Momentos-chave
Histórico de atualizações
  • Encerramos aqui o liveblog dedicado à sessão de terça-feira do julgamento da Operação Marquês, preenchido por mais declarações do ex-primeiro-ministro José Sócrates.

    Obrigado pela sua companhia.

  • A "violência" nunca vista e o "herói" George Clooney. Como Sócrates explicou o TGV e as casas — a de Paris e as da Venezuela

    Num dia em que o MP fez poucas perguntas, o ex-PM ’embrulhou-se’ nas escutas sobre a casa de Paris e citou ator George Clooney para dizer que se sentia melancólico sobre Portugal.

    A “violência” nunca vista e o “herói” George Clooney. Como Sócrates explicou o TGV e as casas — a de Paris e as da Venezuela

  • Sessão do julgamento já terminou por hoje

    A sessão desta terça-feira do julgamento da Operação Marquês já terminou. O julgamento prossegue na quarta-feira com a audição da testemunha Maria Isabel Campos da parte da manhã e com a continuação das declarações de José Sócrates a partir das 14h00.

  • Declarações de Sócrates acabam por agora e são retomadas na tarde de quarta-feira

    Foi determinada a interrupção das declarações de José Sócrates face ao agendamento já existente para a audição de outra testemunha.

    Segue-se agora a inquirição do engenheiro Duarte Lopes da Silva, que passou pela Refer e pela RAVE.

    José Sócrates irá voltar a falar em tribunal na tarde de quarta-feira.

  • Ex-governante referiu que foi viver para o apartamento de Carlos Santos Silva sem o ver

    Em resposta às questões da juíza Susana Seca, o antigo primeiro-ministro assegurou que foi viver para o apartamento de Paris sem ver as condições do imóvel.

    “Eu fui para lá depois de ele me dizer que tinha comprado o apartamento. Tirámos tudo do apartamento onde estávamos e levámos para lá. Fomos sem ver. O apartamento estava em mau estado, mas dava para viver e não me queixo. Ele disse-me: podes ficar aí até as obras começarem”, afirmou.

  • Sócrates explica alegadas ordens a Santos Silva sobre casa de Paris. "O Carlos queria fazer-me um favor mas a família dele não gostava"

    Ainda sobre o apartamento de Paris, José Sócrates recupera uma conversa entre Gonçalo Trindade Ferreira e Carlos Santos Silva sobre o aluguer do apartamento com e sem móveis para sintetizar que a última palavra sobre o imóvel era sempre do empresário e não sua, rejeitando a tese do MP de que seria o ex-primeiro-ministro o verdadeiro proprietário.

    “Não só Carlos Santos Silva decide no momento, como é ele que decide e é com ele que o Gonçalo trata de tudo. Eu desisti do plano, que consistia em viver na casa do Carlos até ao final do ano letivo de 2013/14”, frisou, explicando que essa situação o levou posteriormente a arrendar um outro apartamento para o ano de 2014.

    A juíza questiona então sobre um tom aparentemente decisório de Sócrates nas conversas sobre o apartamento com Santos Silva, com o antigo governante a revelar a existência de um mal-estar da sua família com as obras na casa de Paris e na família de Santos Silva por não poder usar então o imóvel.

    “O meu filho tinha razão: a família do Carlos gostava de ter o apartamento desocupado. Ele queria fazer-me um favor, mas a família dele não gostava”, contou.

  • Sócrates cita conversa entre Santos Silva e advogado Gonçalo Trindade Ferreira em que era chamado de "inquilino"

    José Sócrates insurgiu-se contra a seleção das escutas feita pelo MP para o processo e garantiu que não vai “aceitar essa seleção”, ao notar que “há muitas escutas que não foram selecionadas e que contrariam a tese” da acusação. De seguida, citou uma conversa entre o empresário e amigo Carlos Santos Silva e o advogado Gonçalo Trindade Ferreira, realizada no dia 8 de novembro de 2013, e acusou o MP de faltar à verdade.

    “O Carlos liga ao Gonçalo e diz: ‘quando puderes, liga lá ao arquiteto e pergunta se há condições de o inquilino ficar lá instalado’. Era assim que se falava de mim. Não como senhorio, não como proprietário, mas como inquilino”, afirmou, resumindo: “Espero que este ponto tenha ficado claro”.

  • Perguntas sobre casas da Venezuela terminaram, segue-se a casa de Paris

    As questões sobre o tema das casas da Venezuela terminaram ao fim de cerca de 20 minutos, sem que a juíza ou as restantes defesas tenham solicitado mais esclarecimentos a José Sócrates.

    O antigo primeiro-ministro prossegue agora as suas declarações sobre a casa de Paris.

