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Este podcast tem o apoio da Telepizza. Olá, bem-vindo ao podcast "A Fatia da Minha História". Esta é uma parceria do Observador com a Telepizza. Eu sou o Nelson Ferreira e hoje vamos falar de música e da música do Alex Dalva Teixeira, que é o meu convidado esta semana. O Alex é um dos maiores talentos que a lusofonia já produziu. Senão, vejamos: nasceu em Luanda, é português-brasileiro e é um embaixador da margem sul e da melhor pop que se faz em Portugal. Alex, bem-vindo. Bem-disposto?
Sim. Olá, Nelson. Tudo ok.
Como já vem sendo habitual, uma boa conversa não se faz com fome, não é? Por isso, se não te importares, eu estarei aqui a comer uma pizza que ainda não experimentei e que tenho alguma curiosidade. É a Pizza Pops da Telepizza. Isto se me deres licença, claro.
Claro que sim. Pizza é sempre bom a qualquer altura.
É sempre uma boa solução. Alex, todos te conhecemos como metade dos Dalva, a banda que partilhas com o Ben Monteiro, mas queria ir mais lá atrás e ao teu início como Alex Dalva Teixeira e até à Flor Caveira, a editora e o coletivo de músicos onde te estreaste. Eles, de alguma forma, foram a tua garagem? É a Flor Caveira o início das tuas experiências musicais ou elas ainda são anteriores a isso?
O início ainda é bem anterior à Flor Caveira. Ainda houve um caminho muito longo até chegar à Flor Caveira, mas esse coletivo foi muito importante, porque, na verdade, foi a Flor Caveira que me deu a conhecer a toda a gente, não só em Lisboa, mas também em Portugal. Antes de editar pela Flor Caveira, já tinha outras bandas, bandas de garagem, mas também num contexto mais underground, no metal e no hardcore. Fiz parte de outros projetos, mas acho que a história pode começar a ser contada a partir dessa época da Flor Caveira.
Eu estava aqui a lembrar-me precisamente que tu nessa altura eras bem mais hardcore, mais rock e até menos pop do que atualmente. Quais eram as tuas influências dessa época? E estou aqui também me a lembrar das canções do teu EP, o "Isto Não é um Projeto", onde o teu som nessa altura também era um bocadinho mais rasgadinho.
Sim, acho que tinha mais influências rock e também, na verdade, vai muito ao encontro da música que ouvíamos na altura, desde, sei lá, na altura ouvíamos muito Bloc Party, Yes e Maximo Park e bandas parecidas, a coisa do indie rock. Mas eu acho que na altura também já era muito eclético como sou agora, só que, na verdade, o EP nasce numa necessidade de querer explorar mais coisas. Eu passava muito tempo a tocar em bandas de punk ou de hardcore e senti que queria explorar mais sons. A música não é só essa parte do espectro sonoro, há muito mais coisas e com o Ben Monteiro nós percebemos isso, que nós tínhamos um gosto que era muito eclético e em conjunto poderíamos explorar muita coisa nesse EP. Eu, na verdade, na altura, queria fazer um EP muito mais direcionado para música à base de guitarras, mas foi a partir desse EP que começamos a experimentar com sintetizadores, tanto eu como o Ben. E hoje os sintetizadores acabam por ser uma espécie do ingrediente mais importante na nossa música.
Tenho uma curiosidade: como é que conheceste o Ben e como é que começas a fazer música com ele? Quando é que se inicia o vosso bromance, de alguma forma?
O Ben fazia parte de uma banda de punk rock, que era o Striped. E na altura essa banda era a minha banda favorita, pelo menos do panorama nacional, eles eram mesmo a minha banda predileta. E eu organizava uns festivais na minha terra, na Moita, e o intuito desses festivais era angariar fundos para uma associação sem fins lucrativos que dava apoio a animais. E em duas edições desse festival convidámos a banda do Ben e foi aí que ele me viu tocar pela primeira vez. Se bem que eu era mesmo aquele fã que ia ao máximo, ao maior número de concertos que conseguia, tentava comprar o merchandising todo.
Eras um groupie importante.
Era quase, sim. E depois chegou um ponto em que nos tornámos amigos e ele sugeriu dar-me uma ajuda para gravar uma maquete, que acabou por ser um EP. Não foi uma maquete, foi um EP que saiu na Flor Caveira, o "Não é um Projeto", e nesse EP eu estava a três tempos.
