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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos falar agora dos destaques da imprensa russa, hoje com Martim Madeira. Começamos com Vladimir Putin, que garante que os ataques ucranianos às Wildberries não têm consequências críticas.
De acordo com a agência TASS, o presidente Vladimir Putin quebrou o silêncio sobre o recente ataque de drones ucranianos contra as infraestruturas da gigante de retalho russa Wildberries. Putin afirmou que, apesar dos danos materiais, este tipo de ataques não provoca nem poderá provocar consequências críticas para a estabilidade do país. O líder russo ordenou ao governo que ajude na reconstrução dos armazéns destruídos, tentando transmitir uma imagem de resiliência e controle. Apesar deste tom tranquilizador, o prejuízo na gigante de retalho online pode aproximar-se dos 2 mil milhões de dólares. Moscovo continua a insistir que a infraestrutura comercial é resiliente perante o que classifica como ataques terroristas.
Ainda Putin ordena ajuda para reconstruir armazéns atingidos por drones.
É um destaque no The Moscow Times. Estes armazéns da Wildberries também são destaque neste jornal. Vladimir Putin deu instruções diretas ao governo para apoiar a reconstrução destas instalações industriais e armazéns comerciais destruídos nos ataques recentes. O presidente reconheceu que o Estado deve intervir para garantir que o setor privado continue a operar, apesar dos danos provocados pelos drones ucranianos. Esta decisão surge numa altura em que o retalho online, motor importante da economia russa dos últimos anos, está a ser ameaçado pela campanha de bombardeamentos de Kiev. Embora o Kremlin esteja a desvalorizar a gravidade da situação, esta medida de apoio governamental é vista como uma admissão de que o setor empresarial precisa de garantias extras para continuar a investir no país.
E Moscovo vê a nomeação do novo ministro ucraniano como sinal de escalada.
O jornal russo "Komsomolskaya Pravda" apresenta uma análise sobre a nomeação de Yevhen Kyma para o cargo de Ministro da Defesa da Ucrânia. Para os analistas russos citados pelo jornal, esta escolha de Zelensky não sinaliza uma abertura para a paz, mas sim um passo em direção a uma maior escalada do conflito. O jornal sublinha que Kyma terá como missão principal endurecer as leis de mobilização para garantir que Kiev consegue continuar a alimentar a frente de batalha com novos soldados. Em Moscovo, a leitura é de que o Ocidente está a preparar o terreno para substituir Zelensky por figuras mais convenientes no futuro e mantendo a Ucrânia como um instrumento contra a Rússia.
Ainda em destaque, as bombas de gasolina em Moscovo voltam a limitar a venda de combustível.
O jornal The Moscow Times noticia que várias estações de serviço na capital russa voltaram a impor limites à quantidade de combustível que cada cliente pode comprar. Empresas como a Gazprom Neft e a Tatneft estão a restringir as vendas no momento em que a Rússia enfrenta uma segunda vaga de escassez de combustíveis. Esta crise está diretamente ligada ao ataque ucraniano contra refinarias do interior do país, que tem afetado a capacidade de produção nacional. O governo russo tem tentado minimizar o problema, mas admite que a situação em algumas regiões não é simples. A escassez já está a provocar subidas nos preços e dificuldades logísticas em várias províncias.
E a fechar, um drone ucraniano atinge uma refinaria de petróleo.
Segundo o jornal The Moscow Times, este ataque com drones provocou hoje um incêndio numa refinaria de petróleo em Ufa, no Bashkortostan. O dispositivo atingiu uma unidade de processamento que estava a ser submetida a trabalhos de manutenção. As autoridades locais afirmam que a situação foi controlada, mas este é mais um exemplo da vulnerabilidade das instalações industriais russas situadas longe da fronteira, o que escreve o jornal. No total, a defesa aérea russa afirma ter interceptado centenas de drones ucranianos durante a última noite. Estes ataques constantes têm como alvo principal o setor energético russo, tentando provocar uma rutura no abastecimento interno.
E fica por aqui esta edição da "Guerra Traduzida" com o jornalista Martim Madeira. Está de regresso amanhã.