Momentos-chave
Histórico de atualizações
  • Encerramos aqui este liveblog sobre o acompanhamento da nona sessão de julgamento da Operação Marquês e do oitavo dia de esclarecimentos de José Sócrates.

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  • Cartas de demissão na Wikipédia, os "pensamentos criminosos" com Vara e o dinheiro do primo. As negações de Sócrates em tribunal

    Ex-governante foi pela primeira vez avisado de que poderia sair da sala se mantivesse atitude ofensiva contra MP. Após nove sessões, julgamento fechou os três blocos e entrou no capítulo do dinheiro.

    Cartas de demissão na Wikipédia, os “pensamentos criminosos” com Vara e o dinheiro do primo. As negações de Sócrates em tribunal

  • Fim da nona sessão de julgamento

    Terminou a nona sessão de julgamento da Operação Marquês. Os trabalhos continuam na quarta-feira, a partir das 9h30, no Juízo Central Criminal de Lisboa.

  • MP questiona Sócrates sobre dinheiro associado ao primo

    Depois de ter recordado novamente as heranças recebidas pela mãe e o papel que o irmão teve na administração da vida familiar até à sua morte em 2011, José Sócrates responde agora a questões do MP acerca do dinheiro alegadamente proveniente do primo José Paulo Pinto de Sousa.

    Questionado se o ex-primeiro-ministro sabia se os milhões que estavam na conta do primo vieram a integrar o RERT II de Carlos Santos Silva, o antigo governante negou. “Não faço a mínima ideia de que negócios foram esses entre o José Paulo e Carlos Santos Silva. Tenho conhecimento e confiança de que foram absolutamente lícitos. Mas isso tem de ser perguntado a eles, acho que é mais razoável que o MP se dedique a apresentar provas dos milhões do que a falar do dinheiro do José Paulo”, frisou.

    José Sócrates sublinhou também que “toda a Europa fez RERT” (regime excecioonal de regularização tributária) e que isso resultou de uma proposta do seu Ministério das Finanças. “Não foi por meu impulso”, concluiu.

  • Sócrates garante ser "completamente alheio" a movimentações financeiras do primo

    José Sócrates assegurou ser “completamente alheio” às movimentações financeiras na conta de José Paulo Pinto de Sousa e considerou ainda ser “uma violência extraordinária” ter de reconstituir a sua vida financeira “passados 20 anos”.

    “Já não interessa qualquer sessão de julgamento se as pessoas já foram insultadas nas televisões durante 20 anos. E isso foi feito com origem na própria investigação, que colocou essas notícias nos jornais para me atingir”, indicou, continuando: “Há coisas que custam muito a ler ainda hoje. Como é possível que passados 20 anos, sem nenhum facto, se sustente isto?”, questionou.

  • Recomeço dos trabalhos com esclarecimentos sobre ligação ao primo

    Os trabalhos foram agora retomados, com José Sócrates a recomeçar os seus esclarecimentos sobre a ligação ao primo José Paulo Pinto de Sousa e a imputação de que este seria o primeiro “testa de ferro”.

  • "O dinheiro era do José Paulo, formalmente e de facto", defende Sócrates

    Antes do intervalo, José Sócrates insistiu que não recebeu dinheiro do primo. “O dinheiro era do José Paulo, formalmente e de facto. Nunca me entregou dinheiro enquanto fui primeiro-ministro”, observou o principal arguido do processo Operação Marquês.

    Relativamente às férias na primeira quinzena de agosto de 2006, em que Sócrates teria estado no Algarve, o ex-primeiro-ministro garantiu que esteve apenas na primeira semana e que depois, no dia 13, já não se encontrava no Algarve, mas sim no Brasil.

    José Sócrates assumiu saber que o primo — que responde por dois crimes de branqueamento em coautoria com Sócrates, Ricardo Salgado, Helder Bataglia e Carlos Santos Silva — tinha negócios em Angola, mas desconhecia que tivesse contas na Suíça. “Não sabia que o José Paulo tinha contas na Suíça, sabia que o meu tinha (António Pinto de Sousa) tinha”, contou.

  • Novo intervalo nos trabalhos após Sócrates manifestar cansaço

    José Sócrates expressou à juíza presidente que estava cansado e a magistrada Susana Seca acedeu a fazer uma pausa de 15 minutos nos trabalhos.

  • "É tudo falso", responde Sócrates às alegações de que recebeu dois milhões de euros do primo

    O MP terminou as questões sobre Vale do Lobo e o julgamento avança agora para os circuitos financeiros — uma das provas apontadas como mais fortes na acusação —, em especial a alegação de que José Sócrates recebeu dois milhões de euros do seu primo, José Paulo Pinto de Sousa.

