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"Guerra Traduzida", especial Irão, agora na Rádio Observador, hoje com o Carlos Pedro. Vamos começar a edição de hoje com uma promessa do Irão, que compromete-se a voltar às negociações caso os Estados Unidos regressem ao acordo de junho.
Um entendimento que colapsou um mês depois, em julho, com acusações de violação do acordo de parte a parte. Agora, esta promessa é feita pelo presidente iraniano na Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, que decorre no Quirguistão. As declarações de Pezeshkian surgem numa altura em que o estreito de Ormuz continua a ser um importante ponto de discórdia entre o Irão e os Estados Unidos, que retomaram a troca de tiros na segunda-feira após um mês de relativa calma. Também numa altura em que ficamos a saber da demissão do secretário norte-americano do Exército, Dan Driscoll, que apresentou a demissão à Casa Branca depois de meses de conflito com o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth.
O estreito de Ormuz voltou ontem a ter índices muito baixos de tráfego.
Sim, apenas cinco navios atravessaram o canal ontem, na segunda-feira. Registou-se, portanto, um nível de tráfego muito semelhante ao verificado durante o fim de semana, depois de uma média de 14 navios diários durante os últimos 10 dias. Os dados são da empresa Kepler. Diz ainda que dos cinco navios que passaram por Ormuz, quatro entraram e um saiu, e dos que entraram, três destinavam-se ao transporte de gás natural e os restantes três transportavam cargas sólidas a granel. Quanto ao preço do petróleo, ultrapassa já os $90 por barril. Neste caso, falamos do barril de Brent, a referência europeia.
Em entrevista à Fox News, o vice-presidente dos Estados Unidos diz que Washington está focado em garantir a livre circulação pelo estreito de Ormuz.
É a grande prioridade, há meses, desta administração de Donald Trump. J.D. Vance explica que o ataque de domingo à ilha iraniana de Larak teve como objetivo impedir que o Irão coloque minas no canal e acusa ainda os líderes iranianos de serem muito loucos e pouco estrategas.
"Eles são realmente loucos e estão dispostos a fazer qualquer coisa sem grande estratégia por trás para deixar passar o menor fluxo de petróleo e gás possível. Nós estávamos à espera que eles fizessem isso. Sabemos que eles não gostam de nós. Agora, o que me parece estranho é que, por vezes, disparam contra os próprios aliados apenas para impedir o livre fluxo de petróleo e gás".
J.D. Vance, ontem, em entrevista à Fox News, com novas críticas à liderança iraniana.
Seguimos com a manchete da Axios, que diz que em cima da mesa de Donald Trump está um possível regresso aos ataques limitados.
Isto para impedir que o Irão consiga restabelecer os radares e mísseis necessários para atacar os navios que passam ao largo de Ormuz e do Golfo Pérsico. Este artigo da Axios atenta no plano desenvolvido na última semana pelo Comando Central dos Estados Unidos, com vista a reduzir o risco de ataques iranianos. O plano foi inicialmente rejeitado por Donald Trump, mas agora a imprensa norte-americana refere que o republicano pode mesmo recuar nesta decisão. O artigo aponta uma certa preocupação nas hostes militares norte-americanas com a rapidez com que os iranianos iniciaram o processo de reconstrução das capacidades de radar, defesa aérea e mísseis. Para além disto, o lançamento de um míssil contra um caça F-35 norte-americano, apesar de não ter sido atingido, também aumentou a preocupação das autoridades dos Estados Unidos. O Comando Central Norte-Americano informou os responsáveis da Casa Branca que poderá ser necessário atacar de forma periódica o Irão. Isto para continuar a ser possível a circulação em segurança de dezenas de petroleiros por Ormuz. Apesar da relutância inicial, Donald Trump disse ontem à Fox News que os Estados Unidos vão responder aos ataques iranianos com força.
Falamos agora de Gaza. Israel confirmou ataques para eliminar ameaças às forças de segurança israelitas.
Foi a justificação dada pelo exército de Tel Aviv, que confirmou ter realizado ataques contra diversos alvos na Faixa de Gaza durante esta terça-feira. Nenhum militar israelita ficou ferido, diz o exército. Ainda assim, as informações dos meios de comunicação de Gaza, citados pelo Times of Israel, apontam para três mortos em Gaza na sequência destes ataques. Já na Cisjordânia, na parte oriental de Jerusalém, dezenas de escolas particulares entraram hoje em greve no dia de abertura do novo ano letivo. Em causa, um protesto contra o que consideram ser a recusa de Israel em permitir que professores da Cisjordânia entrem nesta parte de Jerusalém. O Times of Israel diz que esta greve está a criar constrangimentos a cerca de 15 mil alunos. O mesmo jornal explica que há em vigor, desde fevereiro deste ano, uma lei que impede que pessoas com diplomas de instituições de ensino superior da Autoridade Palestiniana sejam autorizadas a trabalhar como professores em escolas israelitas, incluindo escolas particulares. No entanto, a lei isenta professores que já estavam empregados antes da entrada em vigor desta lei, bem como aqueles que haviam concluído pelo menos um ano de estudos de graduação antes da vigência desta lei.
Ainda pela Cisjordânia, colonos israelitas tentaram hoje incendiar uma mesquita.
É uma informação da agência de notícias Wafa. O Ministério dos Assuntos Religiosos Palestiniano condenou o ataque, classificando-o como uma escalada perigosa e sistemática destinada a provocar os muçulmanos e a violar a santidade de locais de culto protegidos pelo direito internacional.
Fica por aqui a edição de hoje da "Guerra Traduzida" especial Irão. Sobre os conflitos no Médio Oriente, teve edição do jornalista Carlos Pedro.