A três tempos foi a primeira canção que eu me lembro de ouvir tua assim já mais completa, até porque ainda me lembro de teres participado no Festival Termómetro. Nessa altura ainda era só como Alex Dalva Teixeira, não era?
Sim, a ideia era ser um projeto a solo e não próprio. Mas é curioso que-
Já não me lembro bem do ano, nem quem ganhou nesse ano, já foi há bastante tempo
...eu não me lembro bem do ano, se não estou em erro, deve ter sido 2012, não tenho certeza, mas nesse ano ganharam os Crisis, também participaram os The Black Mamba.
Ok, já estou mais situado.
Sim, e a formação era a mesma, curiosamente. Hoje em dia, os Dalva sou eu, o Ben Monteiro e o Gonçalo de Almeida, que toca bateria. Nessa altura, nós já tocávamos juntos. Portanto, é engraçado ver que a formação já estava lá. Foi só uma questão de dar o nome correto às coisas.
Falamos aqui ao de leve do Festival Termômetro, mas lembrei-me agora que tu estás a tornar-te também num especialista em Festival da Canção. Levas já três participações, duas como autor, se não estou em erro, outras como convidado, também daquele que foi pra mim um dos momentos musicais televisivos mais espetaculares dos últimos anos, o momento que te juntou também com o Samuel Úria, a Joana Espadinha, Surma, Lena d'Água e NBC, se não me falha a memória. Foi um belo momento. Como é que foi participar nesse quase medley da música portuguesa?
Foi uma honra enorme, acima de tudo, porque eu sempre quis atuar no palco do Festival da Canção. Sou fã do Festival da Canção e também sou fã da Eurovisão. E quando recebi o convite, não hesitei, especialmente tendo em conta que foi o Samuel Úria a escolher os artistas. O único critério era ser artistas nacionais que de algum modo estivessem ligados à história do Festival da Canção. E tendo em conta que também o medley era um tributo à história do rock português, fiquei supercontente por fazer parte desse momento.
Tu na última edição do Festival da Canção participaste no tema do Virgulo, que foi interpretado pela Ariana. Antes, os Dalva já tinham criado aquele single "Inércia" para a Ana Cláudia. São duas canções muito diferentes, não é?
Sim, sem dúvida. Acima de tudo, porque também são intérpretes diferentes e vem em alturas completamente diferentes. No primeiro caso, da Ana Cláudia, era uma canção escrita por mim e pelo Ben, os Dalva, e fizemos a pensar na voz da Ana Cláudia. E no caso do Virgulo, aquilo, na verdade, tem muito dele. E como nós já colaboramos com frequência, escrevemos muitas letras juntos. Aliás, o último álbum do Virgulo, eu, o Ben e o Virgulo escrevemos as letras todas do álbum em conjunto. Fez todo sentido manter essa parceria e estendê-la também ao Festival da Canção, onde também pudemos trabalhar com o Toty Samed, que é um artista incrível, o Gerson Marta, o Dino Santiago também deu-nos uma ajuda. Foi uma experiência mesmo memorável.
E a vitória daqueles italianos roqueiros na Eurovisão, como é que olhaste para aquilo? Podes ser sincero.
Não, sinceramente, fiquei surpreendido.
Mas gostaste do tema e da banda?
Eu sinceramente não tenho qualquer memória, mesmo na altura, enquanto aquilo tudo estava a acontecer, a minha reação foi: "Fiz rock", mas achei que a canção não é nada de memorável. Acho que as canções que ficaram para trás, em segundo e em terceiro, seriam mais interessantes.
Eu tinha uma favorita, era a da Islândia, gostei muito.
Sim, essa também era a minha favorita.
Muito bem. Alex ainda quer muito saber o que é que vão andar a fazer os Dalva para o que resta de 2021, até porque já temos aí dois singles que indicam disco novo, o "Só a Pensar", também mais recentemente "Honest Bar" com a Cláudia Pascoal, mas queria se calhar deixar essa fatia da tua história para o próximo episódio deste podcast, que é uma parceria do Observador com a Telepisa. Eu sou o Nelson Ferreira. Alex Dalva Teixeira vai estar também conosco em breve em novo episódio deste podcast. Alex, até já e obrigado por te juntares a nós.
Até já.
No próximo episódio da Fatia da Minha História, vou estar à conversa com o Ricardo Simões. Ele vai nos contar ainda um pouco mais sobre o que é o trial bike e sobre o que é importante ter em conta para quem está a começar agora nesta modalidade. Por isso, acompanhe-nos também no site do Observador, onde estão os episódios deste podcast, a Fatia da Minha História.