    “É tudo falso. A acusação de que recebi dois milhões de euros do meu primo… nunca o meu primo José Paulo me deu dinheiro enquanto estive no Governo. O meu primo tinha dinheiro na Suíça, o tio já tinha. Isso é com ele, não tem nada a ver comigo. Encontrávamo-nos nas férias… Nem o funcionário Aurélio Alves nem o meu primo me entregaram qualquer quantia em dinheiro. O que me está a ser exigido é: prove a sua inocência”, disse, resumindo: “Não há uma única prova que sustente a acusação de que o meu primo me entregou dinheiro”.

    O ex-primeiro-ministro aborda agora a alegada entrega de 150 mil euros em numerário pelo primo no final das férias, mas Sócrates é taxativo: “É tudo fantasia, não tem ponta por onde se pegue”.

  • Sócrates reitera que não houve pressão sobre Campos e Cunha para trocar a administração da Caixa

    José Sócrates defende que não houve pressão sistemática e que essa alegação era um insulto ao Governo. “Não houve pressão sobre ele para mudar fosse o que fosse… O que houve foi outros ministros dizerem que tinha de se mudar alguma coisa na Caixa, ninguém fez pressão sobre ele”, disse.

    Ato contínuo, rejeitou que tenha entrado em contradição: “Não entrei em contradição nenhuma. Campos e Cunha disse-me que queria mudar a direção e a governance. Bom, ele não tinha nenhuma ideia do que fazer. Campos e Cunha mentiu nesta carta quando disse que o Governo o pressionou. Não foi esta a razão pela qual se demitiu, ele demitiu-se por causa (da reforma) do terço”.

  • Após irritação de Sócrates, MP sugere que saia da sala. "E por que não prisão preventiva?", ironiza ex-PM

    A procuradora Nadine Xarope pediu então ao tribunal a exibição da carta de demissão de Campos e Cunha do Governo liderado por José Sócrates, em 2005, na qual se lê entre os motivos invocados para a saída a “pressão sistemática relativa à substituição da administração da Caixa”. O MP notou que estas palavras contrariam frontalmente o que alega o arguido e pediu explicações.

    “Peço desculpa, a senhora procuradora parece que não esteve cá de manhã”, respondeu José Sócrates, sendo imediatamente avisado pela procuradora para se dirigir “com educação”. Então, a magistrada do MP falou para levantar a hipótese de Sócrates “sair da sala” se continuar com este comportamento.

    “E porque não prisão preventiva?”, ironizou, em resposta, Sócrates. A juíza Susana Seca pediu ao ex-primeiro-ministro para responder às perguntas e para não fazer comentários.

  • Sócrates garante que "mal-estar" de Campos e Cunha começou com alteração das regras de aposentação

    Novamente sobre a saída de Campos e Cunha do Governo, o MP questionou então se José Sócrates conseguia concretizar a data da reunião em que o então ministro das Finanças lhe teria transmitido a vontade de substituir a administração da Caixa Geral de Depósitos e se já tinha sido apresentada alguma carta de demissão.

    “Estamos a falar de factos de há 20 anos… o que me lembro é o seguinte: logo que chegámos ao governo, o ministro Campos e Cunha comunicou-me a intenção de mudar a administração da Caixa… Que tinha sido nomeada por razões partidárias, que não tinha competências, que era importante por causa do fundo de pensões e porque a Caixa estava uma confusão”, referiu.

    Sócrates alegou ainda que foram “várias” as cartas de demissão apresentadas por Campos e Cunha. “A Wikipédia diz que apresentou quatro”, comentou, gerando alguns risos na sala. Logo de seguida, explicou que a primeira carta de demissão foi depois das medidas que o Governo tomou, entre as quais a reforma da administração pública que alterou regras de aposentação.

    “Lembro-me de uma reunião em que se discutiu isso. Nós queríamos aumentar a idade de reforma porque havia pessoas a reformar-se aos 50 e 55 anos e o ministro defendia que se devia aumentar no privado dos 65 para os 70 e deixar tudo igual no público, porque eram direitos adquiridos. Eu disse que não podia ser e que tinha de se dar o exemplo. E aí começou o mal-estar (do ministro)”, frisou.

  • Sócrates diz que não sabia se Vara era amigo de Carlos Santos Silva

    No recomeço dos trabalhos, José Sócrates começou por confirmar que o nome que Teixeira dos Santos trazia para presidir à nova administração da Caixa Geral de Depósitos era o de Carlos Santos Ferreira, que seria mesmo nomeado pelo Governo. De seguida, garantiu que “não falava habitualmente com Armando Vara”.

    “Deixámos de ter vidas que provocassem o nosso encontro. Não falava com Armando Vara habitualmente e nunca discuti com ele assuntos da Caixa. Pela milésima vez: Vale do Lobo nunca foi assunto político ou pessoal”, disse.

