Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este podcast tem o apoio da Telepizza. Olá, bem-vindos ao podcast "A Fatia da Minha História". É uma parceria do Observador com a Telepizza. Eu sou o Nelson Ferreira e hoje vamos falar de bicicletas, mais concretamente de trial bike. E para isso temos conosco um especialista, o Ricardo Simões. Ele foi campeão nacional de juniores duas vezes. Segundo lugar também num campeonato ibérico, vencedor da Taça de Portugal e do Open de Portugal de trial bike. Ricardo Simões, bem-vindo. Bem-disposto?

Muito obrigado. Estou muito bem-disposto. Como é que é? Tudo bem?

Tudo. Olha, Ricardo, eu temo é que uma boa conversa não se faz com fome e, por isso, se não te importares, eu vou estar aqui a comer uma pizza kebab da Telepizza. Durante os próximos minutos, estava aqui também a olhar para esta caixa da Telepizza, lembrei-me que há uma campanha com a Sport TV, onde podes comer a tua pizza favorita e beber a tua Pepsi Max. Acumulas pontos dessa maneira, que podem dar-te mensalidades e anuidades na Sport TV. Vê se passas depois pelo site golosmaximosabor.pt para saber tudo sobre esta campanha. Mas, Ricardo, já que estávamos aqui a falar da Sport TV, para quando o teu programa de trial bike na Sport TV? Já pensaste nisso?

Nunca pensei muito nisso, até porque seria algo complicado, de certa maneira, mas acho que era brutal. Pelo menos um programa mais virado talvez aos desportos radicais, onde pudéssemos fazer uma avaliação a todos os desportos radicais. Acho que era uma cena brutal.

Tu és aficionado dos canais de desporto ou nem por isso?

Mais ou menos. Eu não sou uma pessoa que vê muita televisão, mas claro que já vi bastante televisão e principalmente canais desportivos. Lembro-me bem que via sempre ao domingo o MotoGP com o meu pai e sempre foi a cena que via mais, talvez.

Os desportos motorizados. Engraçado. Olha, Ricardo, mas vamos lá olhar para o teu percurso. Tu já tens vários prémios, mas também percebi que a tua ambição é um pouco maior que a Península Ibérica. Qual é aquele campeonato ou aquela prova que tu gostavas mesmo de ganhar?

Sim, eu de momento, talvez possa dizer que já não estou tão focado em provas, até porque deixei de competir. Porque em Portugal deixaram de haver provas e virei-me um bocado para uma vertente mais comercial, de certa maneira. Também é uma vertente que dá mais asas, por assim dizer, porque é uma vertente mais de vídeos, talvez uma vertente mais de redes sociais hoje em dia, onde temos mais que fazer vídeos para divulgar o nosso trabalho, de certa maneira. E até porque não há uma prova dessa vertente, porque é uma vertente que junta o trial puro, mais com o BMX, onde fazemos mais manobras. E de momento ainda não há assim propriamente nenhuma prova para essa modalidade nova, por assim dizer. Por isso foco-me um bocado mais nos vídeos.

Mas olha, vamos falar um bocadinho do trial bike. Para quem não percebe nada disto, como eu, que sou um leigo, como é que tu explicarias este desporto, esta modalidade a um leigo?

O trial bike, de certa maneira, é um desporto até relativamente simples, porque o objetivo é passar uma série de obstáculos sem metermos o pé no chão em cima da bicicleta. É uma vertente que dá para fazer muita coisa, porque podemos treinar em qualquer lado, porque só temos que passar obstáculos, basicamente. Hoje em dia começamos a meter mais algumas manobras no meio disso para sermos mais criativos, mas a base disto é passar obstáculos.

E isso faz do trial bike uma modalidade completamente urbana, mais virada para o meio urbano? Era impossível fazer isto num meio mais rural?

Não, sem dúvida alguma que não era nada impossível, até porque penso que o trial tenha começado mais num habitat natural, por assim dizer. Mais rochas, troncos, coisas assim, até porque as provas tinham muito esse tipo de obstáculos. Agora, hoje em dia, acho que sem dúvida se faz isto mais num meio urbano, pelo menos aquilo que faço eu mais, até como sou de Lisboa, dá-me mais jeito. E por isso, é mais o meu habitat, sem dúvida, o urbano.