  • Fernando Serrasqueiro e Vítor Escária eram os "'pontos focais' que se ocupavam" dos negócios com a Venezuela.

    O antigo primeiro-ministro José Sócrates refutou qualquer intervenção direta na promoção das empresas portuguesas, nomeadamente o grupo Lena, junto do Governo da Venezuela e remeteu esse papel para o antigo secretário de Estado Fernando Serrasqueiro.

    “Havia um secretário de Estado responsável por toda a cooperação económica: Fernando Serrasqueiro. Encarregava-se da promoção das empresas portuguesas junto do governo venezuelano. Tinha a pasta da internacionalização”, referiu, assegurando que o Ministério das Obras Públicas “só tratava das obras públicas setorialmente”.

    “Eu não me ocupava de nada (disto)”, resumiu Sócrates, destacando ainda outro elemento, após uma questão da juíza: Vítor Escária. “Era meu assessor económico, respondia diretamente a mim, tinha contactos com a Venezuela e trabalhava de forma muito estreita com Fernando Serrasqueiro. Na cooperação económica havia os chamados ‘pontos focais’ que se ocupavam das coisas.”

  • MP diz que adiantamento por conta das casas da Venezuela prova que entrou "muito dinheiro" no grupo Lena

    Na senda das questões que vem agora colocando sobre as casas da Venezuela, o procurador Rómulo Mateus pediu a apresentação de um documento que evidencia um pagamento ao grupo Lena antes da execução do projeto. No entanto, José Sócrates lembrou que já tinha abordado esta situação e que se tratou de um “adiantamento”.

    “A Lena recebeu um adiantamento, apesar de a Lena considerar que era um contrato que trazia prejuízos. Era um contrato ruinoso para o grupo Lena e não o cumpriria. Se não tivesse sido feita uma revisão do contrato, a Lena teria de devolver este dinheiro”, afirmou o ex-primeiro-ministro.

    Contudo, a juíza Susana Seca questionou se o documento exposto provava essa entrada de dinheiro, apontando antes para as contas do grupo empresarial, mas o magistrado do MP, sem deixar de reconhecer que estava “nas contas do grupo”, sinalizou que foi “muito dinheiro que entrou para a Lena”.

    “O dinheiro entrou na sucursal do grupo Lena na Venezuela. Este documento prova um adiantamento, mas podemos ver nas contas do grupo Lena”, continuou.

  • Sessão do julgamento retomada com questões sobre casas da Venezuela

    A sessão de julgamento da Operação Marquês foi retomada agora, na sequência da pausa dos trabalhos para o almoço. O Ministério Público volta a colocar questões a José Sócrates, desta feita sobre o tema das casas da Venezuela.

  • Sessão interrompida para almoço

    A sessão do julgamento da Operação Marquês foi agora interrompida para almoço, com o fim das perguntas sobre o tema do TGV. De tarde, José Sócrates deverá responder a questões sobre o dossier das casas da Venezuela.

  • Sócrates diz que Passos Coelho achava que "tudo era um risco" e que seria contra o investimento público

    Agora é o MP a fazer questões a José Sócrates, mas as perguntas acabam entrecortadas com uma análise do antigo primeiro-ministro, na qual colocou em contraponto o seu governo com a oposição então liderada por Passos Coelho e pela restante liderança das instituições europeias.

    “Tínhamos uma divergência política séria com a Direita… e com toda a Europa. A Europa cometeu o maior erro, que foi a partir de 2010 não ter enveredado, como os EUA, por uma política expansionista. Esse ‘quantitative easing’ foi um projeto aprovado pela Reserva Federal em 2008. Aqui, na Europa, a Direita procurou seguir uma política de redução do investimento público e de austeridade, até que em 2015 o BCE aprovou o ‘quantitative easing’. Sete anos depois”, afirmou.

    Sócrates realçou ainda a distinção com o então líder do PSD, que viria ser o seguinte primeiro-ministro. “Ele [Passos Coelho] achava que tudo era um risco, que o investimento público era um investimento improdutivo”.

  • "Os meus heróis de juventude eram o Robert Redford e o Paul Newman. Agora é o George Clooney"

    José Sócrates adotou um tom mais descontraído para falar sobre os seus “heróis” e, apesar de elogiar o Governo Montenegro por ter recuperado as suas ‘grandes obras públicas’, não deixou de criticar os governos que se seguiram aos executivos que liderou entre 2005 e 2011.

    “Os meus heróis de juventude eram o Robert Redford e o Paul Newman. Agora é o George Clooney. Ele disse numa entrevista que já tinha 65 anos e que tudo à sua volta lhe parecia melancólico. E eu disse: é tão bom envelhecer ao mesmo tempo do George Clooney, eu já tenho um pouco mais de 65 anos… Só sou poupado à melancolia por este tribunal. (…) Este é um país que está condenado a apanhar o TGV para Madrid em Badajoz”, disse.