    Questionado se sabia se Vara e Carlos Santos Silva eram amigos, o ex-primeiro-ministro alegou desconhecimento: “Não tinha ideia que Vara era amigo de Santos Silva. Eu estava no Governo e o Santos Silva disse-me alguma coisa, mas não me lembro. Eu estava de férias e ele ligou-me e passou o telefone ao Vara. Não faço ideia se tiveram negócios juntos. Só fiquei a saber que se conheciam no final do meu exercício governamental. (…) Amigos é talvez um termo excessivo”.

  • Sessão retomada

    A sessão do julgamento da Operação Marquês foi retomada após o almoço. O ex-primeiro-ministro José Sócrates começa a responder a questões ao Ministério Público sobre Armando Vara e Vale do Lobo.

  • Sócrates diz que Campos e Cunha não se demitiu por pressões para trocar a administração da Caixa

    No exterior do tribunal, José Sócrates reiterou os ataques ao Ministério Público (MP), ao considerar que “insiste em todos os insultos, não prova nada nem sustenta nada”, e recusou qualquer intervenção no financiamento da CGD a Vale do Lobo. “Já lá vão oito sessões, longas e violentas para mim, e estamos a falar de factos com 20 anos”, observou.

    Em paralelo, refutou aos jornalistas qualquer pressão sobre o antigo ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, para a remodelação da administração da CGD em 2005 e negou que tenha sido essa a razão na origem da sua demissão do Governo que José Sócrates liderava.

    “Tentou transformar um falhanço numa razão de queixa. Mas ele não se demitiu por isso, demitiu-se por causa da reforma” sobre a acumulação de salário e pensão nos funcionários públicos reformados no exercício de funções, alegou o ex-primeiro-ministro.

    No final, Sócrates voltou ao alegado jantar em casa de Ricardo Salgado para lembrar o depoimento do ex-banqueiro em 2017, no qual o antigo presidente do BES declarou que o ex-primeiro-ministro apenas foi entregar um livro e não ficou para jantar. Questionado pelos jornalistas se também não havia interesse da parte de Salgado em negar esse jantar, José Sócrates irritou-se.

    “Já chega, desculpe lá! Não percebo. Houve duas testemunhas… Devíamos ir ver o depoimento de Ricardo Salgado e agora têm aqui o depoimento e já acham que não tem importância nenhuma, porque é Ricardo Salgado”, declarou, acabando por já não querer responder também a novas questões sobre o que queria dizer nas escutas em que era ouvido a pedir “fotocópias” ou “livros”.

  • Sessão interrompe mais cedo para almoço

    A sessão de julgamento interrompeu mais cedo para almoço, devido aos problemas técnicos. “Fica a constar em ata que parece que estamos com problemas de rede”, indicou Susana Seca.

    A juíza decretou a retoma dos trabalhos pelas 14h00.

  • Problemas técnicos voltam a condicionar sessão, no momento em que MP pedia esclarecimentos a Sócrates

    Quando o Ministério Público (MP) intervinha pela primeira vez na sessão desta terça-feira, o julgamento voltou a ser condicionado por problemas técnicos aparentemente ligados ao sistema de gravação.

    Desta feita, a procuradora Nadine Xarope, que integra a equipa de três magistrados do MP, perguntava a José Sócrates qual era o nome que o seu antigo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, levava para presidir à administração da CGD. Contudo, o antigo primeiro-ministro nem chegou a responder, devido ao reporte de novos problemas técnicos pela funcionária judicial na sala de audiência.

  • Problemas técnicos estão resolvidos e Sócrates começa a falar sobre o tempo de Vara na CGD

    Uma vez ultrapassados os problemas técnicos registados após o intervalo da sessão, José Sócrates é questionado pela juíza sobre o tempo em que Armando Vara esteve na administração da CGD.

    “Entre 2005, quando foi nomeado, e a crise do BCP. Ele e Santos Ferreira foram comunicar ao ministro das Finanças que tinham sido convidados pelo BCP e que queriam aceitar. Teixeira dos Santos disse-me que tínhamos de nomear uma nova administração para a Caixa e eu disse que era um pouco embaraçante”, conta o ex-primeiro-ministro.

    Segundo Sócrates, só se cruzou com Vara “uma ou duas vezes” enquanto este foi administrador do banco público e reiterou que a gestão da Caixa não foi tema de conversa: “Não tínhamos qualquer contacto. Nunca falámos sobre como estava a Caixa, se andava bem ou mal ou se tinha algum problema. Nem isso era tratado comigo… Quem acompanhava com mais proximidade a tutela da Caixa era até o Secretário de Estado do Tesouro, Carlos Costa Pina”.

  • Sessão retomada, mas problemas técnicos atrasam trabalhos

    A sessão de julgamento já foi retomada, com a presença do coletivo de juízas, dos procuradores e dos advogados, mas problemas técnicos estão a atrasar o recomeço dos trabalhos, tendo sido chamada outra funcionária para tentar ajudar a resolver o contratempo.

  • Intervalo de 15 minutos nos trabalhos

    A juíza Susana Seca decreta um intervalo de 15 minutos nos trabalhos da sessão de julgamento.

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