espera manter liderança militar na região apesar da venda de caças F-35 dos EUA à Arábia Saudita
Na sua primeira reação oficial ao acordo efetuado entre Washington e Riade, Israel fez saber que conta manter o acesso ao armamento norte-americano mais avançado à disposição.
“Os Estados Unidos e Israel têm um entendimento de longa data, que é o de que Israel mantém a vantagem qualitativa no que diz respeito à sua defesa”, afirmou o porta-voz Shosh Bedrosian aos jornalistas, escreve a Reuters. “Isto foi verdade ontem, é verdade hoje e o primeiro-ministro acredita que será verdade amanhã e no futuro”, acrescentou.
Em causa está o facto de, até agora, Israel ser o único país do Médio Oriente a operar o F-35, um dos caças mais avançados jamais construídos.
A Arábia Saudita passar também a dispor deste armamento altera o equilíbrio de forças na região — algo ainda mais saliente tendo em conta que Riade, apesar de não ter uma postura hostil face a Telavive, não reconhece oficialmente o estado de Israel.
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França condena ataque israelita no sul do Líbano e pede a Telavive que se retire dos Montes Golã
“Estamos preocupados com esta intensificação dos ataques israelitas no sul do Líbano e condenamos os ataques israelitas que estão a matar civis. A nossa posição é de respeito pelo cessar-fogo de 27 de novembro de 2024”, afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, citado pela Reuters.
Em causa estão os bombardeamentos levados a cabo por Israel a sul do país vizinho, efetuados com o pretexto de impedir uma reorganização do Hezbollah junto à sua fronteira.
Paris, contudo, não se ficou por aqui, criticando também a ocupação militar que Telavive mantém nos Montes Golã, numa zona que é oficialmente parte do território da Síria.
“Estamos a acompanhar com grande preocupação os desenvolvimentos nos Montes Golã. A França apela à retirada do exército israelita e ao respeito pela soberania e integridade territorial da Síria”, afirmou o porta-voz.
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Resolução da AIEA exorta Irão a cooperar quanto ao seu programa nuclear. Teerão diz que documento vai ter “impacto negativo"
O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) aprovou hoje uma resolução em que apela ao Irão para cooperar “plena e imediatamente” na questão do nuclear, decisão que Teerão lamentou.
“A resolução não acrescenta nada à situação atual, não é útil e é contraproducente”, disse Reza Najafi — embaixador iraniano junto da ONU — à agência noticiosa France-Presse (AFP), acrescentando que “terá certamente um impacto negativo na cooperação que já começou entre o Irão e a agência”.
O texto, aprovado por 19 votos (três contra e 12 abstenções), exorta Teerão a uma “cooperação completa e rápida” e a “fornecer as informações e o acesso” às instalações nucleares solicitados pela AIEA, referiu o documento consultado pela AFP.
A resolução tinha sido apresentada na quarta-feira por França, Reino Unido e Alemanha (o chamado grupo E3) e pelos Estados Unidos, na sede da agência da ONU, em Viena, na abertura da reunião trimestral do Conselho de Governadores.
Os representantes de oito países, entre os quais o Irão, a China e a Rússia, tinham alertado que a aprovação de qualquer nova resolução “pode minar o impulso de cooperação e o ambiente político construtivo que caracterizaram as recentes interações entre o Irão e a agência”, classificando-a como uma “ação provocadora”.
A República Islâmica já tinha cortado contactos após a guerra de 12 dias com Israel, lançada por Telavive a 13 de junho, considerando que a AIEA teve responsabilidade no seu desencadeamento, um dia depois da aprovação de uma resolução crítica sobre o programa nuclear iraniano.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, voltou na quarta-feira a apelar ao Irão para autorizar inspeções aos locais atacados em junho por Israel e pelos Estados Unidos, que se envolveram posteriormente no conflito.