  • Sócrates ataca a Direita por ter feito "uma campanha contra as PPP" da sua governação

    “A Direita lembrou-se de fazer uma campanha contra as PPP. Só eram más quando eram do PS”, assinala agora José Sócrates, ao visar a oposição ao seu executivo. De seguida, atacou Marques Mendes e o Ministério Público pela conduta em relação ao tema das Parcerias Público-Privadas, enfatizando uma avaliação positiva desses procedimentos.

    “Como se mede a importância de uma PPP? Fundamentalmente em função da sua taxa interna de rentabilidade. O privado mete lá dinheiro e quer receber ao longo dos anos o retorno do seu investimento. E as nossas taxas foram das menores da Europa e eram as melhores, comparando com as anteriores PPP feitas nos governos de Durão Barroso e António Guterres”, indicou.

    Em alusão ao ex-comentador televisivo e ex-candidato à Presidência da República, Sócrates ligou Marques Mendes ao MP. “Um comentador dito distante fazia comentários contra as PPP e isso resultou num inquérito às PPP. Isso resultou no procurador Ventinhas, no Algarve, a abrir um inquérito, em 2011. Estamos em 2026 e ainda não acabou a instrução”, comentou, cometendo um lapso sobre o fim da instrução desse processo, que terminou no passado mês de junho.

  • "O grande mérito do atual governo foi recuperar os projetos do Sócrates"

    José Sócrates considera que o executivo liderado por Luís Montenegro tem o “grande mérito” de ter recuperado alguns dos projetos anunciados na sua governação, designadamente o TGV, o novo aeroporto ou a terceira travessia sobre o Tejo.

    “O grande mérito do atual governo foi recuperar os projetos do Sócrates. O governo do PS não podia, porque eram projetos do Sócrates. Este governo falou agora: aeroporto, TGV Lisboa-Madrid, terceira travessia… Se me pergunta se olho com olhos de indignação, não”, comentou.

  • "Nunca troquei nenhum ponto de vista com Carlos Santos Silva sobre o TGV"

    José Sócrates deixa uma garantia ao tribunal: “Nunca troquei nenhum ponto de vista com Carlos Santos Silva sobre o TGV. E nunca conheci Joaquim Barroca antes de 2009. O projeto todo do TGV começa em 2008, a adjudicação é que é no final de 2009”.

  • Sócrates recorda reunião com o presidente do júri do concurso do TGV. "Foi porta-voz do PS para as obras públicas nos anos 80"

    A juíza Susana Seca começa por questionar José Sócrates se falou com mais alguém fora da esfera do Governo sobre o projeto do TGV e o antigo primeiro-ministro refutou, salientando uma “única exceção” já do conhecimento do tribunal e que incluiu o antigo ministro das Obras Públicas Mário Lino e com o então presidente do júri do concurso Raul Vilaça Moura.

    “Mário Lino pediu audiência para dar conta de diferentes dossiês e pediu ao presidente do júri para o acompanhar e para me transmitir as preocupações com a avaliação que o TdC ia fazer ao contrato do TGV. Tenho memória de que essa reunião demorou uns minutos, não sabia que o eng. Vilaça Moura era o presidente do júri… Tenho ideia de ter convivido com ele nos anos 80, ele foi porta-voz do PS sobre obras públicas e deputado. Cumprimentei-o com efusividade e demorou uns minutos a expor-me as preocupações. Com franqueza, não recordo; recordo-me do que disse: que nestas questões da administração pública o melhor é seguir a jurisprudência, mesmo que não concordemos”, adiantou.

  • Sócrates vai agora começar a responder a questões sobre o TGV e casas da Venezuela

    Após um breve intervalo, José Sócrates vai agora começar a responder a perguntas do tribunal sobre o tema do TGV e ainda das casas da Venezuela, de que falou na sessão da passada quinta-feira.

  • Sócrates ataca "acusação feita de forma maliciosa" e refere que MP faz uma "perseguição pessoal"

    José Sócrates reiterou esta terça-feira nunca ter dado “orientações a ministros sobre procedimentos para concursos”, em referência ao TGV, e que os pareceres jurídicos tinham sido pedidos pelo secretário de Estado com a pasta das Obras Públicas.

    “Com o devido respeito, quando se escreve uma coisa tem de se provar. O que está aqui escrito é falso. Esta acusação está feita de forma tão maliciosa, que nada tem a ver com a responsabilidade do MP de investigar um crime. Trata-se de perseguir um homem”, observou.

    Para o ex-governante, a acusação do MP proferida em outubro de 2017 evidencia “malícias” e uma “perseguição pessoal”.

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