Olha, e como é que é uma bicicleta típica de trial bike? Estamos a falar daquelas tipo BMX com o banco muito no fundo?

Não, uma bicicleta típica hoje em dia nem tem banco.

Sem banco. Ok.

É mesmo sem banco de todo, porque é algo que não necessitamos, como não fazemos nada sentados, praticamente. Acho que só descansamos sentados, de resto. Estamos sempre em pé na bicicleta, nem banco têm. São bicicletas com pneus normalmente mais largos, com mais cavado para agarrar melhor os obstáculos, com os travões muito potentes, porque temos muito na roda de trás ou mandamos muito para a roda da frente. Acho que são assim as coisas mais importantes numa bicicleta de trial e mais diferentes, por assim dizer.

Ainda te lembras da tua primeira bicicleta de trial?

Lembro-me, sem dúvida alguma.

Ainda a tens ou já partiu?

Por acaso tenho o quadro, mas está completamente partido. Já foi soldado para aí 20 vezes.

É muito diferente essa bicicleta da que tens hoje, da tua melhor que tens hoje?

Sim, é muito diferente, porque a que tenho hoje já tem um banco, por assim dizer, já começa a ser mais parecido, talvez, como estavas a dizer há bocado, com uma BMX, por causa destas coisas que eu disse, de ser uma vertente mais virada para as manobras, para o passar obstáculos, mas juntar manobras, por isso já é um bocado diferente da minha primeira bicicleta, que era uma bicicleta de trial puro.

E tombos, já deste alguns, pelo menos o primeiro quadro já foi todo soldado. E tu já tiveste que soldar alguns ossos?

Não, por acaso, cair Caio algumas vezes, mas é aquelas quedas de caio, rebolo. O mais chato é quando caio de costas, porque caio sempre desamparado e normalmente bato sempre com a cabeça, apesar de eu usar sempre capacete. É assim o mais chato, mas de tombos que me tenham complicado muito a vida, por acaso tenho sorte. Até agora não tive assim nada de mais. Tive uma zona lombar, mas acho que não foi relativamente a tombos, foi um acumular de cansaço ou uma coisa assim. E de resto, por acaso tive sorte até agora.

Para além do capacete, quais é que são as proteções que se usa no trial bike?

Penso que o mais comum é mesmo o capacete. Muita gente gosta de usar luvas, não sei se é bem considerado uma proteção.

Tu usas luvas?

Luvas não uso. De momento, uso joelheiras e caneleiras por uma questão de poder arriscar mais nas manobras, não tanto na parte de trial, porque os pés aí não saem quase nunca dos pedais, mas nas manobras saem bastante e quando voltavam, muitas vezes iam à canela porque escapavam e não é uma cena muito agradável. Por isso comecei a usar caneleiras e joelheiras.

E os joelhos e as canelas são as partes que mais sofrem com este desporto?

Eu diria que sim.

Uma espécie de suspensão, não é?

Sim. E as canelas é muito chato por causa mesmo dos pedais quando escapam irem às canelas. Há muita malta que tem as canelas todas assassinadas.

Todas marcadas, imagino. Olha, queria também perceber isto das manobras. As manobras no trial bike têm nomes e qual é que é a mais difícil?

Sim, têm. Talvez as manobras básicas não tenham tantos nomes, nós damos muitos toques na roda trás, isso nós não damos nenhum nome, sem ser mesmo toques na roda de trás. Algumas subidas básicas, nós propriamente também não temos o nome, que é só subir aquele obstáculo daquela maneira, mas não há assim um nome. Talvez o lado mais das manobras ou algumas técnicas também de trial puro, têm nomes. A mais difícil neste momento, talvez eu diria alguma que eu não acerto. Por exemplo, temos o tail whip, que é uma coisa que eu treino há muito tempo, que é um truque BMX, por assim dizer, que é saltar da bicicleta e rodar o quadro da bicicleta enquanto ficamos só a agarrar no guiador. Essa eu ainda não faço, porque é mesmo difícil.

Lá chegarás, não é?