A aprovação da resolução, referiu, por sua vez, a agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP), abre caminho a uma provável nova escalada das tensões entre a agência nuclear da ONU e o Irão, que, no passado, reagiu de forma contundente a iniciativas semelhantes do organismo.
O Irão é legalmente obrigado a cooperar com a AIEA ao abrigo do Tratado de Não Proliferação Nuclear. No entanto, ainda não concedeu aos inspetores da agência acesso aos locais nucleares afetados pela guerra com Israel em junho.
A agência também não conseguiu verificar o estado do ‘stock’ de urânio enriquecido próximo de nível militar desde que Israel e os Estados Unidos atacaram instalações nucleares iranianas durante os 12 dias de guerra em junho, segundo um relatório confidencial da AIEA consultado pela AP na semana passada.
Segundo a AIEA, o Irão mantém um ‘stock’ de 440,9 quilogramas de urânio enriquecido até 60% de pureza — um pequeno passo técnico abaixo dos níveis de 90% necessários para uso militar.
Esse ‘stock’ poderá permitir ao Irão construir até 10 bombas nucleares, caso decida militarizar o programa, advertiu Grossi numa entrevista recente à AP. Sublinhou que isso não significa que o Irão possua tal arma.
O Irão suspendeu toda a cooperação com a AIEA após a guerra com Israel. No início de setembro, Grossi alcançou um acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, no Cairo, para retomar as inspeções. Todavia, mais tarde nesse mês, a ONU voltou a impor sanções ao Irão através do chamado mecanismo de ‘snapback’ previsto no acordo nuclear de 2015, provocando uma reação de indignação de Teerão, que suspendeu a aplicação do acordo.
O mecanismo de ‘snapback’ reativou seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão, restabeleceu sanções económicas e reinstaurou a suspensão de todo o enriquecimento de urânio.
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Hamas acusa Israel de alterar a "linha amarela" e de desencadear nova onda de deslocamentos
O Hamas acusou esta quinta-feira Israel de violar repetidamente a “linha amarela” da Faixa de Gaza (que demarca o território controlado por Israel dentro do enclave), afirmando que as violações forçaram um grande número de palestinianos a fugir mais uma vez, noticiou a Al Jazeera.
Hazem Qassem, porta-voz do grupo, sublinhou que as forças israelitas estão a deslocar a linha amarela para oeste diariamente, o que considera ser uma “violação flagrante” dos acordos relacionados com o cessar-fogo.
O grupo palestiniano pediu, assim, aos mediadores para pressionarem Israel para que pare imediatamente com as “violações contínuas”.
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Síria e Qatar criticam visita de Netanyahu à “zona tampão" nos Montes Golã
O Governo sírio criticou a visita do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, à chamada “zona tampão da Síria”, considerando-a “uma violação perigosa da soberania e da unidade da Síria”.
De acordo com a Reuters, um responsável militar sírio defendeu que essa visita de Netanyahu, na quarta-feira, foi um sinal de que “Israel não está disposto a abrir mão dos postos avançados”. A disputa surge numa altura em que, após a queda de Bashar al-Assad, Israel assumiu o controlo de vários locais a leste de uma “zona tampão”, patrulhada pela ONU, que separa os Montes Golã do território sírio.
“A visita de Netanyahu envia a seguinte mensagem: nós [os israelitas] não nos retiraremos das áreas em que entrámos depois de 8 de dezembro (…) independentemente do acordo de segurança, do seu futuro ou do seu destino”.
Esta é a mensagem que estão a enviar à Síria – que Israel não está disposto a abdicar destes postos avançados”, disse o responsável à Reuters.
Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar condenou “a entrada do primeiro-ministro da ocupação israelita nos territórios sírios”, segundo o jornal israelita Haaretz.
“O Qatar considera esta uma violação flagrante da soberania da República Árabe Síria, país irmão, uma transgressão flagrante do direito internacional e uma séria ameaça à segurança regional”.