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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos falar dos destaques da imprensa russa que estão a marcar esta terça-feira, dia 18 de agosto. E começamos, Martim: Moscovo chama o embaixador japonês na Rússia após a tensão nas ilhas Curilas.

A agência estatal TASS noticia que o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia convocou hoje o embaixador do Japão para apresentar um protesto formal. O motivo é a reação de Tóquio à visita de Vladimir Putin à ilha de Iturup, no arquipélago das Curilas, um território que o Japão reclama, mas que está sob controle russo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Moscovo classificou estas críticas japonesas como declarações antirrussas e avisou que a soberania da Federação sobre as ilhas é inquestionável. Putin tornou-se o primeiro líder russo a visitar Iturup, enviando uma mensagem clara de que não haverá cedências territoriais. A imprensa oficial russa sublinha que esta visita estratégica visa também responder ao apoio militar do Japão à Ucrânia e reforçar a posição de força da Rússia no Pacífico.

E o vice-primeiro-ministro da Energia russa garante que não haverá saltos no preço da gasolina na Rússia.

O jornal "Kommersant" dá destaque às declarações de Alexander Novak, o vice-primeiro-ministro responsável pela energia, perante os relatos de escassez de combustível em várias regiões, provocadas pelos constantes ataques de drones ucranianos às refinarias. Novak deu instruções rigorosas para que não sejam permitidas subidas abruptas nos preços nos postos de abastecimento. O governante afirmou que os condutores russos devem poder comprar até 50 litros de gasolina sem qualquer impedimento ou restrição. No entanto, a imprensa russa reconhece que a situação não é simples em todo o lado e o governo está a considerar medidas de emergência, como autorizar a venda de combustível com padrões ambientais mais baixos para garantir que o mercado interno continua a ser abastecido e que a logística militar não sofre quaisquer interrupções.

Também na Rússia, Lev Shlosberg foi condenado a 11 anos de prisão por críticas à guerra.

O jornal "The Moscow Times", que convém recordar, é rotulado como indesejável pelo Kremlin, relata a condenação pesada do veterano político Lev Shlosberg. O tribunal considerou Shlosberg culpado de descredibilizar as Forças Armadas e de espalhar o que o Estado apelida de notícias falsas sobre esta operação militar na Ucrânia. A sentença de 11 anos de prisão é vista como mais um sinal da repressão total sobre as vozes dissidentes que permanecem dentro da Rússia. Shlosberg, que pertence ao partido liberal Yabloko, tinha visto recentemente o Supremo Tribunal rejeitar o recurso do partido para participar nas próximas eleições. Esta condenação ocorre no momento em que Moscovo reforça leis contra quem critica o conflito, equiparando a oposição interna a atos de traição contra a pátria.

E também em destaque na imprensa russa esta terça-feira, a Bielorrússia, que apresenta, Martim, uma nova espingarda automática baseada na Kalashnikov.

O jornal "Kommersant" publica hoje uma análise do perito militar Viktor Baranets sobre o novo armamento desenvolvido pela Bielorrússia. Trata-se da primeira espingarda automática de fabrico inteiramente bielorrusso, embora Baranets explique que o design é fortemente inspirado na fiabilidade do clássico e conhecido Kalashnikov. Este desenvolvimento é apresentado como um passo crucial para a autonomia militar do principal aliado da Rússia, reforçando assim a capacidade de defesa do chamado Estado da União. Moscovo vê com bons olhos este reforço tecnológico em Minsk, numa altura em que ambos os países têm intensificado exercícios militares conjuntos junto às fronteiras da NATO. Para a imprensa russa, este novo fuzil simboliza a cooperação industrial profunda que permite enfrentar o que chamam de ameaças crescentes vindas do Ocidente.

Fica por aqui esta edição da "Guerra Traduzida", os destaques da imprensa russa neste dia terça-feira, 18 de agosto, com o jornalista Martim Madeira. Um abraço, Martim.

Até já.