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Olá, Ricardo. Boa noite.

Vamos começar com a imprensa russa. A Rússia teve de forçar um corte drástico na produção de petróleo depois de uma onda de ataques com drones ucranianos.

A imprensa russa, que cita dados obtidos pela Reuters e agências internas, revela hoje que Moscovo foi forçado, como dizias, a reduzir a produção de petróleo em cerca de 300 mil a 400 mil barris por dia neste mês de abril. Fontes do setor indicam que este é o declínio mensal mais acentuado dos últimos seis anos, superando os cortes da era da pandemia. A causa direta reside na incapacidade logística provocada pelos ataques sistemáticos de drones ucranianos contra portos vitais no Mar Báltico e no Mar Negro, além da paragem do oleoduto Druzhba. Embora o ministro das Finanças, Anton Siluanov, tente tranquilizar o mercado, afirmando que a subida dos preços globais impulsionada pela instabilidade no Médio Oriente vai ajudar a compensar o défice, o jornal Kommersant, que se dedica a estes assuntos de economia, destaca que muitas empresas estão a congelar contratações devido ao arrefecimento da procura e às dificuldades de escoamento do produto. O setor de processamento de hidrocarbonetos é o mais fustigado, enfrenta uma crise de armazenamento que ameaça a sustentabilidade da principal fonte de receita do Kremlin para o esforço de guerra.

As duas agências estatais, TASS e também a RIA Novosti, dão hoje um grande destaque à cerimónia de conclusão da primeira ponte rodoviária que vai ligar a Rússia à Coreia do Norte.

O evento, que contou com a participação por vídeo de altos funcionários dos Ministérios dos Transportes e dos Recursos Naturais, marca o momento em que as duas metades da estrutura se encontraram sobre o rio Tuman. Esta ponte, com quase 1 km de extensão, vai permitir o movimento diário de 300 carros e quase 3 mil pessoas a partir do verão. Para o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, este projeto vai muito além da engenharia, serve como uma artéria vital para trocas económicas e militares, no momento em que ambos os países enfrentam isolamento internacional. Os analistas ocidentais citados em relatórios de monitorização alertam que esta infraestrutura vai facilitar o fluxo de munições e equipamento militar norte-coreano, que já cobre cerca de metade das necessidades de artilharia da Rússia na frente ucraniana.

Outra notícia que está a marcar a atualidade na Rússia: foi detido o CEO da maior editora russa por alegado extremismo.

O jornal Kommersant e o canal Ren TV avançam hoje com a notícia da detenção de Yevgeni Kapiev, o diretor-executivo da Eksmo, a maior editora da Rússia. Kapiev foi levado para interrogatório depois de buscas domiciliárias realizadas pelos serviços de segurança no âmbito de uma investigação sobre extremismo LGBTQ+. De acordo com fontes próximas do processo, as autoridades alegam que a editora desenvolveu um esquema para distribuir literatura proibida a menores. Este caso surge em paralelo com novas restrições culturais. As agências RIA e a TASS confirmaram que biografias de figuras icónicas como o poeta Vladimir Vysotsky e o escritor Mikhail Bulgakov vão passar a exibir rótulos de propaganda de drogas. Estas medidas de controle ideológico são reforçadas pelo uso de inteligência artificial para monitorizar conteúdos impressos, no dia em que o Kremlin também decidiu remover do acesso público 20 anos de estatísticas judiciais, ocultando dados sobre processos de traição e de sabotagem militar.

E com receio de sabotagem ucraniana, a Rússia inspecionou 8 mil navios no Báltico.

Notícia do jornal Izvestia. De acordo com o artigo, mais de 4 mil destas inspeções ocorreram em portos como o Sluga, onde incidentes anteriores levantaram suspeitas de interferência externa. Mergulhadores militares e da Guarda Nacional, apoiados por equipamentos de controlo remoto, procuraram minas e dispositivos de sabotagem fixados nos cascos das embarcações provenientes de países considerados hostis. Especialistas consultados pelo jornal afirmam que navios civis estão a ser transformados em alvos e ferramentas de guerra económica, alertando para o risco de mercenários ou mergulhadores profissionais utilizarem estas rotas para paralisar a logística russa. Esta vigilância apertada é uma resposta direta à vulnerabilidade das infraestruturas portuárias, que têm sofrido danos graves devido a ataques de longo alcance que a Rússia atribui à estratégia de Kiev no Báltico.

E nós voltamos já a seguir, desta vez com os destaques da imprensa ucraniana.