Espero que sim. Ando a treinar para isso.

Ótimo. Olha, o skate, o parkour, o trial bike, há relação entre os participantes destas modalidades. Elas estão mais ou menos próximas. Há uma espécie de comunidade portuguesa de praticantes destes desportos.

Eu acho que o trial bike, por assim dizer, se for o trial puro, a malta do trial assim mais puro, acho que não há assim uma comunidade tão grande como o resto dos desportos, talvez porque pratiquem mais em meios naturais do que meios urbanos. Por isso, acho que não há muita relação. Agora, eu sempre tive uma grande relação com toda a gente, de todos os outros desportos, BMX, skate, parkour.

Presumo que esta malta se encontre nos mesmos sítios, os mesmos parques urbanos que são bons para este tipo de modalidades, que têm este tipo de obstáculos para transpor.

Sim, foi aí que eu comecei a dar mesmo com muito mais pessoal. Ia para os skateparks onde estava toda a gente e começava a falar com toda a gente e até como faço um desporto diferente, acho que acabo por me ligar bem com as pessoas, porque elas olham e: "Epá, isto é muito diferente". E curtem da minha cena e acabamos todos por falar um bocado. Eu, sem dúvida, acho que gosto também dessa comunidade e que existe essa comunidade.

Olha, falaste no início deste podcast dessa tua vertente mais audiovisual, dos vídeos de trial bike. Sei que, por exemplo, Lisboa já começa a ter vários festivais de cinema só dedicados ao surf ou só dedicados ao futebol. Sei que vai acontecer agora ou nos próximos dias um Motorcycle Film Festival. Haveria material para fazer um festival de cinema só dedicado a vídeos e a filmes de trial bike?

Não, sem dúvida alguma que não. Em Portugal muito menos, porque não há quase ninguém a fazer este desporto, mas mesmo internacionalmente era muito complicado. Agora começam a sair bastantes vídeos e até os atletas talvez mais valiosos no mundo das bicicletas fazem esta modalidade, porque são dois atletas que deram muito esse lado comercial dos vídeos e cresceram muito à pala disso.

Quem são?

Um é um inglês, que é o Danny MacAskill, um escocês, e outro é um austríaco, que é o Fabio Wibmer. Até porque andam em bicicletas normais de enduro ou alguma coisa assim, a fazer truques de trial e as pessoas acabaram por se ligar muito a isso, porque aquilo realmente é muito fascinante.

Eles têm tipo canal de YouTube muito seguido, é isso?

Sim. O Fabio Wibmer hoje em dia talvez mais, porque apanha mais a geração dos mais novos, tem milhões e milhões de visualizações e milhões de seguidores. Aquilo é uma coisa fascinante.

Muito giro. Olha, algum conselho para quem se quer iniciar nesta modalidade? Como é que é melhor começar o trial bike?

O meu conselho é talvez começar também como eu comecei, começarem a pegar nas vossas bicicletas, fazerem algumas manobras básicas, treinar muito equilíbrio, sem dúvida alguma. E outra coisa que é muito importante no trial é ter muita paciência, porque é um desporto mesmo muito demorado, porque tem muita técnica, não é só chegar e mandar alguns truques. Tem mesmo muita técnica por trás, muitas técnicas antigas do trial puro, que nós precisamos sempre delas para fazer tudo o que fazemos no trial. Por isso, é sem dúvida ter a paciência é o mais importante.

Aí ficou o conselho do Ricardo Simões, o meu primeiro convidado neste primeiro episódio do podcast "A Fatia da Minha História". É uma parceria do Observador com a Telepis. Ainda vamos voltar a falar no próximo episódio com o Ricardo Simões, também para perceber um pouco mais a história pessoal dele, como é que ele se iniciou no trial, quais são as suas referências e como é que tudo isto está também a dominar a sua vida atualmente. Sigam também o Ricardo Simões nas redes sociais para ver os espetaculares vídeos que ele faz em trial bike. Ricardo, muito obrigado por teres vindo aqui ao Observador contar-nos um pouco da tua história, neste caso, uma fatia da tua história. Um abraço, Ricardo. Até breve.

Obrigado, um abraço. Tchau.