No dia 1 de outubro assinalou-se o Dia Europeu das Fundações e Doadores. É uma oportunidade para reconhecer o trabalho desenvolvido pelas fundações e, sobretudo, para refletir sobre o seu contributo para a sociedade portuguesa.

Portugal tem um setor fundacional muito diversificado. Existem fundações de diferentes dimensões, histórias e origens, com intervenção na educação, ciência, saúde, cultura, ação social, ambiente, património, cidadania e desenvolvimento dos territórios.

Essa diversidade é uma das suas principais riquezas.

Há fundações com projeção nacional e internacional e outras profundamente ligadas às comunidades onde nasceram. Há instituições que financiam projetos de terceiros e outras que desenvolvem diretamente programas e serviços. Há fundações empresariais, familiares, comunitárias e instituições com décadas de presença na sociedade portuguesa.

O que as une é a afetação duradoura de recursos a finalidades de interesse geral.

Todos os dias, as fundações apoiam investigação, atribuem bolsas, promovem educação, preservam património, desenvolvem respostas sociais, apoiam criação cultural, protegem recursos naturais e contribuem para comunidades mais fortes.

Muito desse trabalho acontece de forma discreta.

Só em determinados momentos se torna particularmente visível. A resposta das fundações aos territórios afetados pela tempestade Kristin mostrou, por exemplo, a capacidade do setor para mobilizar rapidamente recursos (mais de 39 milhões de euros), trabalhar em proximidade com instituições locais e contribuir para a recuperação de comunidades.

Mas o valor das fundações não deve ser observado apenas nos momentos de crise.

A sua principal contribuição está muitas vezes na continuidade. Na possibilidade de acompanhar uma causa durante anos, investir em conhecimento, construir relações de confiança e apoiar respostas cujo impacto exige tempo.

Num país confrontado com desafios económicos, sociais, demográficos, ambientais e tecnológicos cada vez mais complexos, esta capacidade é particularmente relevante.

O setor fundacional pode contribuir com recursos, conhecimento, capacidade de inovação, proximidade e uma visão de longo prazo. Pode também ajudar a criar pontes entre instituições e promover formas de cooperação capazes de gerar melhores respostas para problemas comuns.

Mas esse contributo exige igualmente responsabilidade.

Transparência, boa governação, integridade, avaliação e prestação de contas são condições fundamentais para a confiança nas fundações.

O setor deve continuar a evoluir, a melhorar práticas, a medir melhor os seus resultados e a explicar de forma mais clara o valor que cria para a sociedade.

O Centro Português de Fundações assegura que as fundações que aderem ao Centro estão conformes com a Lei. E são felizmente muitas. 18 no último ano e meio.

É também necessário comunicar melhor o contributo das fundações para o país e promover um conhecimento mais informado sobre o setor. É com esse objetivo que o Centro Português de Fundações lançou o Prémio Fundações 2026 – Jornalismo e Fundações, distinguindo trabalhos jornalísticos que contribuam para aprofundar o conhecimento público sobre as fundações, o seu impacto e o seu papel na sociedade portuguesa.

Um setor mais conhecido é também um setor mais escrutinado, mais transparente e mais próximo dos cidadãos.

O Centro Português de Fundações tem procurado contribuir para esse caminho, promovendo cooperação, capacitação, conhecimento e padrões exigentes de atuação no setor.

O Dia Europeu das Fundações e Doadores não deve, por isso, ser apenas uma celebração.

Deve ser também um momento de compromisso.

Compromisso com as comunidades. Com a transparência. Com a colaboração. Com a utilização responsável dos recursos disponíveis. E, acima de tudo, com a capacidade de produzir impacto positivo e duradouro.

As fundações são uma parte importante da sociedade civil portuguesa.

Quanto mais fortes, responsáveis, abertas e colaborativas forem, maior será o seu contributo para Portugal.